O Gato leu: Tudo sobre The Walking Dead

Tudo sobre The Walking Dead – Paul Vigna
Editora: Pixel Media
Ano: 2017
Páginas: 324
Compre: Amazon

Eu estou muito satisfeita com este lançamento da Pixel Media. Gosto muito de livros de bastidores e que contam histórias do processo de criação de alguma obra. Tudo sobre The Walking Dead vai além disso, ele propõe uma reflexão sobre este fenômeno, abordando desde a sua ressonância cultural até seu aspecto mercadológico. Para quem é formada em comunicação e trabalha com cultura, como eu, este livro é uma aula!

O guia é muito bem dividido e traz, a cada capítulo, o resumo de uma temporada. Quando vi esses resumos no sumário achei desnecessários, mas conforme a leitura percebi o quanto que eles são essenciais, afinal são sete temporadas (até o lançamento do livro). Muitos eventos importantes aconteceram com os personagens e esses resumos ajudam a nos organizarmos cronologicamente.

Quando estes seres humanos perfeitamente espelháveis veem-se em uma realidade avassaladora, em que se vive cada momento desperto ou de sono em perigo mortal, e os roteiristas tratam tudo isso da forma mais vida-real possível, o resultado é mais do que um programa de TV: cria-se um laço visceral entre a plateia e os personagens, o qual nenhum seriado consegue imitar. (Pág. 16)

O autor traça um panorama do gênero zumbi, destacando George Romero que mudou a forma de apresentar estes seres e influenciou diretamente os criadores de TWD. Mas o livro vai além, ele reflete sobre a ideia de chegar ao extremo de si mesmo, mostrando os monstros que podemos nos tornar. Com um olhar de fã, mas sem deixar de ser crítico, Vigna entende que a série é sobre pessoas, seres humanos falhos tentando dar o melhor de si.

O gancho é o zumbi, mas a substância é a dinâmica do ser vivo naquele mundo. (Pág. 73)

Há debates sobre os mais diversos temas, como a saída de Frank Darabot e o processo judicial contra a AMC; estudos acadêmicos sobre a série; a aparição de Negan e o grau de violência apresentado na TV; estoicismo e autocontrole em situações extremas; o polêmico caso Glenn no beco; os rumos que a trama pode tomar para um desfecho; entre outros.

Pense no que é o seriado além dos zumbis: o colapso da sociedade, uma luta macabra pela sobrevivência e o empenho para reconstruir algo que lembre o mundo anterior a partir dos escombros. A maioria das histórias de zumbis nunca explora esses pontos com tanta profundidade, se é que os explora, pois não dura o suficiente para chegar a esses temas. (Pág. 167)

Encontrar referências a nomes como Stuart Hall, que eu conheci na faculdade de jornalismo, mostra o quanto este guia se aprofunda ao analisar o impacto da série em nossa sociedade e vice-versa. Se você se interessa por comunicação, cultura, entretenimento, industria cultural, mídia e mercado, este livro é para você. Ele é sim para os fãs de TWD, mas também é para todos aqueles que se interessam pelos grandes fenômenos culturais contemporâneos.

Recomendo muito e fico feliz em anunciar que a Pixel Media já está com outro lançamento neste mesmo sentido. A Cruzada Mascarada nos traz detalhes sobre o impacto do Batman na cultura pop.

✚ Vale a pena conferir!

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O Gato leu: Um Amor Incômodo

Um Amor Incômodo – Elena Ferrante
Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Páginas: 176
Compre: Amazon

Quando fiz o balanço literário de 2017 eu vi a discrepância entre a quantidade de livros escritos por homens e livros escritos por mulheres que li no ano passado. Decidi que em 2018 a coisa seria diferente: daria a todos o mesmo espaço. Agora sigo alternando as leituras.

Já tinha ouvido falar muito bem de Elena Ferrante e da verdade em sua fala sobre ser mulher. Apesar de não ter me apaixonado por Um Amor Incômodo, senti na fala de Elena uma conversa franca sobre as experiências tristes que muitas de nós, mulheres, compartilhamos.

O livro conta a história de Delia, que aos quarenta e cinco anos de idade, retorna a sua cidade natal, Nápoles, na Itália, para enterrar a mãe, Amalia, encontrada morta seminua numa praia em circunstâncias suspeitas.

Quando entramos na casa de uma pessoa morta recentemente, é difícil acreditar que ela esteja deserta. As casas não guardam fantasmas, mas retém os efeitos das ultimas ações em vida. (Pág. 26)

O retorno ao ambiente da infância, bem como as revelações perturbadoras a respeito dos últimos dias de Amalia impelem Delia a descobrir a verdade por trás do trágico acontecimento. A filha vai confrontar os três homens que figuraram fortemente no passado de sua mãe: o irmão irascível de Amalia, conhecido por lançar insultos indistintamente a conhecidos e estranhos; o ex-marido, pai de Delia, um pintor medíocre que não se importava em desrespeitar a esposa em público; e Caserta, uma figura sombria e lasciva, cujo casamento nunca o impediu de cortejar outras mulheres.

Senti por um instante a violência doméstica da minha infância e adolescência voltar aos meus olhos e ouvidos como se escorresse ao longo do fio que nos ligava. (Pág. 39)

Percebi que eu estava confusa em muitos momentos durante a leitura, lá pela página 50 (de 176) eu ainda não tinha conseguido me envolver realmente com a trama, apesar dela ter muitos mistérios, o que sempre chama a minha atenção. Talvez seja porque, apesar de linear, a história tira, em muitos momentos, o foco do fato e vai para os pensamentos de Dalia, memórias que se misturam com fantasia e que, de certa forma, quebram o ritmo da história. Claro que os momentos de “olhar para dentro” da protagonista são interessantes de se ter, mas não gostei da forma como foram construídos.

Fora isso não tem como não se emocionar com a história de mulheres marcadas pela violência doméstica, machismo e abuso. Um passado cruel e um presente não tão diferente. O apagamento da mulher em função do homem foi o que mais se destacou da leitura para mim.

Nenhum ser humano jamais se desligaria de mim com a mesma angustia que me desliguei da minha mãe apenas porque nunca consegui me apegar a ela definitivamente. (Pág. 78)

Uma vida na qual as mulheres se acham culpadas. Amalia não podia ser ela mesma e Delia também nunca foi ela própria. Além disso, não havia um relacionamento real entre as duas. Delia idealizava demais os defeitos e as virtudes da mãe, ao mesmo tempo em que olhava Amalia como seu pai violento olhava a esposa. Me solidarizei com a protagonista da mesma forma que a detestei, talvez por a ter visto como ela via sua mãe.

Não era sangue inocente. Para meu pai, nada de Amalia jamais parecera inocente. (Pág. 123)

Terminei a leitura de Um Amor Incômodo com um sentimento real de tristeza. Violência é algo dolorido de se ler, ainda mais quando essa violência vem por que o outro não aceita você do que jeito que é. Infelizmente essa é a realidade de muitas mulheres, que abaixam a cabeça e perdem a sua identidade, sua verdade, para ser o que os outros desejam que elas sejam. É um livro triste, mas que traz à tona um debate necessário. Vale a pena conferir.

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O Gato leu: Extraordinário

Extraordinário – R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 320
Compre: Amazon

Eu lembro que logo quando o livro Extraordinário foi lançado eu não dei bola alguma. Vi a imagem da capa, o alvoroço em cima dele e fui na direção contrária. Sempre faço isso quando algo está muito em evidência.

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Os anos se passaram e foi anunciada a adaptação para o cinema, com nomes como Jacob Tremblay, Julia Roberts, Owen Wilson e a brasileira Sônia Braga. Isso chamou a minha atenção e foi aí que eu finalmente fui descobrir de que tipo de história tratava o livro.

Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil. (Pág. 55)

Agora tive a oportunidade de ler a obra original e me juntei ao coro de fãs de Auggie Pullman. A minha aversão à tudo aquilo que os outros estão amando ao mesmo tempo quase me custou a experiência incrível que foi devorar este livro em um dia.

Extraordinário conta a história de August Pullman, o Auggie, que nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial. Desde recém-nascido o menino vem passando por diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade… até agora.

Garoto rato. Estranho. Monstro. Freddy Krueger. E.T. Cara de lagarto. Mutante. Conheço os apelidos que me dão. Já estive em parquinhos suficientes para saber que crianças podem ser cruéis. (Pág. 84)

Ser aluno novo é difícil para todo mundo, mas com o tempo vamos entendendo as regras da vida escolar, nos misturamos e nos tornamos mais um naquela massa enorme de estudantes. Para Auggie, com um rosto tão diferente, isso é impossível. Quando as aulas do quinto ano estão para começar o rapaz tem certeza da sua difícil missão: mostrar que por trás daquela aparência incomum existe um menino igual a todos os outros, com nerdisses, sonhos, medos, comidas preferidas, preguiça e amor pela sua família.

Extraordinário é emocionante. R. J. Palacio criou uma história repleta de amor. Ao contar a luta de Auggie e de sua família por aceitação e acolhimento ela nos mostra a importância de ser gentil. Não seja rude, todo mundo está enfrentando uma batalha em sua vida.

– “Mais gentil que o necessário” – repetiu. – Que frase maravilhosa, não é? Mais gentil que o necessário. Porque não basta ser gentil. Devemos se mais gentis do que precisamos. Adoro essa frase, essa ideia, porque ela nos lembra que carregamos conosco, como seres humanos, não apenas a capacidade de ser gentil, mas a opção pela gentileza. (Pág. 302)

Toda vida interfere na outra, cada palavra dita ou não-dita, cada gesto, cada escolha. Um menino pode causar um impacto em uma comunidade escolar. Ao olhar para o outro nós temos a oportunidade de olhar também para dentro de nós. Um dos grandes destaques da narrativa de R. J. Palacio é que ela é contada da perspectiva de seus diversos personagens, não só de seu protagonista. Vemos múltiplos olhares e sentimentos para uma mesma situação.

É uma história tão linda e potente que estou emocionada até quando escrevo este post. Vale muito a pena conferir!

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O Gato leu: Desaparecido para sempre

Desaparecido para sempre – Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano: 2010
Páginas: 320
Compre: Amazon

Harlan Coben é, talvez, o autor atual mais famoso do gênero thriller. Fazia muito tempo que eu desejava conhecer a sua escrita e agora com o Desafio Doze Meses Literários de novembro, que trouxe o suspense como tema, eu pude pegar um livro dele para ler.

No início fiquei um pouco confusa com a história, mas isso passa logo. Terminei impressionada com a trama criada por ele. O meu grande problema foi que não consegui me envolver com o protagonista. Sua autopiedade é gigantesca e a expectativa que ele coloca em cima das pessoas não fica atrás. O achei ingênuo. Para alguém que já havia passado por uma situação crítica na vida, ele deveria ser mais cético.

Na trama, no leito de morte, a mãe de Will Klein lhe faz uma revelação: seu irmão mais velho, Ken, está vivo. Ken desapareceu há 11 anos, acusado do estupro e assassinato de sua vizinha Julie Miller. A polícia o considera um fugitivo, mas a família sempre acreditou em sua inocência.

Mais uma traição em uma década cheia delas. (Pág. 08)

Ainda aturdido por essa descoberta, Will se depara com outro mistério: Sheila, sua namorada, some de repente. Apesar de estarem juntos há quase um ano, ela nunca revelou muito sobre o seu passado. Enquanto isso, Philip McGuane e John Asselta, dois criminosos que foram amigos de infância de Ken, passam inexplicavelmente a rondar a sua vida.

Não havia como negar. Ele gostava de machucar as pessoas. Uma aura de destruição cercava cada um de seus passos. (Pág. 107)

Mentiras fazem parte da vida de Will e ele decide descobrir a verdade por trás desses mistérios. Desaparecido para sempre se torna então uma trama eletrizante e cheia das mais inimagináveis reviravoltas.

Will trabalha em uma fundação de assistência a jovens carentes, foi lá que ele conheceu Sheila. Seu melhor amigo, Squares, proprietário de uma escola de ioga famosa entre as celebridades, também é voluntário no local e ajudará Will em sua busca por respostas.

O grande diferencial do livro, para mim, foi olhar para as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Prostituição, tráfico de drogas e violência fazem parte da dura realidade das ruas e nas rondas por elas com os personagens pude ver mais sobre essas pessoas que diariamente escolhemos não enxergar.

O abrigo significava muito para mim. Para nós. E quando tínhamos duvidas quanto ao nosso sucesso, a respeito de quanto estávamos ajudando, sempre lembrávamos que fazíamos tudo por causa daqueles jovens. Eles não eram carinhosos. Não eram atraentes, eram pessoas difíceis de se amar. A maioria deles levaria uma vida terrível e acabaria nas ruas, na cadeia ou morta. Mas isso não era motivo para desistirmos. Pelo contrário; na verdade, significava que deveríamos amá-los ainda mais. Incondicionalmente. Sem hesitar. (Pág. 126)

São tantos personagens neste livro e em determinados momentos as histórias deles se cruzam de maneira impressionante. São várias viradas e em certas horas eu me sentia tão perdida quanto o protagonista. O final é inesperado. Harlan Coben não economizou na hora de surpreender o seu leitor.

Buscamos o assassino, a vitima e a verdade em uma trama na qual literalmente somos abalados até a ultima página.

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O Gato leu: O Exorcista

O Exorcista – William Peter Blatty
Editora: Agir
Ano: 2013
Páginas: 336
Compre: Amazon

O Exorcista, é um daqueles filmes que marcaram a minha infância e por isso escolhi a obra original para ler no tema de terror (outubro) do Desafio Doze Meses Literários. Lembro que a primeira vez que vi o longa foi exatamente a meia-noite. Todas as crianças da rua fizeram uma coleta para alugar a fita cassete (!!!), comprar pipoca e refrigerante. Dá para imaginar a gritaria e o terror da criançada?

Com mais idade segui revendo a história e me impressionando com cada detalhe que havia deixado passar antes. Assisti documentários e entrevistas sobre as filmagens e os atores. Até hoje, com todos os efeitos disponíveis, O Exorcista ainda consegue se manter impactante.

Resenha do livro O Exorcista, publicada no blog Gato que Flutua, por Debb Cabral

Inspirado por uma matéria de jornal sobre o exorcismo de um garoto de 14 anos, o escritor William Peter Blatty publicou, em 1971, a perturbadora história de Chris MacNeil, uma atriz e mãe que está filmando em Georgetown e sofre com as inesperadas mudanças de comportamento de sua filha de 11 anos, Regan.

Chris tem recursos e ama a filha mais do que tudo. Ela consulta diversos especialistas para descobrir o que há de errado com sua criança. Uma nova personalidade demoníaca parece vir à tona, se apossando de Regan e a deixando irreconhecível. Chris busca a ajuda da Igreja no que parece ser um raro caso de possessão demoníaca. Caberá a Damien Karras, um padre da universidade de Georgetown, tentar salvar a alma de Regan, enquanto tenta restabelecer sua própria fé, abalada desde a morte de sua mãe.

No quarto andar, procurou a chave no bolso e a enfiou na fechadura: 4C, o apartamento de sua mãe. Abriu a porta como se fosse uma ferida ainda não cicatrizada. (Pág. 56)

Blatty nos traz o demônio no corpo de uma criança, provocando em nós um misto de sentimentos como pena, raiva, medo, nojo e impotência.

Quando peguei o livro para ler, fiquei impressionada com a fidelidade, mas nem devia, afinal foi o próprio Peter que adaptou o roteiro para o cinema. Achei as primeiras cinqüenta paginas cansativas, pois elas são mais focadas na mãe e no seu trabalho como atriz. Os pensamentos de Chris no inicio do livro são bem óbvios e, muitas vezes, poderiam até ter sido suprimidos, pois acabaram deixando a personagem meio boba.

Ah, eu sei que você não acredita no mundo dos espíritos, Chris. Mas eu acredito. (Pág. 82)

O diretor de cinema Burke Dennings que já é insuportável e desprezível no filme tem mais espaço na obra original e isso me deixou um pouco desanimada. O inicio do livro tem muitos diálogos de Chris com ele, fora que suas atitudes repulsivas me fizeram lembrar as atuais denuncias de assedio em Hollywood, o que mostra que a realidade está até pior que a ficção.

A história começa a ganhar força quando entra em cena o Padre Karras, personagem mais complexo e interessante. Passado o início cansativo, o livro vai se tornando hipnotizante. Demônios, psicologia, amor, perda da fé e solidão são alguns dos temas de destaque durante a trama. Vemos a evolução da possessão de Regan e como isso afeta todos a sua volta. Ninguém é uma ilha, o sofrimento é algo compartilhado.

Retraindo-se, Karras olhou para ela, a cabeça baixa e e indefesa. Desejou poder segurar a sua mão e dizer que tudo ficaria bem. Mas não podia. Não acreditava que as coisas ficariam bem. (Pág. 238)

Saber a história de vida do Padre Karras, algo que vemos pouco no filme, foi uma das melhores novidades para mim. Seus traumas, dores, perdas e ambições o levaram exatamente aonde ele se encontra. Quando conhecemos isso é muito mais fácil enxergar a situação pela sua perspectiva.

Vale muito a pena conferir!

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