Pixel Media lança novidades para o público nerd

A Pixel Media é o selo de quadrinhos do Grupo Ediouro e já trouxe para o Brasil relançamentos de clássicos como  O Recruta Zero e Hagar, O Horrível.

Atualmente, um tipo de publicação que merece destaque no catálogo da editora são os livros ilustrados no estilo almanaque. Com muitos filmes de super-herói no cinema e séries na TV, um novo público interessado se formou, mas ele nem sempre conhece a trajetória daquele personagem que muitas vezes já tem dezenas de anos. Os lançamentos da Pixel Media vem com o objetivo de suprir essa carência de informação e fazer um apanhado geral sobre esses heróis.

Já falei aqui no blog sobre o livro O Mundo da Mulher-Maravilha, no qual a própria amazona compartilha sua história de vida e olhar sobre o mundo. Recebi da editora O Mundo do Homem-Aranha que segue o mesmo estilo, mas usando o bom humor do personagem, sua marca registrada, na narrativa. Em breve tem resenha dessa novidade aqui no blog.

Em outubro o selo lançou mais duas publicações direcionadas para o público nerd. Confiram!

TUDO SOBRE THE WALKING DEAD

Primeiro e único guia para a excepcional série de sucesso. Nele, o autor narra sobre a série, suas histórias, personagens e desenvolvimento. Um guia obrigatório para todos os fãs de The Walking Dead.

AUTOR: Paul Vigna
FORMATO: 11,5×23 cm
NÚMERO DE PÁGINAS: 320
ISBN: 9788555460852
PREÇO: R$ 39,90

O MUNDO DO BATMAN

Repleto de informações, desde a trágica história da infância do Batman a valiosas dicas sobre o combate ao crime, traz o maior detetive de todos os tempos compartilhando todo o conhecimento necessário para assumir a capa do Batman.

AUTOR: Daniel Wallace
FORMATO: 23,5 x 23,5 cm
NÚMERO DE PAGINAS: 64
ISBN: 9788555460876
PREÇO: R$ 39,90

✚ Imperdível, não é mesmo? Não deixem de conferir!

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O Gato leu: O Mágico de Oz

O Mágico de Oz – L. Frank Baum
Editora: L&PM Pocket
Ano: 2011
Páginas: 176
Compre: Amazon

Para variar, estou atrasada com as resenhas do Desafio Doze Meses Literários. Empaquei na leitura d’O Demonologista e toda a fila de livros na sequência foi prejudicada.

É um sentimento tão desconfortável saber que a gente é um bobo. (Pág. 32)

O Mágico de Oz foi o desafio do mês de agosto, com o tema clássico mundial. Gostei muito do livro, pois ele é simples e lúdico ao mesmo tempo que traz reflexões importantes.

É aquele tipo de livro que se eu tivesse uma criança por perto, com certeza daria para ela ler. O trabalho em equipe é, para mim, o principal aprendizado desta obra, principalmente usando a astucia na busca de soluções quando o fim parece iminente.

– Deve ser inconveniente ser feita de carne – disse o Espantalho, pensativamente – Você tem que dormir, comer e beber. Entretanto, tem cérebro, e poder pensar vale muitos incômodos. (Pág. 34)

A obra conta a história de Dorothy, uma menina órfã que vive com os tios em uma fazenda no Kansas. Certo dia um terrível ciclone aparece e a leva até a fantasiosa Terra de Oz. Os tios da garota permaneceram na fazenda e a menina tem somente a companhia do seu inseparável amigo, o cãozinho Totó, neste novo mundo.

Os moradores daquele estranho local contam à jovem sobre o poderoso Mágico de Oz, que seria o único capaz de realizar seu desejo de voltar para casa. Assim, a menina parte ao encontro deste.

De fato, Totó não se importava de estar no Kansas ou na Terra de Oz, desde que Doroty estivesse com ele; mas sabia que a menininha estava infeliz e isso também o deixava triste. (Pág. 101)

No meio de um caminho colorido e surreal, a pequena se une ao Espantalho sem cérebro, o Leão Covarde e o Homem de Lata sem coração rumo a Cidade das Esmeraldas, lar do Mágico. Um campo de papoulas mortíferas, animais selvagens, macacos voadores, uma bruxa malvada, uma bruxa boa e o próprio Mágico de Oz estarão presentes na jornada do improvável grupo.

Algo interessante desse livro é mostrar a superação dos seus próprios limites como, por exemplo, ocorre com o Espantalho que não tem cérebro. Ele sente essa frustração, mas para alcançar seu objetivo e ajudar seus novos amigos, consegue buscar alternativas e soluções que nem ao menos passaram pela cabeça daqueles naturalmente dotados.

O Mágico de Oz é um leitura prazerosa e estimulante, não foi a toa que se tornou um clássico mundial! Vale a pena conferir!

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Avon Care Pepino Mask – Máscara Facial Refrescante de Pepino e Chá Verde

Se tem um tipo de produto de beleza que tem se falado atualmente, com certeza é a máscara facial. Hidratação, limpeza, regeneração, iluminadora… A variedade é enorme!

É claro que produtos assim não são milagrosos. Eles são um cuidado a mais, um agrado que se faz na pele. Pensando nisso vim falar sobre um cosmético que está há tempos no mercado, antes mesmo deste boom estourar.

Avon Care Pepino Mask é um daqueles produtos que está desde sempre no catálogo da marca e acredito que a maioria das mulheres já testou ou ouviu falar. É aquela dica de beleza passada de geração em geração, pois é barata e eficiente.

Segundo a marca, “formulada com o exclusivo complexo Hydra-E, suaviza e hidrata a pele. Remove profundamente as impurezas, refresca e suaviza a pele em um único passo”, deixando assim a pele limpa e fresca. A tecnologia Hydra-e é inserida “para ajudar a proporcionar ação antioxidante auxiliando a neutralizar os radicais livres, responsáveis pelos danos causados nas células da pele”.

O pepino é usado para reduzir o inchaço da pele, com função calmante, enquanto o chá verde vem como um adstringente, controlando a oleosidade.

O modo de uso é bem simples: aplique uma camada uniforme sobre o rosto limpo e seco, evitando a área dos olhos e da boca. A marca recomenda deixar agir por 20 minutos, mas senti que isso pode variar conforme o clima, pois quando está muito úmido ela demora muito mais para secar.

A textura final é uma camada fina sobre a pele, como se ela estivesse envolvida em um plástico. Remova a máscara quando estiver completamente seca, começando pela testa em direção ao queixo, ela sai praticamente inteira. Enxágue com água para eliminar os resíduos que ficam normalmente nas sobrancelhas e próximos à raiz dos cabelos. Pode ser usada até duas vezes por semana.

Logo ao aplicar o produto dá para sentir sua ação refrescante, a textura inicial é de gel e o toque é bem geladinho.

Como eu disse antes, esse tipo de produto não vem para fazer milagres. No meu caso o que senti foi uma visível diminuição no tamanho dos poros, principalmente na área do nariz. Isso ocorreu mesmo levando em conta o clima quente e úmido de Belém do Pará.

Costumo passar a máscara em duas ocasiões: antes de algum evento mais importante, se sentir que a minha pele está muito desgastada e depois de algum evento no qual usei muita maquiagem ou me expus muito ao sol, aplicando o produto com o objetivo de revigorar a pele.

Apesar de não me agradar o cheiro do cosmético (não gosto nem de pepino e nem de chá verde), seguirei usando com certeza e pretendo sempre ter a Avon Care Pepino Mask aqui em casa.

A embalagem contém 90g e custa em média R$13,00 no folheto da marca, podendo ser encontrada bem mais barata em campanhas ocasionais.

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O Gato leu: O Demonologista

O Demonologista – Andrew Pyper
Editora: DarkSide Books
Ano: 2015
Páginas: 328
Compre: Amazon

Acho bem triste quando não gosto de um livro que muitos dos meus amigos amam. Queria partilhar da empolgação deles nas conversas, mas fico sozinha na minha frustração. Isso aconteceu com O Demonologista.

Publicação DarkSide preferida da minha irmã, tema de várias conversas e até de um desafio no clube do livro que participo, a obra de Andrew Piper me deixou cansada e atrasou toda a minha fila de leituras.

Não que o livro não seja bom, ao contrário, ele é muito inteligente, além de se relacionar o tempo todo com o clássico Paraíso Perdido, de John Milton. A narrativa arrastada e, principalmente, o meu não envolvimento com o protagonista, me fizeram não amar a leitura.

Na trama, acompanhamos David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Como um acadêmico, para ele o Anjo Caído é apenas um ser mitológico, uma representação que deve ser destrinchada em todas as suas metáforas de forma analítica e cética.

Minha justificativa para essas evidentes contradições é que há coisas que tem um significado, cultural, mesmo sem existir. O Diabo, anjos. Paraíso. Inferno. Eles são parte da nossa vida mesmo que nunca tenhamos visto, e nunca vejamos, ou tocado nelas, provando que elas são reais. (Pág. 19)

Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. Algo que nem passava pela sua cabeça descrente que só concordou com a oferta por causa do pagamento e das suas vantagens como, por exemplo, uma boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha, Tess, de 12 anos. A viagem que se mostrava ser mais lazer do que trabalho se transformou em uma jornada aos recantos mais sombrios da alma.

De volta aos EUA, correndo contra o tempo, David precisa seguir nas estradas do país e decifrar pistas escondidas no livro de Milton e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno.

Algumas vezes as pessoas fecham a porta porque estão tentando encontrar uma maneira de você bater nela. (Pág. 43)

Acho que foi o Teco do canal Miolos Fritos que disse que O Demonologista é quando “Stephen King encontra Dan Brown”. Tem um quê disso mesmo. A viagem para Veneza e a questão dos símbolos religiosos é bem a cara das aventuras de Robert Langdon, personagem de Inferno e outros livros de Brown; já a paisagem interiorana dos Estados Unidos somada ao sobrenatural é marca registrada do King.

O Demonologista nos apresenta a questão da não-existência, de uma vida ainda que promissora e próspera aos olhos dos outros, mas que não tem propósito algum para aquele que a vive. Repetição, melancolia, caminhos sociais, ausência de sentimentos. Me lembrou um pouco o livro Putrefação, do autor paraense Andrei Simões, que aborda isso no derradeiro momento da vida de seu protagonista.

A experiência demoníaca é a única verdadeiramente universal de todas as experiências religiosas do homem. (Pág. 199)

David e sua filha Tess não chamaram a minha atenção, foi Elaine O’Brien, melhor amiga do professor, que me fez seguir lendo o livro. O’Brien é uma mulher inteligente e independente. Acadêmica como David, tem sempre um olhar analítico e rápido. Ela nos mostra força e vulnerabilidade ao enfrentar sua própria jornada de incertezas e provações.

Os diálogos de David com Elaine foram as melhores partes da história para mim, pois construíam linhas de pensamento e investigação muito mais interessantes que os devaneios solos do protagonista.

Estou aqui por minhas próprias razoes. Então, quanto mais tempo você passar se preocupando comigo em vez de manter  a sua mente focada no assunto em questão, mais puta da vida eu vou ficar. (Pág. 207)

O Demonologista não me encantou, mas como disse no inicio do post, ele foi instigante para muitos outros leitores. Dito isso, não deixe de ler, formar a sua opinião e voltar aqui nos comentários para me contar sobre ela, ok? Enquanto isso, pretendo dar mais uma chance ao autor e logo lerei seu outro livro, Os Condenados.

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O Gato leu: Nossa Senhora do Nilo

Nossa Senhora do Nilo – Scholastique Mukasonga
Editora: Nós
Ano: 2017
Páginas: 270
Compre: Amazon

Quando li a sinopse de Nossa Senhora do Nilo me deparei com um fato triste: o quanto nós desconhecemos a história da África. Sabemos sobre as grandes guerras mundiais, os conflitos separatistas no norte da Europa, os atentados nos Estados Unidos, mas sobre a realidade africana ignoramos quase tudo.

Lembro de estudar o conflito entre hutus e tutsis na época do vestibular. Uma passagem rápida durante a aula de geopolítica, alguns nomes gravados na memória e nada mais durante anos.

Resenha do livro Nossa Senhora do Nilo - Blog: GatoQueFlutua - Foto: Debb Cabral

Ironicamente foi uma obra de ficção que me trouxe de encontro à esta triste realidade.

A história se passa no Liceu Nossa Senhora do Nilo, uma escola para meninas, situada no alto das montanhas da bacia do Congo e do Nilo, em Ruanda. Este lugar aplica rigorosamente um sistema de cotas étnicas que limita a 10% o número de alunas da etnia tutsis. Vemos aí o controle do acesso à educação como uma forma de controle social. Em Nossa Senhora do Nilo o Liceu é também um personagem dessa história, há uma aura sobre este lugar acessível somente para poucos.

A cota funciona assim: de vinte alunas, duas são tutsis. Por causa delas, tenho amigas que são ruandesas de verdade, do povo majoritário, do povo da enxada, que não conseguiram vaga na escola secundaria. Meu pai vive repetindo que um dia a gente tem que se livrar dessas cotas, foi uma história inventada pelos belgas! (Pág.34)

Quando os líderes do poder hutu tomam conta do local, o universo fechado em que têm de viver as alunas torna-se o teatro de lutas políticas e de incitações ao crime racial. As brigas entre as adolescentes são o reflexo de toda uma tensão que existe na sociedade ruandesa. As meninas já crescem repetindo os preconceitos e ideologismos de seus pais, um ciclo opressivo social e étnico. Além disso, há uma perseguição implacável a uma moral que chega a ser opressiva de tão absurda.

Os conflitos são um prelúdio ao massacre ruandês que aconteceria tempos depois. Em Nossa Senhora do Nilo, Scholastique Mukasonga, sobrevivente do massacre, conta as experiências-limites pelas quais passaram as jovens do colégio, numa narrativa pungente que encantou o mundo. A autora, que foi destaque na FLIP 2017, apresenta esse relato de uma maneira simples, como uma história a ser compartilhada.

– Você não acha perigoso? Você sabe o que esses brancos fazem com as moças que eles atraem para as suas casas. Os brancos acham que podem fazer tudo aqui, que podem fazer até o que é proibido na terra deles. (Pág. 74)

Há aventuras vividas pelas personagens que são surreais e, até mesmo, perigosas. Isso mostra a fragilidade e a ingenuidade dessas meninas, que são vistas apenas como as futuras boas esposas de homens poderosos. Uma educação sem informação é algo triste, como pude observar na questão da menstruação. O desconhecimento do próprio corpo na área da biologia está ao lado da visão do pecado pregada pelos religiosos locais.

– Você sabe que não devemos falar sobre esse assunto. As mocinhas não entendem nada do que acontece com elas, acham que são malditas. Não sei se era assim antes dos europeus chegarem, mas os missionários só pioraram as coisas. Nossas mães não explicam nada, como diriam os professores, é um tema tabu. (Pág. 99).

Nossa Senhora do Nilo é um livro comovente. Ao mesmo tempo em que ri das conversas das adolescentes, não consegui deixar de me preocupar com a segurança delas, de suas famílias, de seu povo, de seu país.

O blog Achados & Lidos foi quem me mandou este livro como presente. Ele realizou um Clube do Livro no qual houve uma leitura coletiva da obra. Os debates podem ser encontrados nos posts do projeto.

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