Pesquisa de Público do GatoQueFlutua

Quando eu criei o GatoQueFlutua em 2013 eu estava me formando e cheia de duvidas sobre a vida o universo e tudo o mais. O blog foi feito para ser um espaço pra falar sobre as coisas que me chamavam a atenção e me levavam à reflexão.Pesquisa de Público - GatoQueFlutua - 2016

De lá para cá muita coisa mudou no blog e em mim também. Compartilho muitas opiniões sobre cultura através das resenhas, falo sobre beleza, jogos para celular (um eterno vício) e também rola textão por aqui também, rs.

Eu estou ainda cheia de dúvidas, mas não guardo tudo pra mim e deixei a categoria de “Crônicas” como um espaço no blog para falar de insatisfações e frustrações. Não somos perfeitos e de vez em quando fica difícil segurar a barra, não é mesmo?

E por falar em segurar a barra, o feminismo foi um dos temas que achou espaço por aqui no blog e em mim também. Lutar por igualdade e por um mundo melhor é pauta prioritária na minha vida.

Depois de três anos, muita gente passou por aqui. Conheci pessoas e fiz novos amigos. Cada comentário, curtida ou resposta lá no Twitter é como um abraço que recebo. <3

Por isso, queria saber um pouco mais sobre vocês que acompanham o blog e que estão sempre por aqui. Me contem na pesquisa de público abaixo. É anônima e rapidinha de responder. 🙂

Obrigada por participar! <3

O Gato leu: O Quarto Vermelho

O Quarto Vermelho – Nicci French
Editora: Record
Ano: 2007
Páginas: 448

Já fazia um bom tempo que eu tinha este livro na minha estante. Comprei porque estava barato e porque era uma história com um maníaco assassino, duas qualidades que admiro em um livro, rs.

Não sabia nada sobre ele ou sobre sua autora. Descobri depois  que  Nicci French é um pseudónimo literário de Nicci Gerard e Sean French, um casal que escreve junto. Bacana, né? Um de seus livros até deu origem a um filme.

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O Quarto Vermelho foi um livro que me surpreendeu muito. No Skoob ele não está tão bem avaliado, mas acho que é por conta da escrita arrastada. De fato é uma história que vai se desenrolando de maneira bem lenta e isso pode cansar.

Na trama, acompanhamos a psiquiatra criminal Kit Quinn, que atua como consultora da policia de Londres. Ela está sempre tem que lidar com inconsciente dos suspeitos e dos cruéis assassinos. Um desses suspeitos é Michael Doll, alguém que ela já conhece e que a marcou profundamente no passado, deixando sequelas na sua auto-estima e fazendo com que muitos (e ela mesma) questionem sua profissão e atuação.

Eu queria parecer relaxada e acessível, mas ao mesmo tempo profissional. Eu era a médica, uma pessoa acessível, mas não uma amiga. (Pág. 53)

Uma menina de rua foi morta às margens de um canal. Doll é o principal suspeito e Kit é chamada para sondá-lo. Mergulhamos na vida da psiquiatra de o suspeito, cada um com seus problemas e mistérios. Enquanto a policia já está pronta para encerrar o caso, Kit não está plenamente satisfeita e descobre outras pistas que indicam que a resolução não é algo tão simples assim.

Mistérios e reviravoltas mostram que o assassino pode ser alguém próximo, ao mesmo tempo em que Doll parece estar sempre próximo quando algo de ruim acontece. Ao ler sobre este homem temos um misto de sensações que vão do nojo à pena. Em certos momentos a leitura é quase sintética e eu senti como se estivesse suja e precisasse tomar um banho pra me limpar de tudo aquilo também.

No canto do cômodo entulhado, que fazia às vezes de sala de estar e cozinha, havia dois grandes ossos. Uma nuvem de moscas zumbia ao redor deles e também ao redor de uma tigela colocada no chão, cheia até a metade de comida pra cachorro gelatinosa. (Pág, 57)

A vida pessoal de Kit também está totalmente abalada, ela vai apenas deixando as coisas acontecerem e a irem levando. Levando até mesmo em direção ao quarto vermelho, lugar onde pesadelos se tornam reais.

Mistério, perseguição, estranhos telefonemas, visitas inesperadas e uma obsessão bizarra estão presentes neste livro.

FOCO SOCIAL

Uma coisa que percebi muito nesse livro foi a visão machista dos policiais. Kit sofreu um trauma e isso a abalou, é lógico, só que dai eles pouco dão atenção ao que ela tem a dizer sobre o caso. Querem dela um relatório e ponto final, quando ela não o faz, a acusam de louca. Mesmo Kit provando várias vezes que estava certa em seu raciocínio, tudo é feito para ela a contra gosto.

Eu nem sempre conseguia saber se estava levando um tapinha nos ombros ou um soco nas costelas. Se eu fosse homem talvez conseguisse distinguir a diferença. (Pág. 192)

Outro destaque dessa trama é ver a condição dos jovens. Muitos estão em situação de risco ou em conflito com a lei. Esses jovens sem pai ou proteção, com um amadurecimento rápido e forçado perdem sua inocência nas ruas.

É engraçado que para um livro arrastado, O Quarto Vermelho teve um final corrido. Não que as coisas não se expliquem, tudo fica claro. O que gostei muito foi a questão psicológica, temos analises de vários personagens na trama, o que nos faz questionar a condição humana, bem como imaginar vários suspeitos para o crime.

Vale a pena conferir!

Liga Pontos – Zen e Terapia do Liga Pontos da Coquetel

O meu livro de liga pontos foi sequestrado. A minha prima, quando veio passar umas férias aqui em Belém, aproveitou todas as minhas revistas da Coquetel e se divertiu muito fazendo todos os jogos.

Quando ela se foi, mandei com ela as revistas que ela mais tinha gostado, incluindo o meu livro de ligar pontos chamado O Mundo dos Desenhos. É muito bom ver uma criança se divertindo com algo que não está em uma tela e interagindo com tudo. Quando eu era mais nova lembro de ter livros desse tipo sempre. Eu adorava completar os desafios.

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A Coquetel, que é parceira do blog, mandou um kit bem bacana e nele vieram dois livros de liga pontos, o Liga Pontos – Zen e Terapia do Liga Pontos!

Esses livros são para o público mais adulto, pois possuem imagens com centenas de números para ligar, além disso, eles tem o objetivo de relaxamento depois de uma rotina estressante. Eu deixo os meus perto da minha mesa de trabalho, pois quando estou com a cabeça muito cheia ou fazendo uma pausa, eles são os meus melhores amigos.

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Às vezes a gente está com um bloqueio criativo e a melhor coisa a se fazer é espairecer. Porém, nem sempre é possível sair de casa e dar uma volta, não é mesmo? Mas você pode encontrar belas e estimulantes imagens nesse livro na ponta de um toque do lápis. 🙂

Pra quem curte livros de colorir, ao final da pra pintar cada desenho que você mesmo fez!

Corretivo Vult em bastão – Cor 01

Já faz um tempo que eu buscava um corretivo novo, pois a marca do que eu usava anteriormente deixou de existir.

Eu tenho uma pele normal (que  é quase seca), mas fujo dos corretivos líquidos pois moro em Belém do Pará e aqui é muito quente, o que faz com que a transpiração ocorra de maneira muito mais intensa. Diante disso, procuro produtos mais consistentes e menos líquidos que possam garantir uma maquiagem decente, sem que escorra ou manche.

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A Vult é uma marca que já experimentei outros produtos e sei que muitos são só elogios à ela. Por isso decidi aproveitar e testar o corretivo em formato de bastão dela.

O formato lembra um batom e isso ajuda muito na hora de passar no rosto, depois é só espalhar com os dedos mesmo. A embalagem é muito frágil, muito mesmo e qualquer coisa a destrói. Claro que dá pra fazer melhor, mas se você parar pra pensar, esse é um produto pelo qual paguei R$13,00  e já vi vender por R$7,00. É muito barato, não dá pra cobrar algo incrível por esse preço.

Comprei a Cor 01, pois era a melhor para a minha pele. Não tenho muitas manchas ou espinhas no rosto, mas tenho olheiras bem roxas. A Cor 01 é a mais clarinha da linha e tem um fundo amarelado, que neutraliza o roxo das olheiras. O corretivo cobre de maneira satisfatória e dura umas 5 horas tranquilamente. Além disso, não acumula nas linhas do rosto.

O resultado é uma pele bem natural. É uma cobertura para a rotina.

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Não achei o cheiro ruim, ele me lembrou o de alguns batons de antigamente. Foi meio nostálgico, então gostei.

Tenho usado ele direto e pretendo voltar a comprar, pois possui um excelente custo X benefício.

Recomendo!

Talvez a Geração Mimimi seja a mais corajosa que já existiu

Nossa que polêmico esse titulo, né? Acho que ele cumpriu a função de te chamar a atenção para uma reflexão.

Então, vamos lá!

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Protesto Belém Livre, 2013. Foto: Debb Cabral

A Geração Z, também chamada de Geração Mimimi, é acusada de tudo o que não é bom, como ser chata, reclamona, preguiçosa e por ai vai. Tem a sua moral jogada para baixo porque não viveu nenhuma grande guerra e porque seus membros nasceram com tudo nas suas mãos ao poder de um clique. Porém, isso não significa que o mundo está perfeito e que ela não pode ter um senso questionador, não é mesmo?

Quando falo da Geração Mimimi, falo dessa nossa geração contemporânea e, claro, não de filhinhos de papai que dirigem carros antes dos 18 anos para saírem bêbados e atropelarem inocentes pela noite adentro. Falo da geração com mais acesso ao conhecimento que já existiu, da com mais jovens na universidade, da que milita por todas as causas que considera justa.

Por falar em militância isso também é tido como um adjetivo negativo para os que se referem à essa geração. Pedem para que ela saia da internet e vá  para as ruas protestar, mas quando isso acontece, quando prédios públicos são ocupados pedindo uma CPI da Merenda ou a volta do Ministério da Cultura, essa geração é vista como um bando de arruaceiros. Isso não faz sentido.

A Geração Mimimi é aquela que se preocupa com o direito das mulheres, do movimento LGBT, dos negros, é a que se preocupa com a igualdade. É marginalizada por colocar o crescimento social na frente do crescimento econômico.

“Todo ato neste planeta é um ato politico”

Essa frase da Senadora Finch no filme Batman Vs Superman – A Origem da Justiça ficou na minha cabeça. Ela me lembrou de que você não precisa estar ligado à nenhum partido politico para que suas escolhas signifiquem que há a necessidade de uma mudança.

Foto: Debb Cabral

Protesto Belém Livre, 2013. Foto: Debb Cabral

Nunca satisfeitos e sempre conectados

Vendo como o outro vive e não se contentando com a rotina do escritório e de bater ponto. A geração do horário flexível, dos freelancers, do financiamento coletivo e dos que apostam em seus próprios sonhos. É a geração que se arrisca mesmo tendo recebido tudo na mão, isso é ser corajoso, sair da zona de conforto e fazer parte da inquietação coletiva.

“Emitir juízo de valor exige coragem”

Essa foi outra frase que ficou na minha cabeça. Ela foi dita pela arquiteta Jussara Derenji, numa palestra sobre patrimônio histórico, mas cabe em tanta coisa…

Há a necessidade de contemplar, mas também a necessidade de criar e a arte está muito próxima desse objetivo. Usar o poder de fala de cada um, não acreditar no que a mídia tradicional diz e buscar novas formas de se informar.

Isso não quer dizer que a Geração Mimimi não é falha, claro que ela é. Séculos de preconceitos ainda estão arraigados em sua criação. Há desconfiança, a sensação de impotência e a negação.

Não é fácil fugir, mas também não é tão mais fácil os manter acorrentados

O jovem é visto como inferior, sem conhecimento e sem senso critico. Como se ele precisasse sempre que os outros escolhessem por ele. Não é bem assim. A geração conectada tem suas escolhas na palma da mão e escolhe pensar mais em si e nos outros. O que pesa contra ela é fato dela estar inserida em um contexto que não a compreende, que a obriga a trabalhar para casar, para ter filhos, dois carros na garagem e realizar todos os sonhos de seus pais.

É uma geração que escolheu não casar, viajar mais, experimentar o outro sexo, não ter filhos ou  adotar os filhos que outros abandonaram. Uma geração que quer viver as possibilidades infinitas que o mundo proporciona.

O novo causa estranhamento, mas não significa que ele esteja errado.