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O Gato leu: O Mito da Beleza – GatoQueFlutua

O Gato leu: O Mito da Beleza

OBSERVAÇÃO: Recentemente a autora Naomi Wolf foi banida do Twitter por seu comportamento anti-vacina. Após este fato, vieram à luz muitos artigos sobre a obra dela que pontuam, de maneira correta, a imprecisao nos seus dados.

Como leitora, mulher e feminista fiquei chocada, por isso achei necessário fazer esta observação que antecede o post.

Abaixo está o post como o escrevi e com os sentimentos que o livro me despertou. Entendo que Naomi abordou muitos temas transversais ao feminismo, daí a sua aceitação na comunidade. Mas hoje, quando observo atentamente, consigo enxergar a incoerência da sua fala e, com isso, o seu desacordo com a luta.

O Mito da Beleza – Naomi Wolf
Editora: Rosa dos Tempos
Ano: 2018
Páginas: 490
Compre: Amazon

“O homem é livre para fazer o que quer. Só não é livre para querer o que quer”, a frase de Arthur Schopenhauer fala sobre o indivíduo e as suas vontades. Este é um trecho do livro O Mundo como Vontade e Representação, de 1819. O livro de Naomi Wolf é original de 1991 e de lá para cá algumas coisas mudaram.

Foto: Debb Cabral/GatoQueFlutua

Não dá para deixar de analisar a sociedade atual sem considerar o peso que o capitalismo tem em nossas vidas. “Querer o que queremos” vem muito da lógica de consumo que nos é ensinada como a correta.

O texto de Naomi fala muito do impacto que as revistas nas mulheres dizendo como falarem, se vestirem, se maquiarem e como uma mulher deve ser. As revistas de papel como conhecíamos não existem mais. Não com essa força, pelo menos. Mas toda a doutrina delas está presente na palma das nossas mãos. Seguimos atrizes e modelos no Instagram. Duas semanas depois de dar à luz elas estão mais magras que antes. Isso não é real. É uma verdade fabricada. Ainda bem que pequenas mudanças ocorrem e que mulheres com influência, como a cantora Katy Perry, mostram os desafios físicos deste período.

A Rainha do Lar, antes o modelo a ser seguido, deu lugar à mulher profissional. Mas não pensem que isso significou a nossa real emancipação. Como dominar mulheres que não estão mais em casa em frente à TV? Como fazer com que mulheres que têm seu próprio dinheiro se sintam incompletas? Lhes dizendo que são feias!

Quanto mais fortes as mulheres se tornassem em termos políticos, maior seria o peso ideal da beleza sobre os seus ombros, principalmente para desviar sua energia e solapar seu desenvolvimento. Pág. 16

Aprendemos desde pequenas que é preciso ser bonita para ser amada; que ser inteligente é bom, mas que sendo feia, ninguém olhará para você; que estamos sempre em desvantagem e longe do ideal. As opressões não deixam de existir, elas mudam. A ideologia da beleza é uma forma de controle social das mulheres.

Quanto mais numerosos foram os obstáculos legais e materiais vencidos pelas mulheres, mais rígidas, pesadas e cruéis foram as imagens da beleza feminina a nós impostas. Pág. 25

As mulheres estão cansadas. As jornadas só se acumulam. Trabalho, casa, filhos, relacionamento. A mulher tem que ser super, tem que dar conta de tudo, ser uma excelente profissional (mas sem se destacar muito), cuidar bem da casa, zelar pelos filhos e manter a chama da paixão acesa. Tudo isso sem descer do salto, com as unhas feitas e o cabelo escovado.

Mas ok, eu posso renunciar a tudo isso. Não preciso do “pacote padrão da vida feliz e completa”, posso ser só eu e a minha independência. Posso sim e cada vez mais mulheres estão escolhendo isso! Mas, por mais que neguemos todo o resto, a ideologia da beleza permanece. Tudo isso porque mulheres são consumidoras e quanto mais inseguras, mais compram.

De alguma forma, alguém em algum lugar deve ter imaginado que elas comprarão mais se forem mantidas em um estado de ódio a si mesmas, de fracasso constante, de fome e insegurança sexual e que vivem como aspirantes à beleza. Pág. 103

Naomi Wolf aborda isso em seu livro. Dividindo por capítulos sobre o trabalho, a cultura, a religião, o sexo, a fome e a violência, ela mostra a transversalidade do tema. Não tem como não fazer relação com leituras como Calibã e a Bruxa, no qual Silvia Federici fala sobre domesticidade e as obrigações que são impostas às mulheres, como o trabalho doméstico. As leituras se complementam bastante.

A ideologia da beleza é usada para frear as mulheres, para reforçar a ideia de que não são dignas, de que não são suficientes do jeito que são.

O anseio feminino pela ‘perfeição’ é acionado pela crença disseminada de que seu corpo é inferior ao do homem, matéria de segunda classe que envelhece mais rápido. Pág. 140

Eu poderia falar mais e mais sobre o tema, uma vez que ele é inesgotável. Creio que este post se perdeu do formato de resenha, mas precisava falar o que escrevi. Acho importante ressaltar o quanto a busca pela beleza nos cega. Ficamos mais tolerantes a dor porque “a beleza dói”, encaramos procedimentos desnecessários, horas de exercícios, dietas altamente restritivas e nos entorpecemos. Não conseguimos lutar, não conseguimos falar, não temos mais forças para isso.

Uma fixação cultural na magreza feminina não é uma obsessão com a beleza feminina, mas uma obsessão com a obediência feminina. Pág. 272

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