Talvez a Geração Mimimi seja a mais corajosa que já existiu

Nossa que polêmico esse titulo, né? Acho que ele cumpriu a função de te chamar a atenção para uma reflexão.

Então, vamos lá!

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Protesto Belém Livre, 2013. Foto: Debb Cabral

A Geração Z, também chamada de Geração Mimimi, é acusada de tudo o que não é bom, como ser chata, reclamona, preguiçosa e por ai vai. Tem a sua moral jogada para baixo porque não viveu nenhuma grande guerra e porque seus membros nasceram com tudo nas suas mãos ao poder de um clique. Porém, isso não significa que o mundo está perfeito e que ela não pode ter um senso questionador, não é mesmo?

Quando falo da Geração Mimimi, falo dessa nossa geração contemporânea e, claro, não de filhinhos de papai que dirigem carros antes dos 18 anos para saírem bêbados e atropelarem inocentes pela noite adentro. Falo da geração com mais acesso ao conhecimento que já existiu, da com mais jovens na universidade, da que milita por todas as causas que considera justa.

Por falar em militância isso também é tido como um adjetivo negativo para os que se referem à essa geração. Pedem para que ela saia da internet e vá  para as ruas protestar, mas quando isso acontece, quando prédios públicos são ocupados pedindo uma CPI da Merenda ou a volta do Ministério da Cultura, essa geração é vista como um bando de arruaceiros. Isso não faz sentido.

A Geração Mimimi é aquela que se preocupa com o direito das mulheres, do movimento LGBT, dos negros, é a que se preocupa com a igualdade. É marginalizada por colocar o crescimento social na frente do crescimento econômico.

“Todo ato neste planeta é um ato politico”

Essa frase da Senadora Finch no filme Batman Vs Superman – A Origem da Justiça ficou na minha cabeça. Ela me lembrou de que você não precisa estar ligado à nenhum partido politico para que suas escolhas signifiquem que há a necessidade de uma mudança.

Foto: Debb Cabral
Protesto Belém Livre, 2013. Foto: Debb Cabral

Nunca satisfeitos e sempre conectados

Vendo como o outro vive e não se contentando com a rotina do escritório e de bater ponto. A geração do horário flexível, dos freelancers, do financiamento coletivo e dos que apostam em seus próprios sonhos. É a geração que se arrisca mesmo tendo recebido tudo na mão, isso é ser corajoso, sair da zona de conforto e fazer parte da inquietação coletiva.

“Emitir juízo de valor exige coragem”

Essa foi outra frase que ficou na minha cabeça. Ela foi dita pela arquiteta Jussara Derenji, numa palestra sobre patrimônio histórico, mas cabe em tanta coisa…

Há a necessidade de contemplar, mas também a necessidade de criar e a arte está muito próxima desse objetivo. Usar o poder de fala de cada um, não acreditar no que a mídia tradicional diz e buscar novas formas de se informar.

Isso não quer dizer que a Geração Mimimi não é falha, claro que ela é. Séculos de preconceitos ainda estão arraigados em sua criação. Há desconfiança, a sensação de impotência e a negação.

Não é fácil fugir, mas também não é tão mais fácil os manter acorrentados

O jovem é visto como inferior, sem conhecimento e sem senso critico. Como se ele precisasse sempre que os outros escolhessem por ele. Não é bem assim. A geração conectada tem suas escolhas na palma da mão e escolhe pensar mais em si e nos outros. O que pesa contra ela é fato dela estar inserida em um contexto que não a compreende, que a obriga a trabalhar para casar, para ter filhos, dois carros na garagem e realizar todos os sonhos de seus pais.

É uma geração que escolheu não casar, viajar mais, experimentar o outro sexo, não ter filhos ou  adotar os filhos que outros abandonaram. Uma geração que quer viver as possibilidades infinitas que o mundo proporciona.

O novo causa estranhamento, mas não significa que ele esteja errado.