O Gato viu: Tempos Modernos

Por: Dalissa Cabral

Tempos Modernos se passa no começo do século de XX e nos apresenta uma sociedade industrial, na qual o protagonista, interpretado por Charles Chaplin, é a personificação das críticas à produção industrial da época.

O trabalho em modelo linha de montagem não exigia qualificação profissional do trabalhador, mas contava com uma rotina frenética e repetitiva, que, por consequência, geravam distúrbios psicológicos ao operário.

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Tendo como cenário o fim da segunda Revolução Industrial, Tempos Modernos mostra importantes momentos históricos, como as greves dos trabalhadores industriais e a demissão em massa dos mesmos, o personagem de Chaplin vivencia esses dois momentos – mesmo que não propositalmente.

A personagem da atriz Paulette Goddard ilustra bem o lado contrário de toda a riqueza e desenvolvimento monetário, pois seu papel é de uma filha de pai desempregado e que o perde em uma espécie de reunião grevista. A jovem torna-se, então, moradora de rua. Histórias assim, não estão presentes somente na sociedade daquela época, mas, também na contemporaneidade, devido ao sistema capitalista que cria e fomenta essas situações.

Com o título, Chaplin sugere uma crítica à esse grande desenvolvimento tecnológico em contraste com velhos problemas sociais, como o desemprego, a desvalorização do trabalho e a desigualdade social.

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Em um determinado momento do filme o personagem desse tenta voltar a prisão pois é lá ele acha que deve se “encaixar”, não por acreditar ser um criminoso, mas porque a sociedade em que vive é conturbada demais para ele, frenética demais para alguém se diverte simplesmente em sonhar.

Esse desajuste do personagem fica evidente nas cenas na fábrica, o “desencaixado” sofre para lidar com os colegas de trabalho que não entende os surtos que acometem o protagonista ao se submeter ao desenfreado jeito de trabalhar da indústria. Essa padronização de comportamento é outra crítica do filme à essa sociedade, que pré-determina gostos e maneiras de se portar.

O sociólogo Zygmunt Bauman diz que vivemos em uma “modernidade liquida” na qual os produtos que determinam nossas vontades. Bauman também diz que esses produtos são programados para terem sua validade, para assim o consumidor ser obrigado a comprar a todo momento.

Tanto Zygmunt quanto Chaplin mostram que a modernidade não é tão moderna assim, ela problemas tão antigos quanto o próprio homem, e que agora alcançou a contemporaneidade com exatamente os mesmos problemas. Certamente por isso tais obras, mesmo feitas em anos passados, sejam tão atuais.

O Gato viu: Capitães da Areia

Eu amo tanto esse filme. Já perdi a conta de quantas vezes eu assisti e por isso mesmo que achei que tinha que indicá-lo no blog. <3

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Capitães da Areia é  baseado no livro homônimo de Jorge Amado. Dirigido por sua neta, Cecília Amado, tem como tema principal a vida de meninos de rua que viviam em um trapiche e praticavam assaltos na cidade de Salvador. Ele foi lançado em 2011, nas comemorações do centenário do autor.

Na trama, Pedro Bala (Jean Luís Amorim), Professor (Robério Lima), Gato (Paulo Abade), Sem Pernas (Israel Gouvêa) e Boa Vida (Jordan Mateus) são adolescentes abandonados por suas famílias. Como uma comunidade, eles vivem com outros garotos abandonados no Trapiche e crescem pelas ruas de Salvador. Para viver, eles praticam uma série de assaltos, o que os torna conhecidos da polícia.

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Um dia Professor conhece Dora (Ana Graciela) e seu irmão Zé Fuinha (Felipe Duarte), que também estão vivendo nas ruas. Ele os leva até o Trapiche, porém, uma garota é algo que os meninos não estão acostumados a ter como presença. Pedro Bala consegue acalmar a situação e permite que Dora e o irmão fiquem por algum tempo. Só que, aos poucos, nasce o afeto entre o líder dos Capitães da Areia e a jovem.

Preciso falar que tenho um crush muito forte pelo Pedro Bala. Sou completamente apaixonada por ele. <3

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Esse filme, a meu ver, não foi feito para a critica internacional (apesar de ser uma das nossas obras mais belas), mas sim para nós mesmo, brasileiros. É nossa realidade nua e crua. Jorge Amado escreveu Capitães da Areia em 1937, mas em tempos de redução da maioridade penal e aumento da criminalidade, ele nunca esteve tão atual.

A violência entre os jovens é somente a ponta de um iceberg gigantesco que é a questão social brasileira. Capitães da Areia (o filme e o livro!) é uma autocrítica necessaria.

 Leiam o livro também!

O Gato viu: A Fotografia Oculta de Vivian Maier

Que documentário incrível!

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Não falo isso como alguém que ama e produz fotografia, mas como alguém que mergulhou durante quase uma hora e meia na vida e obra dessa mulher misteriosa e ainda está profundamente abalada.

Vivian Maier foi uma fotógrafa que passou a maior parte da sua vida trabalhando como babá em Chicago. Ela não tinha família, marido ou filhos e sua origem era desconhecida. Durante a segunda metade do século vinte, Vivian registrou mais de 150 mil imagens (em negativo!) da vida urbana nos Estados Unidos.

Ela tinha um olhar muito atento que ia do belo ao grotesco, do alegre ao triste. Suas fotografias atemporais permaneceram escondidas de todos, bem como a história da mulher por trás da máquina fotográfica. Após sua morte um jovem pesquisador compra uma caixa sua em um leilão e encontra nela um tesouro. Ao se deparar com aquelas imagens, ele fica inquieto e embarca em uma jornada em rumo a vida de Vivian Maier.

Dirigido por John Maloof e Charlie Siskel. A Fotografia Oculta de Vivian Maier foi indicado ao Oscar 2015 de melhor documentário e provoca um misto de sentimentos ao longo da exibição. Nos mantemos atentos, pois é impossível desviar a atenção dessa história.

Não deixem de ver!

O Gato viu: Malévola

Está ai um filme que eu me arrependo de não ter ido ver no cinema.

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Malévola apresenta o conto de fadas da Bela Adormecida de uma forma diferente, a partir da vivência da antagonista. Mostra a origem de uma das vilãs mais icônicas da animação.

O live-action do clássico da Disney narra a vida de Malévola (Angelina Jolie), protetora do reino mágico dos Moors. Quando jovem, ela se apaixona pelo humano Stefan (Sharlto Copley). O romance nasce, porém, Stefan, um garoto de origem humilde, tem a ambição de se tornar rei.

Malévola está no meio de seus planos. Ele a abandona e engana Malévola para conseguir o que deseja. A fada boa se torna amarga e vingativa que chega ao ponto de amaldiçoar Aurora (Elle Fanning), filha recém-nascida de Stefan.

Malévola acompanha o crescimento da menina, com Diaval (Sam Riley), seu corvo comparsa. A convivência com a jovem princesa gera sentimentos confusos na então vilã.

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Malévola mostra como as nossas experiências nos transformam, seja para o bem ou para o mal. Há também o medo do diferente, pois parece que é muito mais fácil elimina-lo do que unir forças e viver em paz.

O filme é bonito, com uma trilha maravilhosa e não é cansativo. As atuações estão impecáveis o que nos dá um turbilhão de sentimentos ao longo da exibição.

Eu, que tenho dificuldade de aceitar as certas coisas dos contos de fadas, me apaixonei e chego a preferi-lo do que à animação original. É uma história moderna, com uma mensagem que cabe muito mais na nossa realidade.

Vale muuuito a pena conferir!

O Gato viu: As Vantagens de Ser Invisível

Já fazia muuuito tempo que eu queria ver esse filme, mas nunca tinha oportunidade. Finalmente eu assisti As Vantagens de Ser Invisível!

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O filme conta a história de Charlie (Logan Lerman), um garoto de 15 anos que entra num colégio enquanto se recupera de uma depressão profunda, que lhe rendeu tendências suicidas; e da perda de seu único amigo. A vida escolar não é fácil para uma pessoa com problemas simples, imagine para Charlie, que ainda tem, em seu coração, feridas não cicatrizadas. Ele guarda todos os seus sentimentos para si e às vezes escreve para o seu falecido amigo como está sendo a sua vida.

No colégio, o jovem está se forçando em uma jornada de socialização. Ele conhece dois veteranos, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), que o acolhem em seu mundinho à parte dos populares da escola.

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O filme é sincero e mostra como as pessoas afetam a vida das outras, seja para o bem ou para o mal. Nossas experiencias nos marcam e, às vezes, é difícil se recuperar e crescer, tendo que lidar com eternas lembranças.

As Vantagens de Ser Invisível é engraçado e triste, como a vida com seus altos e baixos. Muitas vezes é duro e nos deixa com o coração apertado e, em outras, nos deixa eufóricos.

Não pensem que esse é um filme adolescente, pois não é. É um filme com um trio de protagonistas adolescentes que vivem experiências que os amadurecem. As Vantagens de Ser Invisível é inteligente e delicado.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de Stephen Chbosky.

Já estou louca para ler a obra original. Assim que ler posto a resenha para vocês! 🙂