O Gato leu: Desaparecido para sempre

Desaparecido para sempre – Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano: 2010
Páginas: 320
Compre: Amazon

Harlan Coben é, talvez, o autor atual mais famoso do gênero thriller. Fazia muito tempo que eu desejava conhecer a sua escrita e agora com o Desafio Doze Meses Literários de novembro, que trouxe o suspense como tema, eu pude pegar um livro dele para ler.

No início fiquei um pouco confusa com a história, mas isso passa logo. Terminei impressionada com a trama criada por ele. O meu grande problema foi que não consegui me envolver com o protagonista. Sua autopiedade é gigantesca e a expectativa que ele coloca em cima das pessoas não fica atrás. O achei ingênuo. Para alguém que já havia passado por uma situação crítica na vida, ele deveria ser mais cético.

Na trama, no leito de morte, a mãe de Will Klein lhe faz uma revelação: seu irmão mais velho, Ken, está vivo. Ken desapareceu há 11 anos, acusado do estupro e assassinato de sua vizinha Julie Miller. A polícia o considera um fugitivo, mas a família sempre acreditou em sua inocência.

Mais uma traição em uma década cheia delas. (Pág. 08)

Ainda aturdido por essa descoberta, Will se depara com outro mistério: Sheila, sua namorada, some de repente. Apesar de estarem juntos há quase um ano, ela nunca revelou muito sobre o seu passado. Enquanto isso, Philip McGuane e John Asselta, dois criminosos que foram amigos de infância de Ken, passam inexplicavelmente a rondar a sua vida.

Não havia como negar. Ele gostava de machucar as pessoas. Uma aura de destruição cercava cada um de seus passos. (Pág. 107)

Mentiras fazem parte da vida de Will e ele decide descobrir a verdade por trás desses mistérios. Desaparecido para sempre se torna então uma trama eletrizante e cheia das mais inimagináveis reviravoltas.

Will trabalha em uma fundação de assistência a jovens carentes, foi lá que ele conheceu Sheila. Seu melhor amigo, Squares, proprietário de uma escola de ioga famosa entre as celebridades, também é voluntário no local e ajudará Will em sua busca por respostas.

O grande diferencial do livro, para mim, foi olhar para as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Prostituição, tráfico de drogas e violência fazem parte da dura realidade das ruas e nas rondas por elas com os personagens pude ver mais sobre essas pessoas que diariamente escolhemos não enxergar.

O abrigo significava muito para mim. Para nós. E quando tínhamos duvidas quanto ao nosso sucesso, a respeito de quanto estávamos ajudando, sempre lembrávamos que fazíamos tudo por causa daqueles jovens. Eles não eram carinhosos. Não eram atraentes, eram pessoas difíceis de se amar. A maioria deles levaria uma vida terrível e acabaria nas ruas, na cadeia ou morta. Mas isso não era motivo para desistirmos. Pelo contrário; na verdade, significava que deveríamos amá-los ainda mais. Incondicionalmente. Sem hesitar. (Pág. 126)

São tantos personagens neste livro e em determinados momentos as histórias deles se cruzam de maneira impressionante. São várias viradas e em certas horas eu me sentia tão perdida quanto o protagonista. O final é inesperado. Harlan Coben não economizou na hora de surpreender o seu leitor.

Buscamos o assassino, a vitima e a verdade em uma trama na qual literalmente somos abalados até a ultima página.

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O Gato leu: Mr. Mercedes

Mr. Mercedes – Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2016
Páginas: 400
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Tenho muito que agradecer a Zona Morta por me tirar da desilusão de ler Stephen King provocada por O Iluminado. Me apaixonei pela escrita do autor, pretendo ler o máximo possível das suas produções e, quem sabe, dar uma segunda chance ao livro que não me cativou.

Mr. Mercedes era o livro que eu queria ler logo que soube do seu lançamento, pois King estava se aventurando na literatura policial em uma trilogia de livros que funcionam individual e coletivamente.

A história começa quando centenas de pessoas desempregadas madrugam na fila para conseguir vaga em uma feira de empregos. A esperança de uma oportunidade e de um futuro melhor passa longe do que lhes é reservado. Sem qualquer aviso, um motorista solitário irrompe no meio da multidão em um Mercedes roubado, atropelando os inocentes. Poderia até parecer um acidente, talvez obra de algum bêbado, mas isso não está na mente do piloto que dá a ré e volta a atropelá-los de propósito. O motorista foge deixando para trás oito pessoas mortas e quinze feridos.

O “Assassino do Mercedes”, como é chamado, assombra o policial aposentado Bill Hodges. Foi um caso deixado sem solução. Tudo muda quando ele recebe uma carta enlouquecida do criminoso. O Mr. Mercedes planeja matar mais e espreita o detetive sem levantar suspeitas. Hodges acorda de sua deprimente e vaga aposentadoria, empenhado em evitar outra tragédia.

O Mr. Mercedes quer que ele cometa suicídio. Hodges se pergunta o que o homem acharia se descobrisse que acabou dando a esse ex-Cavaleiros do Distintivo e das Armas em particular um motivo para viver. Ao menos por um tempo. (Pág. 35)

Mas King não nos deixa às escuras para saber quem é o assassino. Ele nos apresenta de imediato Brady Hartfield, que vive com sua mãe alcoólatra. Brady adorou a sensação de morte sob as rodas da Mercedes e quer sentir aquilo novamente.

Para encontrar o criminoso Hodges terá o apoio de aliados altamente improváveis que irão correr contra o tempo, porque na próxima missão de Brady, se for bem sucedido, vai matar ou mutilar milhares.

Ele pode ser culpado por atacar o mundo que o fez ser como é?

Brady acha que não. (Pág. 292)

Eu devorei este livro, fiquei viciada na leitura e só pensava em como essa história iria se desenrolar. King tem o poder de criar personagens tão criveis e humanos quanto nós. Ele nos faz torcer por eles como torcemos para que as coisas melhorem para nós também. Tudo isso para nos roubar esses personagens, deixando-nos desolados diante da vida e da crueldade humana.

O primeiro capítulo me deixou com um aperto no peito, uma vontade de chorar e a incerteza se a leitura iria continuar. Tudo isso em uma parte da história que tem seu desfecho já informado na sinopse do livro.

King faz referências a outras obras suas dentro da trama. Notar essas referências mostra o quanto que elas já foram incorporadas a nossa memória cultural.

Agora é seguir em frente e ler os próximos livros desta trilogia alucinante!

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O Gato leu: Inferno

Inferno – Dan Brown
Editora: Arqueiro
Ano: 2013
Páginas: 448
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Quando eu soube que teríamos mais uma adaptação para o cinema de um livro do Dan Brown fiquei entusiasmada, pois adoro as aventuras do Robert Langdon.

O escritor mega-seller tem uma boa narrativa e, pra mim, sua grande contribuição é falar sobre cultura e arte para o grande público. Seus personagens tem as tramas desenvolvidas entre museus e ruas históricas, misturando ciência, cultura, religião, arte e tecnologia. Isso acaba instigando o leitor a procurar mais sobre esses assuntos, o que é maravilhoso.

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No thriller, Dan Brown faz uma mudança na forma como narra as histórias do professor Langdon. Não somos chamados para a ação, simplesmente acordamos no meio dela!

Robert Langdon, o professor de Simbologia de Harvard, acorda no meio da noite em Florença, no coração da Itália. Ele não sabe como chegou lá e muito menos porque está com um ferimento de bala na cabeça. Não se lembra de ter sequer deixado os Estados Unidos e não tem recordação alguma das ultimas 36 horas.

Mas chega um momento na história em que o pecado da ignorância não pode ser mais perdoado… um momento em que só o conhecimento tem o poder da absolvição. (Pág. 46)

Porém, ele ainda corre perigo e dentro do hospital sofre um novo atentado contra a sua vida. Com a ajuda da jovem médica Sienna Brooks ele consegue fugir, mas é arrastado para um mistério ainda maior.

Dentro do seu paletó há um objeto macabro com uma série de enigmas angustiantes ligados à uma das maiores obras literárias da história: O Inferno, de Dante Alighieri. Enquanto tenta resolver o enigma, que leva à algo que põe em risco o futuro da humanidade como conhecemos hoje, Langdon ainda tem que buscar suas próprias respostas.

Para um homem acostumado a se lembrar dos mínimos detalhes de tudo o que via, agir sem memória era como tentar aterrissar um avião no escuro sem radar. (Pág. 81)

Neste livro eu senti o perigo muito mais iminente, não sei se foi porque já entramos no meio da ação ou porque a humanidade já passou por essa “provação” antes, o que dizimou grande parte da população, principalmente europeia.

O livro pode ficar confuso no inicio, pois assim como nós, Robert também está perdido na história. Ele não sabe nem onde está, que dirá para onde ir! Porém, depois que a trama é finalmente revelada fica viciante.

A humanidade, quando não controlada, funciona como um câncer. (Pág. 142)

Tem muita ação e perseguição, além de uma mistura entre medicina e arte que nos faz pensar sobre o futuro da humanidade. Temas como saúde, natalidade, consumo desenfreado, extinção de espécies e escassez de recursos estão presentes na trama.

Recomendo!

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