O Gato leu: O Corvo do Inverno

O Corvo do Inverno – Lenmarck Andrade
Editora: Independente
Ano: 2017
Páginas: 20
Compre: Amazon

Em 2017 eu tive a oportunidade de receber das mãos do autor Lenmarck Andrade o seu conto de terror O Corvo do Inverno. Belém tem uma cena literária contemporânea de qualidade (já falei aqui do autor Andrei Simões) e alguns de seus escritores tem trabalhando em conjunto para fortalecer o cenário e ganhar mais visibilidade.

Em O Corvo do Inverno tudo começa com a alvorada dos corvos. Um garoto desaparece. Aves rasgam os céus e trazem a morte junto com o inverno. Um grupo de crianças corre risco. Alguém (ou algo) bate à porta.

Todas as criaturas morrem, Tony, meu garoto. (Pág. 05)

A escrita de Lenmarck é direta e sem rodeios. Quis acreditar, ter esperanças, mas não há espaço para isso. A morte vem dos céus.

Não tem como não nos lembrarmos do filme Os Pássaros, de Alfred Hitchcock e do poema O Corvo, de Edgar Allan Poe, mas o autor paraense exprime sua identidade com uma narrativa muito visual e colocando crianças no centro da trama, deixando tudo ainda mais dramático.

Um par de tênis familiar que adornava pernas dilaceradas que se estiravam para fora de uma moita. Pernas de uma criança. (Pág. 17)

São poucas e fortes páginas que nos mostram que todo ato tem o seu retorno. O desejo de sobrevivência é constante, mas será ele merecido?
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Somos escravos de nossos instintos. As aves carniceiras se alimentam dos restos deixados pelo rastro dos humanos. (Pág. 18)

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O Gato leu: O Exorcista

O Exorcista – William Peter Blatty
Editora: Agir
Ano: 2013
Páginas: 336
Compre: Amazon

O Exorcista, é um daqueles filmes que marcaram a minha infância e por isso escolhi a obra original para ler no tema de terror (outubro) do Desafio Doze Meses Literários. Lembro que a primeira vez que vi o longa foi exatamente a meia-noite. Todas as crianças da rua fizeram uma coleta para alugar a fita cassete (!!!), comprar pipoca e refrigerante. Dá para imaginar a gritaria e o terror da criançada?

Com mais idade segui revendo a história e me impressionando com cada detalhe que havia deixado passar antes. Assisti documentários e entrevistas sobre as filmagens e os atores. Até hoje, com todos os efeitos disponíveis, O Exorcista ainda consegue se manter impactante.

Resenha do livro O Exorcista, publicada no blog Gato que Flutua, por Debb Cabral

Inspirado por uma matéria de jornal sobre o exorcismo de um garoto de 14 anos, o escritor William Peter Blatty publicou, em 1971, a perturbadora história de Chris MacNeil, uma atriz e mãe que está filmando em Georgetown e sofre com as inesperadas mudanças de comportamento de sua filha de 11 anos, Regan.

Chris tem recursos e ama a filha mais do que tudo. Ela consulta diversos especialistas para descobrir o que há de errado com sua criança. Uma nova personalidade demoníaca parece vir à tona, se apossando de Regan e a deixando irreconhecível. Chris busca a ajuda da Igreja no que parece ser um raro caso de possessão demoníaca. Caberá a Damien Karras, um padre da universidade de Georgetown, tentar salvar a alma de Regan, enquanto tenta restabelecer sua própria fé, abalada desde a morte de sua mãe.

No quarto andar, procurou a chave no bolso e a enfiou na fechadura: 4C, o apartamento de sua mãe. Abriu a porta como se fosse uma ferida ainda não cicatrizada. (Pág. 56)

Blatty nos traz o demônio no corpo de uma criança, provocando em nós um misto de sentimentos como pena, raiva, medo, nojo e impotência.

Quando peguei o livro para ler, fiquei impressionada com a fidelidade, mas nem devia, afinal foi o próprio Peter que adaptou o roteiro para o cinema. Achei as primeiras cinqüenta paginas cansativas, pois elas são mais focadas na mãe e no seu trabalho como atriz. Os pensamentos de Chris no inicio do livro são bem óbvios e, muitas vezes, poderiam até ter sido suprimidos, pois acabaram deixando a personagem meio boba.

Ah, eu sei que você não acredita no mundo dos espíritos, Chris. Mas eu acredito. (Pág. 82)

O diretor de cinema Burke Dennings que já é insuportável e desprezível no filme tem mais espaço na obra original e isso me deixou um pouco desanimada. O inicio do livro tem muitos diálogos de Chris com ele, fora que suas atitudes repulsivas me fizeram lembrar as atuais denuncias de assedio em Hollywood, o que mostra que a realidade está até pior que a ficção.

A história começa a ganhar força quando entra em cena o Padre Karras, personagem mais complexo e interessante. Passado o início cansativo, o livro vai se tornando hipnotizante. Demônios, psicologia, amor, perda da fé e solidão são alguns dos temas de destaque durante a trama. Vemos a evolução da possessão de Regan e como isso afeta todos a sua volta. Ninguém é uma ilha, o sofrimento é algo compartilhado.

Retraindo-se, Karras olhou para ela, a cabeça baixa e e indefesa. Desejou poder segurar a sua mão e dizer que tudo ficaria bem. Mas não podia. Não acreditava que as coisas ficariam bem. (Pág. 238)

Saber a história de vida do Padre Karras, algo que vemos pouco no filme, foi uma das melhores novidades para mim. Seus traumas, dores, perdas e ambições o levaram exatamente aonde ele se encontra. Quando conhecemos isso é muito mais fácil enxergar a situação pela sua perspectiva.

Vale muito a pena conferir!

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Desafio Doze Meses Literários

Eu fiz a minha retrospectiva literária de 2016 e fiquei muito feliz com o resultado. Li mais de 40 livros e cumpri minhas metas. Queria aumentar o número de leituras neste ano, mas vou trabalhar demais e por isso decidi que vou me desafiar de um jeito diferente.

Criei o Desafio Doze Meses Literários com o objetivo de ler de tudo um pouco, mas também  de ler sem aflição. É um desafio por mês. Tem um bom tempo de respiro entre cada leitura, porque a vida complica às vezes e nem sempre dá para seguir o ritmo frenético de uma maratona literária.

Quem quiser participar, pode ficar a vontade, apenas fiquem atentos às regras:

  • Escolher um livro que se enquadre em cada categoria;
  • Formato livre (livro físico, e-book, quadrinho, mangá, etc);
  • Se quiser divulgar, dê os créditos do blog. Use a hashtag #DesafioDozeMesesLiterarios.

Olhem a lista dos desafios:

✚ MINHAS LEITURAS

  1. Janeiro: Macunaíma, de Mário de Andrade
  2. Fevereiro: Maus – A História de um Sobrevivente: , de Art Spiegelman
  3. Março: Arte e Grande Público – A distância a ser extinta, de Maria Inês Hamann Peixoto
  4. Abril: Tubarão, de Peter Benchley
  5. Maio: Eu, Robô, de Isaac Asimov
  6. Junho: Ayrton Senna: A trajetória de um mito, de Lionel FroissartChristian Papazoglakis e Robert Paquet
  7. Julho: O Hobbit em quadrinhos, de J.R.R. Tolkien, Charles Dixon (adaptação) e David Wenzel (ilustrações)
  8. Agosto: O Mágico de Oz, de L. Frank Baum
  9. Setembro: Cenas da Vida Amazônica, de José Veríssimo
  10. Outubro: O Exorcista, de Willian Peter Blatty
  11. Novembro: Desaparecido para sempre, de Harlan Coben
  12. Dezembro: Novos Contos da Montanha, de Miguel Torga

No decorrer do ano vou atualizando este post aqui com as minhas escolhas literárias para cada mês. Todos os livros lidos serão resenhados, então fiquem sempre de olho no blog, ok?

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6 on 6 – Outubro 2016 – Especial Halloween

Como sempre o 6 on 6 sai aos poucos, mas sempre sai!

Desta vez eu não sabia muito bem o que mostrar,mas ai tive a ideia de usar esse espaço para recomendar livros de terror, horror, suspense e tudo mais que se possa relacionar com o Halloween. 

Eu adoro os gêneros que citei acima e os livros abaixo são bem trevosos.

6on6 - Outubro - 2016 - GatoQueFlutua - Foto - Debb Cabral 6on6 - Outubro - 2016 - GatoQueFlutua - Foto - Debb Cabral 6on6 - Outubro - 2016 - GatoQueFlutua - Foto - Debb Cabral 6on6 - Outubro - 2016 - GatoQueFlutua - Foto - Debb Cabral 6on6 - Outubro - 2016 - GatoQueFlutua - Foto - Debb Cabral 6on6 - Outubro - 2016 - GatoQueFlutua - Foto - Debb Cabral

01. Visagens e Assombrações de Belém – Walcyr Monteiro (Smith Editora): Clássico da literatura paraense, este livro é uma compilação de contos e histórias fantásticas que povoam o imaginário da cidade. Walcyr Monteiro é um militante na resistência para que a cultura popular não se perca. Como boa paraense que sou, não podia deixar de começar com essa indicação.

02. Psicose – Robert Bloch (DarkSide Books): O livro que inspirou o clássico filme de Alfred Hitchcock. Eu a versão cinematográfica, mas o livro consegue ser ainda melhor. O grande diferencial aqui é que estamos na cabeça perturbada do Norman Bates, nós pensamos como ele, isso é algo que o filme não nos dá.

03. O Quarto Vermelho – Nicci French (Editora Record): Se você curte tramas policiais, então esse é o livro! Nele acompanhamos a psiquiatra criminal Kit Quinn enquanto ela ajuda a policia em uma busca para encontrar um serial killer na cidade de Londres.

04. Luz, O deus do horror – Andrei Simões (Twee Editora): Claro que eu tenho que citar o grande nome do terror paraense, ainda mais que esta é a minha leitura atual. Nesse romance seriado, o Andrei consegue nos deixar angustiados e sem esperanças. Ele é o mesmo autor de Putrefação, livro com meu tipo preferido de final, aquele que é desolador.

05. Hellraiser – Renascido do Inferno – Clive Barker (DarkSide Books): Claro que vai ter mais de um livro da DarkSide por aqui, ela é o grande nome em edição de livros do gênero no Brasil. Fique surpreso de não ter só livros dela por aqui, rs. Hellraiser é um dos meus favoritos, adoro como o Clive consegue mostrar que prazer e dor são separados apenas por uma linha bem tênue. O Andrei, que citei acima, tem o autor como grande referência.

06. A Zona Morta – Stephen King (Ponto de Leitura): Pra encerrar, não pode faltar o mestre, Stephen King! Este livro está na minha meta literária deste mês para o projeto All About King. A Dalissa, que nunca havia lido nada do autor, se apaixonou pelo livro e disse que é uma boa indicação pra quem quer começar a ler os livros do rei do horror.

Espero que tenham gostado! 🙂

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Andrei Simões lança seu novo livro “Luz, O deus do Horror”

Eu estou muito feliz em compartilhar com vocês que, no dia 04 de outubro, às 18h, no Sesc Boulevard, em Belém, o escritor paraense de terror e horror Andrei Simões vai lançar o terceiro livro impresso da sua carreira!

Depois de ler Putrefação eu virei fã do autor e da sua escrita direta e impactante. Eu conheço o Andrei e ele é um cara com muito conhecimento e boas referencias, por isso estou muito curiosa para ler Luz, O deus do Horror, seu novo livro.

Andrei Simoes_blog_Foto_Debb_Cabral

Esse trabalho conta com ilustrações do paulista Eduardo Seiji e projeto gráfico e editorial de Flor di Maria Fontelles. A obra inaugura a linha de terror da Twee Editora. Incrível, não é mesmo?

Se liga na sinopse!

Luz, o deus do Horror

E se o regente deste mundo não se chamasse Amor?

            E se o medo fosse o alimento e instrumento de controle de um deus humano, demasiadamente humano?

            Obras de terror vão muito além do susto e do medo. Elas podem também servir para nos fazer pensar sobre a nossa realidade e a do mundo.

            Entrando em uma espiral descontrolada de seres que habitam os pesadelos mais assustadores da espécie humana, a boneca, o fantasma de uma criança, o monstro da estrada, o quadro mal-assombrado e outros arquétipos do gênero, as personagens deste livro se depararão com o mais puro horror e descobrirão verdades que poderão alterar o curso da própria vida humana.

            A cada capítulo, histórias de um terror absoluto serão contadas, através de gritos ecoantes em vários lugares do mundo, de uma capital na Amazônia brasileira a um esquecido vilarejo chinês; todas diretamente interligadas, em um romance seriado que se direciona a um clímax épico, surtado, filosófico e inesquecível.

            Afogando-se no próprio sangue, o ser humano conseguirá se libertar das correntes que ele mesmo criou para si?

            Na intensidade de um soco literário, Luz é um retrato atualíssimo sobre a ausência de crença em nossas existências, diante de um mundo de alienação social e religiosa que nos impõe nada além de medo e controle, o vigiar e punir de cada dia.

            Divertido. Apavorante. Reflexivo.

            Uma homenagem e ao mesmo tempo uma profunda e original subversão ao gênero.

            Permita-se. Abra este livro e entenda que só amamos a luz porque temos medo do escuro.

✚ Pra quem ficou curioso, dá pra ler o primeiro capítulo aqui, além de poder comprar o livro na pré-venda também e concorrer a uma edição especial com capa de couro e autografada!

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andrei-simoes-escritorAndrei Simões

Utilizando filosofia, ciência e ocultismo, navegando entre o realismo mágico e o horror, Andrei Simões procura instigar e provocar o leitor, com literatura minimalista, direta e profunda, utilizando de símbolos obscuros do inconsciente para trazer à tona difíceis, mas necessárias reflexões sobre a vida e a morte. O escritor nasceu em Belém do Pará, é biólogo e mestre em comportamento animal. Andrei tem outros dois livros publicados em papel, Zon, O Rei do Nada e Putrefação.

SERVIÇO

Lançamento do livro Luz, O deus do Horror, de Andrei Simões com ilustrações de Eduardo Seiji.
Data: 04 de outubro de 2016, às 16h
Local: Centro Cultural Sesc Boulevard
Endereço: Boulevard Castilhos França, 522/523 – Campina

PROGRAMAÇÃO

  • 18h às 20h40 – Lançamento do livro Luz, O deus do Horror com sessão de autógrafos.
  • 19h – Acústico sombrio com Marcelo Kahwage.

* Durante o evento haverá performances com o artista Gilberto Guimarães Filho e recitação de trechos do texto do autor.

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