O Gato leu: Cenas da Vida Amazônica

Cenas da Vida Amazônica – José Veríssimo
Editora: Martins Fontes – WMF
Ano: 2011
Páginas: 325
Compre: Amazon

O tema do Desafio Doze Meses Literários de agosto era livre, o que me deu liberdade de escolher qualquer leitura aqui em casa. Sou de Belém do Pará e ultimamente tenho pensado muito sobre a representação amazônica, assim, o livro de José Veríssimo me fez refletir um pouco com a sua investigação acerca dessa nossa identidade cultural e local.

A primeira edição do livro tinha uma analise etnográfica que se distanciava do caminho ficcional de seus contos. O próprio autor viu isso e a suprimiu na segunda edição. Acredito que essa foi uma boa escolha, pois Veríssimo tinha o habito de fazer longas descrições e isso deixaria a leitura enfadonha.

A introdução feita pelo organizador Antonio Dimas é muito explicativa e informativa, mas sem cansar, ao contrario, conseguiu me deixar mais curiosa ainda para ler o livro. É um texto bem acessível, derivado de uma pesquisa acadêmica, mas que é apresentado em uma linguagem clara. O único porém da introdução de Dimas é que em alguns momentos ela deu “spoilers” das histórias do livro. Eu não gosto de spoilers, mas a analise era tão precisa e foi tão fundamental para a minha leitura que segui lendo. Dado este aviso fica a seu critério ler ou não esta parte.

A descrição da paisagem amazônica é muito atenta e, ao mesmo tempo, extensa. Isso me deixou um pouco cansada, pois quebrava o ritmo da trama por paginas a fio, como acontece em “O Boto” e “A sorte de Vicentina”. Gostei de reler “O voluntário da pátria”, uma daquelas histórias que tive contato no tempo da escola e que me marcou até hoje.

Sem preocupações de espírito, sem nenhumas ambições, alheios a tudo o que não fosse a vida do trecho do paraná-mirim que habitavam, eram felizes, sem o saberem nem pensarem nisso. (Pág. 115)

O forte antagonismo na disputa entre a Sociedade e a Natureza é muito presente nessa obra. Suas histórias tristes mostram a vulnerabilidade e a astucia, a ingenuidade e a malícia amazônica.

Vale a pena conferir!

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O Gato leu: O Mundo do Homem-Aranha

O Mundo do Homem-Aranha – Daniel Wallace
Editora: Pixel Media
Ano: 2017
Páginas: 64
Compre: Amazon

A Pixel Media está fazendo um trabalho incrível lançando esses livros ilustrados que contam a trajetória dos heróis. Muita gente vai ao cinema e se encanta por aqueles personagens que só conhecia de nome, da publicidade ou de algum contato rápido na infância.

Quem são eles afinal? Para estes novos fãs os livros da série “O Mundo de…” são um presente! A história é contada pela perspectiva do protagonista e compartilhada com o leitor em formato de conversa, que pode ser inspiradora, como em O Mundo da Mulher-Maravilha ou engraçada, como em O Mundo do Homem-Aranha.

No livro, o Homem-Aranha conta todos os segredos sobre como consegue (ou melhor, tenta) equilibrar sua vida dupla e manter o senso de humor, que é sua marca registrada, mesmo quando está metido com o Doutor Octopus ou o Duende Verde.

Aprendemos com ele a escolher bem o uniforme, como funcionam os lançadores de teia e até como fazer tiradas rápidas contra vilões inescrupulosos. Ainda há também a questão da identidade secreta, o cotidiano profissional e os malabarismos na vida amorosa. O Aranha compartilha tudo com vocês, dando aos aspirantes a super-heróis todos os conselhos que vão precisar para começar nessa profissão.

O Gato leu: O Mundo do Homem-AranhaO Gato leu: O Mundo do Homem-Aranha
O Gato leu: O Mundo do Homem-Aranha

Este livro é muito engraçado e apresenta, além do protagonista, uma gama de personagens de seu circulo, desde a Tia May, que o criou, até os Vingadores, passando por vilões e colegas de trabalho, incluindo um chefe nada amigável.

Meio manual, meio almanaque, meio enciclopédia, O Mundo do Homem-Aranha é uma agradável leitura e excelente dica de presente para este Natal!

Fiquem ligados porque o próximo lançamento heroico da editora é, nada mais, nada menos que O Mundo do Batman!

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O Gato leu: O Mágico de Oz

O Mágico de Oz – L. Frank Baum
Editora: L&PM Pocket
Ano: 2011
Páginas: 176
Compre: Amazon

Para variar, estou atrasada com as resenhas do Desafio Doze Meses Literários. Empaquei na leitura d’O Demonologista e toda a fila de livros na sequência foi prejudicada.

É um sentimento tão desconfortável saber que a gente é um bobo. (Pág. 32)

O Mágico de Oz foi o desafio do mês de agosto, com o tema clássico mundial. Gostei muito do livro, pois ele é simples e lúdico ao mesmo tempo que traz reflexões importantes.

É aquele tipo de livro que se eu tivesse uma criança por perto, com certeza daria para ela ler. O trabalho em equipe é, para mim, o principal aprendizado desta obra, principalmente usando a astucia na busca de soluções quando o fim parece iminente.

– Deve ser inconveniente ser feita de carne – disse o Espantalho, pensativamente – Você tem que dormir, comer e beber. Entretanto, tem cérebro, e poder pensar vale muitos incômodos. (Pág. 34)

A obra conta a história de Dorothy, uma menina órfã que vive com os tios em uma fazenda no Kansas. Certo dia um terrível ciclone aparece e a leva até a fantasiosa Terra de Oz. Os tios da garota permaneceram na fazenda e a menina tem somente a companhia do seu inseparável amigo, o cãozinho Totó, neste novo mundo.

Os moradores daquele estranho local contam à jovem sobre o poderoso Mágico de Oz, que seria o único capaz de realizar seu desejo de voltar para casa. Assim, a menina parte ao encontro deste.

De fato, Totó não se importava de estar no Kansas ou na Terra de Oz, desde que Doroty estivesse com ele; mas sabia que a menininha estava infeliz e isso também o deixava triste. (Pág. 101)

No meio de um caminho colorido e surreal, a pequena se une ao Espantalho sem cérebro, o Leão Covarde e o Homem de Lata sem coração rumo a Cidade das Esmeraldas, lar do Mágico. Um campo de papoulas mortíferas, animais selvagens, macacos voadores, uma bruxa malvada, uma bruxa boa e o próprio Mágico de Oz estarão presentes na jornada do improvável grupo.

Algo interessante desse livro é mostrar a superação dos seus próprios limites como, por exemplo, ocorre com o Espantalho que não tem cérebro. Ele sente essa frustração, mas para alcançar seu objetivo e ajudar seus novos amigos, consegue buscar alternativas e soluções que nem ao menos passaram pela cabeça daqueles naturalmente dotados.

O Mágico de Oz é um leitura prazerosa e estimulante, não foi a toa que se tornou um clássico mundial! Vale a pena conferir!

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Avon Care Pepino Mask – Máscara Facial Refrescante de Pepino e Chá Verde

Se tem um tipo de produto de beleza que tem se falado atualmente, com certeza é a máscara facial. Hidratação, limpeza, regeneração, iluminadora… A variedade é enorme!

É claro que produtos assim não são milagrosos. Eles são um cuidado a mais, um agrado que se faz na pele. Pensando nisso vim falar sobre um cosmético que está há tempos no mercado, antes mesmo deste boom estourar.

Avon Care Pepino Mask é um daqueles produtos que está desde sempre no catálogo da marca e acredito que a maioria das mulheres já testou ou ouviu falar. É aquela dica de beleza passada de geração em geração, pois é barata e eficiente.

Segundo a marca, “formulada com o exclusivo complexo Hydra-E, suaviza e hidrata a pele. Remove profundamente as impurezas, refresca e suaviza a pele em um único passo”, deixando assim a pele limpa e fresca. A tecnologia Hydra-e é inserida “para ajudar a proporcionar ação antioxidante auxiliando a neutralizar os radicais livres, responsáveis pelos danos causados nas células da pele”.

O pepino é usado para reduzir o inchaço da pele, com função calmante, enquanto o chá verde vem como um adstringente, controlando a oleosidade.

O modo de uso é bem simples: aplique uma camada uniforme sobre o rosto limpo e seco, evitando a área dos olhos e da boca. A marca recomenda deixar agir por 20 minutos, mas senti que isso pode variar conforme o clima, pois quando está muito úmido ela demora muito mais para secar.

A textura final é uma camada fina sobre a pele, como se ela estivesse envolvida em um plástico. Remova a máscara quando estiver completamente seca, começando pela testa em direção ao queixo, ela sai praticamente inteira. Enxágue com água para eliminar os resíduos que ficam normalmente nas sobrancelhas e próximos à raiz dos cabelos. Pode ser usada até duas vezes por semana.

Logo ao aplicar o produto dá para sentir sua ação refrescante, a textura inicial é de gel e o toque é bem geladinho.

Como eu disse antes, esse tipo de produto não vem para fazer milagres. No meu caso o que senti foi uma visível diminuição no tamanho dos poros, principalmente na área do nariz. Isso ocorreu mesmo levando em conta o clima quente e úmido de Belém do Pará.

Costumo passar a máscara em duas ocasiões: antes de algum evento mais importante, se sentir que a minha pele está muito desgastada e depois de algum evento no qual usei muita maquiagem ou me expus muito ao sol, aplicando o produto com o objetivo de revigorar a pele.

Apesar de não me agradar o cheiro do cosmético (não gosto nem de pepino e nem de chá verde), seguirei usando com certeza e pretendo sempre ter a Avon Care Pepino Mask aqui em casa.

A embalagem contém 90g e custa em média R$13,00 no folheto da marca, podendo ser encontrada bem mais barata em campanhas ocasionais.

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O Gato leu: O Demonologista

O Demonologista – Andrew Pyper
Editora: DarkSide Books
Ano: 2015
Páginas: 328
Compre: Amazon

Acho bem triste quando não gosto de um livro que muitos dos meus amigos amam. Queria partilhar da empolgação deles nas conversas, mas fico sozinha na minha frustração. Isso aconteceu com O Demonologista.

Publicação DarkSide preferida da minha irmã, tema de várias conversas e até de um desafio no clube do livro que participo, a obra de Andrew Piper me deixou cansada e atrasou toda a minha fila de leituras.

Não que o livro não seja bom, ao contrário, ele é muito inteligente, além de se relacionar o tempo todo com o clássico Paraíso Perdido, de John Milton. A narrativa arrastada e, principalmente, o meu não envolvimento com o protagonista, me fizeram não amar a leitura.

Na trama, acompanhamos David Ullman, renomado professor da Universidade de Columbia, especializado na figura literária do Diabo – principalmente na obra-prima de John Milton, Paraíso Perdido. Como um acadêmico, para ele o Anjo Caído é apenas um ser mitológico, uma representação que deve ser destrinchada em todas as suas metáforas de forma analítica e cética.

Minha justificativa para essas evidentes contradições é que há coisas que tem um significado, cultural, mesmo sem existir. O Diabo, anjos. Paraíso. Inferno. Eles são parte da nossa vida mesmo que nunca tenhamos visto, e nunca vejamos, ou tocado nelas, provando que elas são reais. (Pág. 19)

Ao aceitar um convite para testemunhar um suposto fenômeno sobrenatural em Veneza, David começa a ter motivos pessoais para mudar de opinião. Algo que nem passava pela sua cabeça descrente que só concordou com a oferta por causa do pagamento e das suas vantagens como, por exemplo, uma boa desculpa para tirar férias na Itália com sua filha, Tess, de 12 anos. A viagem que se mostrava ser mais lazer do que trabalho se transformou em uma jornada aos recantos mais sombrios da alma.

De volta aos EUA, correndo contra o tempo, David precisa seguir nas estradas do país e decifrar pistas escondidas no livro de Milton e usar tudo o que aprendeu para enfrentar O Inominável e salvar sua filha do Inferno.

Algumas vezes as pessoas fecham a porta porque estão tentando encontrar uma maneira de você bater nela. (Pág. 43)

Acho que foi o Teco do canal Miolos Fritos que disse que O Demonologista é quando “Stephen King encontra Dan Brown”. Tem um quê disso mesmo. A viagem para Veneza e a questão dos símbolos religiosos é bem a cara das aventuras de Robert Langdon, personagem de Inferno e outros livros de Brown; já a paisagem interiorana dos Estados Unidos somada ao sobrenatural é marca registrada do King.

O Demonologista nos apresenta a questão da não-existência, de uma vida ainda que promissora e próspera aos olhos dos outros, mas que não tem propósito algum para aquele que a vive. Repetição, melancolia, caminhos sociais, ausência de sentimentos. Me lembrou um pouco o livro Putrefação, do autor paraense Andrei Simões, que aborda isso no derradeiro momento da vida de seu protagonista.

A experiência demoníaca é a única verdadeiramente universal de todas as experiências religiosas do homem. (Pág. 199)

David e sua filha Tess não chamaram a minha atenção, foi Elaine O’Brien, melhor amiga do professor, que me fez seguir lendo o livro. O’Brien é uma mulher inteligente e independente. Acadêmica como David, tem sempre um olhar analítico e rápido. Ela nos mostra força e vulnerabilidade ao enfrentar sua própria jornada de incertezas e provações.

Os diálogos de David com Elaine foram as melhores partes da história para mim, pois construíam linhas de pensamento e investigação muito mais interessantes que os devaneios solos do protagonista.

Estou aqui por minhas próprias razoes. Então, quanto mais tempo você passar se preocupando comigo em vez de manter  a sua mente focada no assunto em questão, mais puta da vida eu vou ficar. (Pág. 207)

O Demonologista não me encantou, mas como disse no inicio do post, ele foi instigante para muitos outros leitores. Dito isso, não deixe de ler, formar a sua opinião e voltar aqui nos comentários para me contar sobre ela, ok? Enquanto isso, pretendo dar mais uma chance ao autor e logo lerei seu outro livro, Os Condenados.

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