O Gato leu: Simon vs. a Agenda Homo Sapiens

Simon vs. a Agenda Homo Sapiens – Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Ano: 2016
Páginas: 272
Compre: Amazon

Eu já terminei a leitura de Simon vs. a Agenda Homo Sapiens há mais de um mês, mas só agora tive tempo para voltar a postar aqui no blog. Queria muito vir falar com vocês sobre este livro amorzinho.

Não sou uma pessoa que costuma ler romances (no sentido de histórias de amor), prefiro livros que abordam temáticas pesadas ou sociais, mas já notei que quando se trata de ver um casal acontecer minha experiência é muito melhor no gênero young adult. Os Y.A.s ou jovens-adultos são livros realizados para pessoas entre 15 e 25 anos, leitores em transição de gostos. O que mais me interessa nesse tipo de história é que elas trazem (pelo menos as que li) algo mais social, uma reflexão sobre temas atuais. Os conflitos tipicamente adolescentes vem acompanhados de um olhar mais acurado sobre a época em que vivem. No caso de Simon vs. a Agenda Homo Sapiens o debate e a história se dão em torno da homossexualidade do rapaz.

Você já se sentiu preso dentro de você mesmo? (Pág. 56)

O protagonista da trama tem dezesseis anos e é gay, mas ninguém sabe disso. Sair ou não do armário é um drama que ele prefere deixar para depois, pois acha muito complicada a ideia de anunciar ao mundo sua sexualidade. Nenhum hétero precisa se “assumir”, pois nos foi social e culturalmente construída a ideia de que isso era o “normal” e o “padrão”. Esta ideia só complica a vida de pessoas como Simon, que só quer viver a vida sem ter que compartilhar com o mundo o seu aspecto mais intimo.

Porém, isso tudo muda quando Martin, o bobão da escola, descobre uma troca de e-mails entre Simon e um garoto misterioso que se identifica como Blue e que a cada dia faz o coração de Simon bater mais forte. Martin começa a chantageá-lo, e, se Simon não ceder, seu segredo será do conhecimento de todos. Além disso, Blue pode se afastar com medo de ser exposto também.

Acho que estou ficando meio cansado de tudo. Estou tentando não deixar que me afete. Eu não devia ligar se as pessoas idiotas me chamam de uma palavra idiota e não devia ligar para o que as pessoas pensam de mim. Mas sempre ligo. (Pág. 194)

Simon é adolescente avesso a mudanças que precisará encontrar uma forma de sair de sua zona de conforto e dar uma chance à felicidade ao lado do menino mais confuso e encantador que ele já conheceu.

Eu comecei a leitura detestando o Simon pois achava ele muito “reclamão”, mas depois da minha irmã me lembrar que todo adolescente é assim mesmo, passei a enxergar a história da perspectiva do protagonista. O resultado foi apaixonante. Dá vontade de ser amiga dele, pois a narrativa trata questões delicadas com naturalidade e bom humor. Ela nos mostra a importância dos círculos de afeto e proteção da nossa vida, sejam eles a família, os amigos da escola ou alguém do outro lado da tela do computador. Nenhum obstáculo é impossível de se atravessar quando se tem a mão de alguém para ajudar.

Bram estava certo: as pessoas são como casas de quartos grandes e janelas pequenas. E talvez seja mesmo uma coisa boa que a gente nunca pare de surpreender os outros. (Pág. 257)

Simon vs. a Agenda Homo Sapiens explora a difícil tarefa que é amadurecer e as mudanças e os dilemas pelos quais todos nós, adolescentes ou não, precisamos enfrentar para nos encontrarmos. É um livro para todas as idades, para todos aqueles que já se encontraram perdidos com um grande dilema na vida.

Vale muito a pena conferir!

P.S.: Eu adivinhei quem era o Blue muito fácil e ao chegar no final da história fiquei feliz, pois meu palpite se saiu muito melhor do que eu imaginava.

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O Gato leu: Arquivos Serial Killers: Louco ou Cruel?

Arquivos Serial Killers: Louco ou Cruel? – Ilana Casoy
Editora: DarkSide
Ano: 2014
Páginas: 360
Compre: Amazon

A maldade e a violência têm uma origem na insanidade ou são totalmente frutos da consciência humana? O livro Arquivos Serial Killers: Louco ou Cruel? da DarkSide Books nos traz essa reflexão a todo o momento. Os assassinos em série mais famosos do mundo estão reunidos aqui pela renomada criminalista brasileira, Ilana Casoy. 

Antes de detalhar os crimes de cada um, Casoy nos explica o que é um serial killer, quais são seus ciclos, aspectos gerais, psicológicos, características e o modo como eles enxergam suas vitimas. Além disso, ela derruba alguns mitos que existem acerca do tema e dessas pessoas. A autora destaca alguns métodos de investigação e, acima de tudo, aponta que esses criminosos não são monstros, como algumas pessoas costumam se referir, eles são exemplares da nossa sociedade.

Resenha do livro Serial Killers - Louco ou Cruel?, publicada no blog GatoQueFlutua

Para um crime ser solucionado, tanto a medicina forense quanto a psicologia jurídica devem ser utilizadas. Quanto mais interação entre os profissionais das duas áreas, mais chances tem a policia de encontrar e capturar os serial killers. (Pág. 34).

Clara e objetiva, Ilana nos apresenta crimes chocantes e extremamente violentos. São 16 casos que marcaram o século XX, como Aileen Wuornos, Albert Fish, Andrei Chikatilo, Ed Gein, Jeffrey Dahmer, Ted Bundy e o Zodíaco. Ela documenta os fatos em uma forma de narrar tão singular que me lembrou uma escrita de ficção, feita para manter o leitor atento e interessado. A cada caso, um novo clímax é construído.

Assassinos em série, enquanto ainda não descobertos, escalam na violência, sentindo-se cada vez mais confortáveis e com a autoconfiança estimulada a cada dia que passam sem ser suspeitos. (Pág. 240)

Arquivos Serial Killers: Louco ou Cruel? disseca o universo da criminalística e nos ajuda a enxergar o quanto que a tecnologia, a cada evolução, tem sido uma aliada na hora de solucionar os crimes. O DNA, por exemplo, hoje é algo comum e que até os leigos conseguem entender a sua eficacia, mas ele é uma tecnologia muito recente. Existem casos em que, se houvesse a evidência do DNA na época, teria outro resultado.

Recomendo!

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O Gato leu: Tubarão

Tubarão – Peter Benchley
Editora: DarkSide Books
Ano: 2015
Páginas: 280
Compre: Amazon

Eu considero Tubarão o melhor filme do Steven Spielberg, acho ele sem igual. Então, não tive duvidas na hora de escolher o livro que deu origem ao longa para ser a leitura de suspense do Desafio Doze Meses Literários de abril.

Logo de inicio, Peter Benchley nos avisa que o estúdio só se interessou pela parte do tubarão para criar o filme. O romance e a máfia (isso mesmo), ficaram de fora. Eu creio que não houve perda, pois o filme possui um ritmo bem interessante, enquanto o livro tem uma narrativa mais fragmentada que nem sempre cabe na hora de montar um filme.

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A trama se passa em Amity, um balneário ficcional situado em Long Island, Nova York. Ele vive do turismo de veraneio e sem isso a cidade pode se acabar. Todos estão cientes disso, mas quando, às vésperas de um feriado, o corpo de uma turista é encontrado na praia, o chefe de polícia, Martin Brody, não pensa duas vezes e ordena o fechamento das praias da região.

Você tem de entender. Não há nada nesse mar de que esse peixe tenha medo. Outros peixes fogem de coisas grandes, é o instinto deles. Mas esse peixe não foge de nada. Ele não sabe o que é medo. (Pág. 92)

Todos querem abafar o caso, inclusive o prefeito, Larry Vaughan, que está mais preocupado com o dinheiro e com questões pessoais. Com muita relutância e a presença de um especialista no local, Matt Hooper, o banho é liberado e a cidade pode ter o seu verão. Porém, isso se mostrará só o começo do banquete do terrível tubarão e de uma série de conflitos na vida do chefe Brody.

Eu me surpreendi muito com esse livro. A leitura foi frenética, eu o devorei tão rápido quanto o temido animal devora suas vitimas. É engraçado pois o inicio e o final do romance são todos dedicados ao tubarão, páginas e mais páginas da sua ação. Já o meio mostra um série de situações vividas por Brody e aqueles que o rodeiam.

O passado sempre parece melhor quando você se lembra dele, mais do que realmente foi na época. E o presente nunca parece tão bom quanto parecerá no futuro. É deprimente ficar muito tempo revivendo as velhas alegrias. Você acha que nunca terá algo tão bom novamente. (Pág. 117)

A primeira vista, pode parecer que o tubarão seja a personificação do mal e o inicio de todos os problemas na vida daquelas pessoas, mas, na verdade, ele é apenas o gatilho para os conflitos que já estavam latentes e amargurados dentro de cada um. É realmente incrível, Peter Benchley escreveu vários livros dentro de um só.

Não tem como deixar de comentar a belíssima edição de 40 anos da obra que a DarkSide Books  trouxe para o público brasileiro. Eu tenho a versão brochura que tem uma proposta de capa bem diferente, com muitas imagens da adaptação cinematográfica, mas há também a Limited Edition (capa dura). Sem dúvida, um livro imperdível!

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O Gato leu: Entre os Atos

Entre os Atos – Virginia Woolf
Editora: Nova Fronteira (Saraiva de Bolso)
Ano: 2015
Páginas: 176
Compre: Amazon

Talvez eu tenha ido com muita expectativa quando fui ler este livro. Mas era Virginia Woolf, uma referencia em feminismo. Eu tinha todos os motivos para estar eufórica.

Entre os Atos foi o ultimo livro que a autora escreveu antes de seu suicídio. A trama se  passa em uma pequena cidade inglesa. Nela, pessoas comuns encenam e escrevem uma peça de teatro com o objetivo de doar a renda para o custeio da instalação elétrica da igreja.

Simples.

A reflexão do livro está em questionar os papeis que representamos socialmente: homem, mulher, marido, esposa, amante, chefe… Nesse sentido, a medida em que a história avança, os personagens se perdem em devaneios pessoais, pensando em como seriam suas vidas se tivessem seguido por outro caminho. Ao mesmo tempo, tudo se passa em uma pequena comunidade, na qual a vida de um é de ciência de todos. O julgamento e a pressão social são constantes.

Soltou uma risada desinibida. Desistira de controlar a postura de seu corpo e assim conquistara a liberdade. (Pág. 37)

Nessa peça de teatro beneficente, será que a arte imita a vida ou a vida imita a arte?

É um livro que tem tudo para ser incrível e quase chegou lá. Achei a narrativa lenta, talvez tenha sido intencional, para seguir como aquele interior onde tudo demora a ocorrer. Talvez tenha sido pelo fato de que Virginia não deu sua revisão final no livro. O manuscrito estava completo, mas faltou um olhar mais demorado em cima dele, algo que o viúvo, Leonard Woolf, talvez não estivesse emocionalmente pronto para fazer.

E disse (sem palavras): Sinto-me terrivelmente infeliz. (Pág: 133)

Passado.Presente.Modernidade. Mudança. Inercia.

Minha personagem favorita é a senhorita La Trombe e o momento que mais curtir ler foi a trama da jovem Flavinda no teatro ao ar livre.

Vale a leitura e a introspeção reflexiva após ela. O final é fantástico e a realização da peça é o ápice da mensagem da autora.

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O Gato leu: A Vida Privada das Árvores

A Vida Privada das Árvores – Alejandro Zambra
Editora: Cosac Naify
Ano: 2013
Páginas: 94
Compre: 

Um livro sobre as pessoas, suas memórias e seus momentos. Nada de extraordinário, nada que não possa acontecer na vida real. A Vida Privada das Árvores é o prolongamento do instante,  o esticamento da duvida.

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Este segundo livro do escritor chileno Alejandro Zambra, é a história de uma espera.

Na trama, Julián, aguarda a chegada de Verónica, sua mulher. Ele é um professor de literatura com aspirações a escritor, que fantasia com um livro que nunca fica pronto e que nunca o satisfaz.

Aquele tempo de silêncio foi um ultimo luxo que Verônica permitiu-se, uma dose extra de privacidade, um espaço para construir, com duvidosa calma, suas decisões. (Pág. 19)

Sua mulher ainda não chegou da aula e a espera se alonga, mas ele não está sozinho. Na sua vigília tem a companhia da enteada, a pequena Daniela. O coração de Julián se preocupa, mas ele não pode transparecer isso, assim, distrai a menina contando histórias de árvores, ficções do que elas fazem, pensam e sentem quando não há ninguém olhando.

Verónica está lá fora e Julián está dentro de si. Recompõe o seu passado e as decisões que tomou e que o levaram exatamente até aquele lugar e situação. Imagina e  inventa. Pensa num futuro no qual sua esposa já não existe mais.

Deixara de amá-la um segundo antes de começar a amá-la. (Pág. 35)

Tudo se demora, mas não há pressa. A Vida Privada das Árvores é um livro sem pretensão que, num primeiro momento, até pode parecer bobo e sem propósito, mas que nos convida a mergulhar em nós mesmos, tal qual Julián o faz. É para pensar e refletir como que diante de um espelho de memórias.

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