O Gato leu: Entre os Atos

Entre os Atos – Virginia Woolf
Editora: Nova Fronteira (Saraiva de Bolso)
Ano: 2015
Páginas: 176
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Talvez eu tenha ido com muita expectativa quando fui ler este livro. Mas era Virginia Woolf, uma referencia em feminismo. Eu tinha todos os motivos para estar eufórica.

Entre os Atos foi o ultimo livro que a autora escreveu antes de seu suicídio. A trama se  passa em uma pequena cidade inglesa. Nela, pessoas comuns encenam e escrevem uma peça de teatro com o objetivo de doar a renda para o custeio da instalação elétrica da igreja.

Simples.

A reflexão do livro está em questionar os papeis que representamos socialmente: homem, mulher, marido, esposa, amante, chefe… Nesse sentido, a medida em que a história avança, os personagens se perdem em devaneios pessoais, pensando em como seriam suas vidas se tivessem seguido por outro caminho. Ao mesmo tempo, tudo se passa em uma pequena comunidade, na qual a vida de um é de ciência de todos. O julgamento e a pressão social são constantes.

Soltou uma risada desinibida. Desistira de controlar a postura de seu corpo e assim conquistara a liberdade. (Pág. 37)

Nessa peça de teatro beneficente, será que a arte imita a vida ou a vida imita a arte?

É um livro que tem tudo para ser incrível e quase chegou lá. Achei a narrativa lenta, talvez tenha sido intencional, para seguir como aquele interior onde tudo demora a ocorrer. Talvez tenha sido pelo fato de que Virginia não deu sua revisão final no livro. O manuscrito estava completo, mas faltou um olhar mais demorado em cima dele, algo que o viúvo, Leonard Woolf, talvez não estivesse emocionalmente pronto para fazer.

E disse (sem palavras): Sinto-me terrivelmente infeliz. (Pág: 133)

Passado.Presente.Modernidade. Mudança. Inercia.

Minha personagem favorita é a senhorita La Trombe e o momento que mais curtir ler foi a trama da jovem Flavinda no teatro ao ar livre.

Vale a leitura e a introspeção reflexiva após ela. O final é fantástico e a realização da peça é o ápice da mensagem da autora.

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O Gato leu: Os Excluídos

Os Excluídos – Yuyun Li
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2010
Páginas: 397
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Este post é sobre o melhor livro que li neste primeiro semestre!

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Eu nunca tinha ouvido falar de Os Excluídos, livro de Yiyun Li, mas durante a visita à  XVIII Feira Pan-Amazônica Do Livro não pude deixar de notá-lo. A capa é linda, pois usa como base imagens de posteres de propaganda politica, resultando em um efeito visual incrível! Muitas recomendações também estampam o livro, como a do The New Tork Times que diz “Um dos maiores romances do ano”.

O livro se passa na China após a Revolução Cultural. Isso despertou minha atenção, pois adoro livros que tem como base o registro de uma determinada época e local únicos.

O professor ouviu um portão ranger ali perto e tratou logo de se afastar para não ser apanhado chorando diante do cartaz. A sua filha era um contrarrevolucionária e derramar lágrimas por sua morte iminente era um perigo para qualquer pessoa, até mesmo para os seus pais.  (Pág. 12)

No romance, a jovem Gu Sham será executada como inimiga da Revolução, essa morte vai permear a vida dos moradores da cidadezinha de Rio Lamacento, em especial de alguns personagens.

A cidade era um lugar impiedoso, ou, pelo menos, era essa a impressão que ela lhe dava: um lugar onde o menor dos erros podia se tornar uma ofensa grave.  (Pág. 20)

Tong, Nini, Bashi, Kai, o Sr. e a Sr.ª Hua e os Gu, pais de Sham, tem suas vidas atravessadas por essa morte. De diferentes maneiras, cada um com a sua realidade vai tendo a vida afetada. Estes personagens se cruzam muitas vezes no livro.

Aquilo era uma doença; essa paixão pela politica, por mobilizar as massas como se as pessoas fossem grãos de areia que, por um feitiço qualquer, pudessem se juntar facilmente e se transformar numa torre. Era uma doença fatal. Havia tirado a vida da sua filha e, agora, lançava as garras sobre a mais improvável das criaturas, a sua mulher, uma velha humilde e obediente. (Págs. 232 e 233)

Os Excluídos é permeado de sabedorias chinesas, que sempre se adequam e causam uma reflexão sobre a situação dos personagens e nossa também.

A industrialização chega e vai modificando a vida no interior. A violência, o machismo e o descaso vão aumentando até que, em pequenas partes, observamos que a bondade e a solidariedade muitas vezes vem daqueles que tem muito pouco.

No final, após tantas as reviravoltas na vida daquelas pessoas, a reflexão fica é a de que não importa de que lado se está, se o mundo está equivocado e você não, você nunca pode esquecer de ser humano.

A porta do céu é estreita e só permite a entrada de um herói de cada vez, mas os que vão para o inferno, acrescentou Kwen, viajam sempre em dupla, de mãos dadas. (Pág. 397)

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