Novembro com intensa programação pelo Projeto Retratos Contemporâneos

Vivemos na era do digital, da imagem digital e do conteúdo digital. Porém, ao nos depararmos com obras produzidas em técnicas clássicas fica impossível não nos questionamos como esse tipo de produção se situa no contexto artístico contemporâneo.

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Qual é o lugar do retrato na pintura contemporânea? Essa visibilidade diferenciada que o retrato pictórico proporciona é um dos temas do Projeto Retratos Contemporâneos, criado pelo artista visual Éder Oliveira e contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, do Ministério da Cultura. As ações se iniciam no dia 08 de novembro, às 19hs, com uma roda de conversa entre ele e os artistas Armando Sobral (PA), Ernesto Bonato (SP) e Fábio Baroli (MG). A conversa será mediada pela curadora Marisa Mokarzel (PA). Na mesma semana também haverá a realização de workshops com os convidados. As ações, que serão gratuitas, contarão com intérprete simultâneo de LIBRAS e ocorrerão no Centro Cultural Sesc Boulevard.

Armando Sobral e Ernesto Bonato tem aproximações com as técnicas dos grandes mestres e são alguns dos principais nomes da xilogravura do país. Já Éder Oliveira e Fábio Baroli tem trabalhos que abordam temáticas sociais. Oliveira usa a fotografia como ponto de partida para a realização de suas obras, seus retratados estão constantemente, nas páginas policiais da capital paraense. A partir da foto é que ele dá início a um processo de representação, não só do indivíduo, mas também da sociedade. Baroli também trabalha com a realidade, um flagrante no cotidiano. Como uma colagem de imagens, ele questiona a própria tradição da pintura em suas obras.

Pintura de Ernesto Bonato
Pintura de Ernesto Bonato

DESCENTRALIZAÇÃO DO DEBATE

O projeto tem o objetivo principal de propiciar a troca de saberes, poéticas e técnicas entre artistas de diferentes estados (PA, MG e SP) e a comunidade.

A Roda de Conversa será a oportunidade de motivar o debate, o diálogo e intercâmbio de experiências entre o público presente e os artistas convidados. Já as Práticas Abertas funcionarão como workshops. Durante quatro dias o espaço será um atelier coletivo, a cada dia um artista irá mostrar para o público suas experiências e sua forma de produzir, abordando seus processos criativos e as técnicas envolvidas em suas produções de retratos.

Além disso, os artistas convidados do projeto participarão de vivências através de encontros nos ateliers dos artistas de Belém.

✚ Confira a programação!

* Conversa: O Retrato Contemporâneo

Os artistas Armando Sobral (PA), Éder Oliveira (PA), Ernesto Bonato (SP) e Fábio Baroli (MG) conversarão com o público a respeito da produção contemporânea de retratos pictóricos nas artes visuais, a partir de seus trabalhos, pesquisas e poéticas.

08/11 (terça-feira), das 19 às 20h.

* Práticas Abertas

Nas Práticas Abertas, diariamente um artista mostrará ao público parte de seu fazer no âmbito do retrato e da figura humana. A metodologia poderá variar entre a exposição do processo criativo ou mesmo pela demonstração prática com cada artista, em um ambiente propício para a experimentação e a troca de experiências.

  • 09/11, de 09 às 12h, com Armando Sobral
  • 10/11, de 09 às 12h, com Fábio Baroli
  • 11/11, de 09 às 12h, com Éder Oliveira
  • 12/11, de 09 às 12h, com Ernesto Bonato

✚ CONHEÇA OS ARTISTAS 

Armando Sobral trabalha e vive em Belém. Artista Plástico graduado pela Fundação Armando Álvares Penteado. Cofundador do Atelier Piratininga, em São Paulo. Foi Professor da Universidade Federal do Pará entre os anos de 2003 e 2005, onde foi responsável pela reestruturação do atelier de protótipos tridimensionais. Instalou e coordenou o atelier público de gravura da Fundação Curro Velho, em Belém, entre os anos de 2001 e 2006 e vem prestando assessorias para instituições culturais do Estado na área de políticas públicas.

Éder Oliveira trabalha e vive em Belém. Nascido em 1983, em Timboteua, região do Salgado paraense. Licenciado em Educação Artística – Artes Plásticas pela Universidade Federal do Pará. Pintor por ofício, desde 2004 desenvolve trabalhos relacionando retratos e identidade, tendo como objeto principal o homem amazônico.

Ernesto Bonato é de São Paulo. Gravador, fotógrafo, curador e professor. Em 92 se formou no curso de artes plásticas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. É mestre em artes também formado pela ECA/USP, Entre 1998 e 1999, foi professor de xilogravura no Atelier de Gravura do Museu Lasar Segall. Desde 1993 integra o Atelier Piratininga. Concebe e orienta cursos de desenho e gravura em instituições e atua como curador.

Fábio Baroli Vive e trabalha em Uberaba. É formado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Recebeu prêmios como o X Prêmio de Arte Contemporânea do Iate Clube de Brasília (2011), o 1º Prêmio Espaço Piloto de Arte Contemporânea (2009), o 9º Salão de Artes Visuais de Guarulhos (2009) e o Prêmio Aquisição do 28° Salão Arte Pará. Possui obras no acervo do Museu Nacional de Brasília, Fundação Romulo Maiorana, Centro de Educação e Cultural.

✚SERVIÇO: Projeto Retratos Contemporâneos realiza encontros em Belém. No site http://www.ederoliveira.net/retratoscontemporaneos está disponível a programação completa. Programação gratuita. Local: Centro Cultural Sesc Boulevard (Av. Boulevard Castilho França, 522/523 – em frente à Estação das Docas). O projeto foi contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais, do Ministério da Cultura. Contato: (91) 99254-2347; debbrabelo@gmail.com (ASCOM).

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O Gato leu: Navegante da Luz

Navegante da luz: Miguel Chikaoka e o navegar de uma de uma produção experimental – Marisa Mokarzel
Editora: Kamara Kó Fotografias
Ano: 2014
Páginas: 120

Navegante da luz: Miguel Chikaoka e o navegar de uma de uma produção experimental, da professora e crítica de arte Marisa Mokarzel, é essencial para entendermos um pouco mais sobre a história da fotografia paraense.

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No livro Navegante da Luz, Marisa foca na trajetória do Miguel, tanto artística quanto pessoal e cultural. Ela também faz um panorama da Belém que o recebeu, na década de 80, época mais do que propícia, de grande fervor cultural.

A ação educacional dele também tem grande destaque. Chikaoka utiliza a fotografia como meio de interação e compreensão social.

“Processo” é a palavra-chave. Mais do que a obra pronta, acabada, a inserção de ideias, quem promove a troca de afetos, conhecimento e de percepção. Esta atitude plural implica adotar a interseção de culturas. (Pág. 19)

A autora já tinha latente a ideia de escrever sobre o trabalho do fotógrafo. É comum, em certas partes do livro sentirmos o encantamento da Marisa ao falar sobre o Miguel, a profunda admiração que ela sente não deixa de atravessar o livro e vir parar na gente.

Ela o relaciona com Max Martins e com a cultura oriental, dos samurais. Metáforas permeiam a leitura.

A ficção ocorre na fronteira de dois olhares: daquele que vê a fotografia e daquele que fez a fotografia. (Pág. 71)

Miguel tem um modo de agir muito próprio. Marisa conta sobre a fundação da Associação Fotoativa e a necessidade de um lugar para produzir e pensar a fotografia. Depois de toda a trajetória percorrida, ela aponta a necessidade que ações como a de Chikaoka tenham continuação. A mobilização ocorrida na década de 80 não pode nunca se dissolver, para que politicas de incentivo à cultura, em especial à fotografia, aconteçam, como sempre lutou Miguel.

O que preocupa, no entanto, é que entre a efervescência da década de 1980 até 2013, já se passaram mais de 30 anos, e o fluxo das artes continua se processando em movimentos sinuosos, formados por altos e baixos, pela não existência de mercado interno, pela falta de politicas públicas em diferentes níveis. As sustentações talvez procedam das universidades e dos atos coletivos, que ainda se mantêm, porém mais esparsos. A cena se constitui em meio ao malabarismo, ao poético voo dos trapezistas, sempre por um triz, no limiar do perigo. (Pág. 44)

✚ O livro Navegante da Luz está disponível na versão virtual.

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