Volte duas casas e jogue novamente

O mundo da voltas, não é mesmo? A vida dá mais ainda.

Comecei 2017 com o pé direito, acreditando que este seria o ano da mudança e aquele que se tornaria o catalisador da transformação do sonho em realidade.

Foi um sonho sim, cheio de experiências, risos, ansiedade, amizade, pânico e, ainda assim, estabilidade. Há uns três meses tudo isso mudou. E agora?

Imagens da série “Mozart in the Jungle”

Volte duas casas e repita a jogada.

Eu me vi tendo que recomeçar, refazendo passos que não imaginava fazer de novo tão cedo. Eu que estava pronta para ir atrás da próxima etapa tenho, agora, que refazer as duas anteriores.

Eu não me desespero e não desconto em ninguém. Recentemente completei 25 anos e vi o quanto amadureci e aprendi a lidar com a frustração e a vontade de desistir. Não vou dizer que eu não tenho medo ou que não tenho um ataque de pânico escondido de vez em quando. Tenho sim, mas é preciso seguir em frente.

Fico pensando onde estarei aos 30 anos, os planos ainda são os mesmos: um bom emprego na minha área, trabalhando com jornalismo e cultura; ter o meu próprio canto, meu porto seguro; ter alguém com quem dividir os sonhos e o cansaço diário e, ainda assim, me sentir estimulada a realizar coisas novas; não ter filhos, pois optei por focar em mim e na minha liberdade.

De tudo isso, só a última coisa permanece inabalável, mas meus planos não me permitem alterar a ordem dos fatores, assim, como retrocedi alguns passos, o avanço foi adiado.

Este talvez seja um dos posts mais sinceros que já escrevi. Dentro de mim, eu sei, que não posso deixar ninguém entrar na minha vida enquanto ainda estiver confusa e instável. Quando eu não me sinto bem,  me fecho e desapareço. Não quero desperdiçar boas chances e afastar boas pessoas agora.

Tudo bem perder de vez em quando, o importante é não desistir e não abandonar o jogo. Todo mundo gosta de uma boa reviravolta e de um azarão, não é mesmo?

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Quando você se sente um lixo

Todo mundo tem problemas, não estou aqui pra dizer que os meus são mais importantes do que os dos outros, não mesmo. Eles são só os meus problemas.

Tem sempre aquele dia em que tudo dá errado e você preferia nem ter acordado pra viver tanta tristeza.

o diabo veste prada

Problemas pessoais e/ou profissionais acumulados que decidem estourar todos em um único dia. Um email, uma bronca; uma frase, uma triste notícia.

As palavras tem poder.

Eu tinha um amigo que sempre me dizia isso quando eu falava besteira. Nunca levei muito a sério, mas percebi que, como jornalista, minha vida depende do poder das palavras. Falo da forma como elas são apresentadas, pois sei que é possível dizer que alguém está errado sem ser rude.

Seja gentil com quem está enfrentando uma batalha árdua. (Aristóteles, em O Império de Ferro)

Essa é outra frase que sempre esteve na minha mente, principalmente na hora de falar sobre o trabalho de alguém. Nós não sabemos como está de verdade a vida do outro, não sabemos dos seus problemas e dilemas mais íntimos. Se pensa o contrário sobre algo, mostre os fatos, mas lembre-se de que a sua opinião não é a única no mundo e muito menos é verdade absoluta.

Hoje, em meio há um grande problema pessoal, ganhei um grande problema profissional. Uma pesada reclamação via email. Senti as pernas ficarem sem força, o estômago se revirar e o rosto começar a ficar vermelho.

Sempre fui de reconhecer abertamente quando erro e pedir desculpas por isso. Talvez a bronca tenha doído mais porque eu já tinha uma grande carga de problemas anteriores acumulados.

Seja lá qual for o motivo, só sei que doeu. Doeu como há muito eu não sentia doer. O choro chegou, escondido, trancado no banheiro, longe dos olhos dos outros.

Deixei cada lágrima cair pensando no que eu estava fazendo de certo e de errado. Há algum tempo aprendi a não dar respostas no calor do momento para não me arrepender depois. Esperei o choro passar e as ideias clarearem novamente. Decidi que teria de encarar de frente e dar a minha cara a tapa. Contra fatos não há argumentos, foi pensando assim que redigi minha resposta.

Quando o email do remetente retornou, sua fala já era mais calma, educada e objetiva. Não dá pra descontar no outro as suas frustrações, isso se torna um circulo vicioso.

Não dá pra desistir toda vez que vem a tormenta, ela vai te derrubar e muitas vezes te impedir de seguir, mas uma hora ela vai passar. Essa não foi a primeira e nem será a última.

Ainda não estou bem, não mesmo. Talvez ainda tenham até algumas lágrimas por aqui, mas ok. Quando a crise bate, ela vem sempre pra nos mostrar que algo não está certo. É nisso que vou focar.

Se me abalei tanto agora, quer dizer que isso já me incomodava e me deixava insatisfeita há algum tempo. Talvez seja esse o momento de mudar e fazer o que me faz bem.

Faça, ou não faça. Tentativa não há. (Mestre Yoda)

Farei isso.