O Gato leu: A Zona Morta

A Zona Morta – Stephen King
Editora: Ponto de Leitura
Ano: 2009
Páginas: 611

Eu estou apaixonada por esse livro! De longe é uma das melhores leituras que já fiz este ano!

Eu já tinha lido O Iluminado, outro livro do King que deu origem ao clássico de Stanley Kubrick, mas não tinha curtido muito e depois disso não li mais nada do autor. Porém, eu conheço muitas pessoas que amam a escrita do King e de tanto ouvir elogios, decidi dar outra chance à ele, afinal o cara tem dezenas de livros escritos, de pelo menos um eu teria que gostar!

Numa troca consegui A Zona Morta de segunda mão e quando descobri o projeto do All About King que ia rolar agora em outubro, com o objetivo que convencer todo mundo a ler um livro do autor, decidi que essa era a hora de mergulhar na leitura.

A Zona Morta_GatoQueFlutua_blog_Foto_Debb Cabral

Em A Zona Morta conhecemos Johnny Smith, um  professor secundário, gente boa e simpático com todos. Certa noite, ele e sua então namorada, Sarah, decidem aproveitar a programação da feira regional que estava ocorrendo. Essa seria a noite que mudaria sua vida para sempre. Um acidente. Um coma profundo de cinco anos.

Ela sentiu as lágrimas começando a escorrer pelas faces e pela primeira vez (mas não a ultima) começou a desejar que Johnny morresse e descansasse em paz. (Pág. 106)

Ao acordar, Johnny não reconhece certos objetos. Segundo os médicos, uma área de seu cérebro está danificada, Zona Morta é como chamam.Porém, este será o menor dos problemas na vida dele daqui para frente.

O mundo mudou enquanto ele dormia, as pessoas que ele amava mudaram, a politica mudou. Além de sentir que esta não é mais a sua vida, Johnny descobre que é capaz de, com um simples aperto de mão, saber fatos do passado das pessoas e prever seu futuro. Uma área do seu cérebro morreu, mas outra despertou. Para Johnny, isso é uma maldição.

Aparentemente, para cada pessoa ansiosa por ser tocada, por ser informada, por entrar em contato com o estranho dom de Johnny, havia outra que o encarava com uma espécie de leproso. (Pág. 334)

Um dia, ele aperta a mão de Greg Stillson, um aspirante político norte-americano. Depois desse contato Johnny será atormentado por uma visão apocalíptica. Para resolver esse problema ele terá que enfrentar um dilema moral e mortal.

Este é um livro do King para quem tem medo sobre criaturas, monstros e entidades. É um livro sobre pessoas, mas isso o torna muito mais assustador para mim. Ver as coisas de que o ser humano é capaz é mais terrível do que qualquer criatura sobrenatural. Religião, histeria, negação e omissão estão presentes nessa história que nos faz virar as paginas compulsivamente.

Bem, todos nós fazemos o que podemos, e isso tem que ser bom o bastante… (Pág. 609)

Não tem como não simpatizar com o protagonista, mas ao mesmo tempo ele nos assusta quando tem uma de suas visões. O livro ganhou uma versão cinematográfica em 1983, intitulada A Hora da Zona Morta, dirigida pelo excelente David Cronenberg e contando com Christopher Walken no papel de Johnny Smith e Martin Sheen no de Greg Stillson. Incrível, não é mesmo?

Recomendo muito!

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O Gato viu: Julieta

Eu gosto muito do Almodóvar, fui fisgada desde a primeira vez que vi um filme seu. O diretor constrói narrativas diferentes, lentas, dramáticas, mas carregadas em um suspense que nos faz querer ir até o fim para saber o que há.

julieta-almodovar-resenha-filme

Em seu novo filme somos apresentados a Julieta (Emma Suárez), uma mulher de meia idade que está prestes a se mudar de Madri para Portugal, para acompanhar seu namorado Lorenzo (Dario Grandinetti).

Esta mulher tem uma aparente vida normal, entretanto, um encontro fortuito na rua com Beatriz (Michelle Jenner), uma antiga amiga de sua filha Antía (Blanca Parés), faz com que Julieta repentinamente desista da mudança. Nós e Lorenzo ficamos sem entender o motivo da inesperada atitude da protagonista.

Com a então partida do namorado, Julieta resolve se mudar para o antigo prédio em que vivia, também em Madri. Lá começa a escrever uma carta para a filha relembrando o passado entre as duas.

Nesses flashbacks Julieta é vivida pela também hipnotizante Adriana Ugarte. Conhecemos a história da protagonista bem antes do nascimento da filha que até pouco tempo desconhecíamos a existência, bem como o motivo pelo qual a simples menção do seu nome abale toda a vida de Julieta.

Almodóvar fez um filme sobre perdas sem despedidas. Dá mesma maneira que pessoas importantes passaram pela vida de Julieta sem se ter o devido adeus, nós somos surpreendidos com um final abrupto, que nos assusta pois ainda queremos pertencer àquela história.

Não é um filme ousado, ao contrário, é bem sóbrio, mas consegue traduzir os sentimentos femininos com o mistério habitual da estética do diretor. Há uma fragilidade e uma força dentro de todas essas mulheres, mesmo que seja para sofrerem caladas, tentando carregar o peso da vida sozinhas para que aqueles que elas amam possam ser felizes.

Julieta é inspirado em uma série de contos da escritora canadense Alice Munro, que foi  vencedora do Nobel de Literatura em 2013.

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O Gato leu: O Massacre da Serra Elétrica [Arquivos Sangrentos]

O Massacre da Serra Elétrica [Arquivos Sangrentos] – Stefan Jaworzyn
Editora: DarkSide
Ano: 2013
Páginas: 320
Compre: Amazon | Submarino | Americanas | FNAC | Livraria da Travessa | Cultura | Saraiva

Eu não acredito que estou fazendo a resenha desse livro! Já contei por aqui no post do 6 on 6, que foi através desse livro que conheci a DarkSide, uma das minhas editoras favoritas.

O Massacre da Serra Eletrica GatoQueFlutua_blog_Foto_Debb_Cabral

O Massacre da Serra Elétrica (1974) é um dos filmes que mais curto e não canso de assistir. Possui uma estética única e quando penso no Texas, ele está lá, como parte do folclore. Teve uma longa série de filmes que não alcançaram o tamanho da força da obra original e eu sempre quis saber o motivo disso…

Para a minha felicidade, o livro integra justamente a coleção Dissecando Filmes Clássicos de Terror, que apresenta os bastidores das principais obras do gênero. Este, que é um livro feito basicamente com entrevistas, nos conta todo o processo de produção das obras e a relação entre as pessoas que trabalharam nelas.

Esse tipo de sensibilidade, esse tipo de percepção de ‘valores’ coexistia com a carnificina do assassinatos que estavam acontecendo. (Pág. 56)

Ele ainda é um retrato da industria cinematográfica norte-americana. Nele vemos que muitos dos filmes da franquia tinham a possibilidade de alcançar o sucesso, mas trabalhar em um estúdio com uma lógica corporativa não é algo que ajuda muito no processo criativo. Prazos e orçamentos reduzidos, corte final decidido pelo estúdio, distribuição falha e mudanças no roteiro são só alguns dos problemas encontrados ao longo do caminho dos filmes seguintes.

Então quer dizer que o original teve sucesso pois não encontrou problemas? De jeito nenhum.

O filme de Tobe Hopper teve o grande problema das produções independentes: a falta de dinheiro. Tudo foi feito com muito improviso e bastante criatividade. A equipe acreditava que aquele seria apenas mais um filme de verão, porém teve ocasiões em que trabalhou por mais de 20 horas seguidas no calor texano.

Vários dos adereços e objetos em cena foram confeccionados com ossos de animais de verdade, encontrados em abatedouros ou na beira da estrada. Isso e Gunnar Hansen, o Leatherface original, que só tinha um figurino disponível para usar por mais de 30 dias, fediam demais.

Uma vez que começamos, muitos amigos trouxeram coisas nojentas para adicionar à coleção. (Pág. 65)

A paixão pelo cinema dá o tom ao livro. Há vários relatos de exaustão ou doença por conta do trabalhos nessa historia sangrenta, porém o elenco e a equipe reconhecem a força que O Massacre da Serra Elétrica alcançou. O estilo de filmagem fez com que muitos dos espectadores acreditassem que aquilo de fato acontecera e que estavam vendo um documentário. O medo da família canibal se fez presente com inconsciente coletivo.

Este livro é uma obra incomparável tanto para quem curte o filme quanto para aqueles que sem interessam pela arte de fazer cinema. Ele faz uma verdadeira anatomia do filme clássico e apresenta pela primeira vez o making of e a história completa da série. Cheio de fotografias raras e inéditas, com diagramação e arte fantásticas, esse livro é necessário para todo fã de terror e cinema.

Às vezes fazemos coisas pelos motivos errados. (Pág. 195)

A minha única ressalva quanto a ele é o capitulo que fala sobre Eggshells, o primeiro filme da parceria entre Hopper e o roteirista Kim Henkel. Ele serve pra mostrar como a equipe do Massacre se conheceu, o que é bom, porém foca demais na história desse filme. Como é um dos capítulos iniciais ele acaba meio que frustrando toda a expectativa do leitor que vem atrás do Massacre em si. Não é um capitulo ruim, só achei demasiado longo.

Já o capitulo sobre Ed Gein, que inspirou clássicos do terror com sua vida e seus crimes é bem perturbador e impossível de parar de se ler.

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O Gato viu: Esquadrão Suicida

Será que toda vez que um filme da DC for para as telas do cinema as polêmicas e as criticas pesadas irão junto? Parece que sim…

Quem viu os trailers de Esquadrão Suicida imaginava que este seria o filme do ano e que colocaria a estabilidade que a DC tanto precisava no cinema, mas não foi dessa vez. Depois da enxurrada de criticas negativas que Batman vs Superman: A Origem da Justiça recebeu, a impressão que se tem é de que eles modificaram Esquadrão Suicida para que ele ficasse mais atraente, porém essa foi justamente a coisa errada a se fazer.

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Dá pra ver que a Warner tinha um material incrível em mãos e que os atores cumpriram e conseguiram convencer em seus papeis, mas faltou um roteiro decente. Faltou uma história que cativasse. Esquadrão Suicida era pra ser para a DC o que Guardiões da Galáxia foi para a Marvel, a apresentação para o grande publico, de heróis mais lado B, em uma boa trama e embalados com uma trilha sonora de peso. Mas não conseguiu chegar onde o concorrente foi.

Não que o filme seja de todo ruim, eu daria uma nota 7 para ele, mas porque sou uma pessoa muito legal e depois da enxurrada de criticas o meu hype diminuiu e eu já fui preparada para que fosse pior ainda.

Viola Davis é a grande estrela desse filme, ela está incrível no papel de Amanda Waller, a chefe da A.R.G.U.S, uma pessoa perigosa e incrivelmente inteligente. Eu pensei que a participação dela seria pequena, mas não, ela se mostra parte fundamental do decorrer da história.

Jared Leto faz um bom Coringa, diferente de todos que já vimos e que tem um caráter meio gangsta, meio de mafia, algo que gosto muito. Isso me lembra Gotham com Falconis e Maronis que sempre disputaram a sua hegemonia. Eu tinha plena confiança no Jared e dá pra ver que ele se esforçou, mas a trama não ajudou muito. Ele tem momentos brilhantes, mas também tem com coisas desnecessárias. A participação dele ajuda a fazer a ligação com o próximo filme do Batman.

A Alerquina sempre foi o meu maior problema. Eu queria que dessem uma calça para a personagem, porque ela vai para a batalha de calcinha? Uma legging de couro estava sensual e muito melhor. Porém, a Margot Robbie (que já é uma mulher hipersexualizada em todos os personagens que faz) consegue convencer como Alerquina e dá vontade de fazer um cosplay mesmo com o ranço que sinto com a personagem durante toda a vida. A Alerquina tem bons momentos, inclusive de força e independência, mas depois ela volta a ser infantilizada e colocada apenas como mais uma gostosa. A relação da Alerquina com o Coringa sempre me incomodou e eu queria que o filme deixasse mais claro que é um relacionamento abusivo entre os dois, mas a tendência a romantizar isso é sempre um erro que insistem em  cometer.

Will Smith faz um bom Pistoleiro e consegue fazer rir e emocionar. Gostei de ver a amizade entre ele e a Alerquina, espero que fique na amizade, pois quase nunca temos no cinema uma amizade verdadeira entre homem e mulher. Os momentos dele com o agente  Rick Flag, também são interessantes para fazer o debate de que todos são assassinos, incluindo os que estão autorizados pelo governo.

Gostei da história do El Diablo, mas queria ter visto mais assim da Katana (que é uma personagem que possui uma história fantástica), do Crocodilo e do Capitão Bumerangue também. A  Magia foi muito mal utilizada e as cenas dela chegavam a ser cansativas, uma pena. O vilão também foi bem generalista, tal como vimos em Batman vs Superman.

A trilha sonora é maravilhosa, mas poderia ter sido mais bem explorada. Teve momentos incríveis como a parte que toca Without Me, do rapper Eminem. Queria ter tido mais disso.

O filme deixa com um gosto de que dava pra ter sido melhor, pois bastava organizar em um roteiro as coisas boas que ele tinha. Mas assistam, pois vale o ingresso e a experiência de ver esse personagens representados na tela do cinema, fora que ele traz ligações com os próximos filmes da DC.

PS: Tem cena pós-creditos.

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O Gato viu: Procurando Dory

Confesso que quando vi que Procurando Nemo ia ter uma sequência não fiquei muito empolgada, mas é porque não sou muito de sequências (apesar de assistir várias, mas vai entender…). A medida em que as imagens e os teasers promocionais iam saindo eu ia me encantando junto. Quando veio a imagem da Dory bebê, eu me desarmei por completo.

Procurando Dory - resenha

Na trama, um ano após ajudar Marlin (Albert Brooks) a reencontrar seu filho Nemo (Hayden Rolence), Dory (Ellen DeGeneres) tem um insight e se lembra da sua família. Ela, então, decide fazer de tudo para reencontrá-los. Na sua desenfreada busca esbarra com amigos do passado, conhece colegas novos, além de passar por perigos nas mãos de humanos.

Procurando Dory traz o lado oposto de Procurando Nemo. Enquanto lá nós viamos um pai a procura do filho, neste vemos uma filha em busca dos pais. São duas facetas de uma mesma história, um outro olhar. Isso fica bem claro no filme que se liga muito bem ao seu antecessor não se esquecendo do que aconteceu e como tudo aquilo os marcou e mudou.

Se no primeiro filme a deficiência física era uma das causas da super proteção do pai, neste a perda de memória da Dory é o foco. Mostra como a gente não dá atenção ao outro e muitas vezes perde a paciência com este antes de tentar entender o que se passa com ele. Marlin, pai do Nemo, é um exemplo disso. Mesmo a Dory sendo sua amiga e ele sabendo do seu tipo de amnésia, ele ainda se zanga com ela e dá mancada.

O filme é triste em muitos momentos, nos seus minutos iniciais então, nem se fala. Mas ele tem aquilo que só a Pixar consegue fazer, alternar momentos “choque de realidade” com o bom humor da amizade e do companheirismo. E quem melhor pra fazer amizade senão a Dory, não é mesmo? Enquanto muitos se afastam e não querem saber dos seus problemas, Dory arruma um tempo, em meio à confusão que está a sua vida, para ajudar um novo amigo.

A deficiência de todos os tipos e abordada no filme, bem como a superação. Mas é interessante notar como o medo também é uma forma de deficiência, pois ele nos limita. Marlin mais uma vez é exemplo disso, um peixe “normal”, mas que restringe suas escolhas por puro medo. Dory não é assim, ela não tem medo e ensina seus amigos a viverem assim também

Procurando Dory é, na minha opinião, mais emocionante que o primeiro, além de ser uma bela sequência. Divertida, emocionante e inspiradora.

Fiquem até o final porque tem cena pós-créditos e se liguem no curta Piper, exibido antes do filme, é lindo também.

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