O Gato leu: Dois Irmãos

Dois Irmãos – Fábio Moon e Gabriel Bá (baseado no romance de Milton Hatoum)
Editora: Quadrinhos na Cia. (Companhia das Letras)
Ano: 2015
Páginas: 232
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Já faz algum tempo que este livro está na minha TBR. Eu e minha irmã acompanhamos pelas redes sociais todo o processo de realização desse trabalho pois somos fãs dos gêmeos Moon e Bá. Então, quando vimos que eles fariam a adaptação do romance de Milton Hatoum para uma graphic novel tínhamos certeza que seria incrível. E foi.

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Fazia muito tempo que eu não pegava um livro e lia do começo ao fim no mesmo dia e sem intervalos. Dois Irmãos me fez virar as páginas freneticamente e despertou um misto de sentimentos em relação aos seus personagens que são tão viscerais e reais.

O livro conta a história dos irmãos gêmeos Yaqub e Omar, descendentes de libaneses e que nasceram em Manaus. Desde muito pequenos, os gêmeos mostravam que só o que partilhavam de igual era a fisionomia. Seus desejos e ambições eram completamente diferentes, bem como a forma de se relacionar com as pessoas.

Dois Irmãos fala justamente sobre relacionamentos, ou sobre a ausência deles. A diferença de identidade entre os irmãos se reflete numa crise familiar. Sua mãe, pai e irmã, além de Domingas, empregada da família, e seu filho tem visões diferentes sobre o comportamento dos rapazes. O que é certo para um, é intolerável para o outro.

A história é narrada pelo filho da empregada que tenta entender sua própria identidade através dos dramas que testemunhou e viveu dentro de uma família que nunca foi a sua. Egos, vingança, amor, admiração e morte estão dentro desta trama que reflete também a passagem do tempo e as mudanças politicas e sociais que o Brasil viveu.

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A edição da graphic novel não é em capa dura, algo que estranhei, mas não me causou nenhum transtorno. A escolha artística de Moon e Bá pelo preto e branco foi fundamental para dar toda a carga dramática que essa história pedia. Closes e cenários deslumbrantes estão entre os maiores privilegiados destes desenhos com grande contraste e jogos de luz e sombra.

Leitura imperdível!

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O Gato viu: Capitães da Areia

Eu amo tanto esse filme. Já perdi a conta de quantas vezes eu assisti e por isso mesmo que achei que tinha que indicá-lo no blog. <3

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Capitães da Areia é  baseado no livro homônimo de Jorge Amado. Dirigido por sua neta, Cecília Amado, tem como tema principal a vida de meninos de rua que viviam em um trapiche e praticavam assaltos na cidade de Salvador. Ele foi lançado em 2011, nas comemorações do centenário do autor.

Na trama, Pedro Bala (Jean Luís Amorim), Professor (Robério Lima), Gato (Paulo Abade), Sem Pernas (Israel Gouvêa) e Boa Vida (Jordan Mateus) são adolescentes abandonados por suas famílias. Como uma comunidade, eles vivem com outros garotos abandonados no Trapiche e crescem pelas ruas de Salvador. Para viver, eles praticam uma série de assaltos, o que os torna conhecidos da polícia.

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Um dia Professor conhece Dora (Ana Graciela) e seu irmão Zé Fuinha (Felipe Duarte), que também estão vivendo nas ruas. Ele os leva até o Trapiche, porém, uma garota é algo que os meninos não estão acostumados a ter como presença. Pedro Bala consegue acalmar a situação e permite que Dora e o irmão fiquem por algum tempo. Só que, aos poucos, nasce o afeto entre o líder dos Capitães da Areia e a jovem.

Preciso falar que tenho um crush muito forte pelo Pedro Bala. Sou completamente apaixonada por ele. <3

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Esse filme, a meu ver, não foi feito para a critica internacional (apesar de ser uma das nossas obras mais belas), mas sim para nós mesmo, brasileiros. É nossa realidade nua e crua. Jorge Amado escreveu Capitães da Areia em 1937, mas em tempos de redução da maioridade penal e aumento da criminalidade, ele nunca esteve tão atual.

A violência entre os jovens é somente a ponta de um iceberg gigantesco que é a questão social brasileira. Capitães da Areia (o filme e o livro!) é uma autocrítica necessaria.

 Leiam o livro também!

O Gato viu: As Vantagens de Ser Invisível

Já fazia muuuito tempo que eu queria ver esse filme, mas nunca tinha oportunidade. Finalmente eu assisti As Vantagens de Ser Invisível!

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O filme conta a história de Charlie (Logan Lerman), um garoto de 15 anos que entra num colégio enquanto se recupera de uma depressão profunda, que lhe rendeu tendências suicidas; e da perda de seu único amigo. A vida escolar não é fácil para uma pessoa com problemas simples, imagine para Charlie, que ainda tem, em seu coração, feridas não cicatrizadas. Ele guarda todos os seus sentimentos para si e às vezes escreve para o seu falecido amigo como está sendo a sua vida.

No colégio, o jovem está se forçando em uma jornada de socialização. Ele conhece dois veteranos, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), que o acolhem em seu mundinho à parte dos populares da escola.

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O filme é sincero e mostra como as pessoas afetam a vida das outras, seja para o bem ou para o mal. Nossas experiencias nos marcam e, às vezes, é difícil se recuperar e crescer, tendo que lidar com eternas lembranças.

As Vantagens de Ser Invisível é engraçado e triste, como a vida com seus altos e baixos. Muitas vezes é duro e nos deixa com o coração apertado e, em outras, nos deixa eufóricos.

Não pensem que esse é um filme adolescente, pois não é. É um filme com um trio de protagonistas adolescentes que vivem experiências que os amadurecem. As Vantagens de Ser Invisível é inteligente e delicado.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de Stephen Chbosky.

Já estou louca para ler a obra original. Assim que ler posto a resenha para vocês! 🙂

O Gato viu: O Jogo da Imitação

07 de junho. Em 2015 a Parada Gay estava acontecendo em São Paulo e nessa mesma data, em 1954, Alan Turing se suicidou. Em 07 de junho, eu assisti O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014).

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Na cinebiografia do matemático Alan Turing (Benedict Cumberbatch), descobrimos o quanto seus conhecimentos em matemática e lógica foram importantes durante a Segunda Guerra Mundial.

Os alemães utilizavam a famosa máquina Enigma para enviar suas comunicações. A Enigma criptografava as mensagens e tornava impossível para que os Aliados ou quaisquer outros a desvendassem. Turing imaginava que somente uma máquina seria capaz de descobrir os códigos de outra, e essa máquina faria os cálculos e trabalharia com todas as probabilidades de resultados muito mais rápido que qualquer homem. Era o inicio da computação como conhecemos hoje.

Turing e um grupo de outros gênios trabalharam para decifrar os códigos, e ao conseguirem, encurtaram a guerra em anos e salvaram milhares de vidas.

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Conhecemos um pouco da infância do matemático quando ele ainda estudava em um colégio só para rapazes. Solitário, gênio e silencioso, Turing era homossexual e vivia em uma época em que isso era ilegal. Além desse debate, O Jogo da Imitação traz a tona outros conflitos como o que viveu Joan Clarke (Keira Knightley), que também foi alvo de preconceito, por trabalhar com a ciência e ser mulher, quando, o “correto” era que as mulheres tinham que se conformar com empregos sempre subordinados aos homens, como os de telefonista e secretaria.

Turing foi perseguido e condenado. O homem que salvou a vida de muitos se matou.

O Jogo da Imitação é um filme belíssimo e comovente, que dá vontade de chorar de tanta revolta. Um herói da ciência e da guerra foi condenado à morte.

O lado mais particular de um individuo se torna público e todos acham que isso lhes dá o direito de interferir. É incrível o quão danoso é julgar uma pessoa apenas por um aspecto da vida dela, justamente o aspecto menos relevante à situação.

O filme, dirigido por Morten Tyldum, é uma adaptação da biografia “Alan Turing: The enigma”, de Andrew Hodges.

O Jogo da Imitação é um filme necessário, ainda mais nesses tempos de discursos preconceituosos.

Vale muito a pena assistir.

O Gato leu: Morte Súbita

Morte Súbita – J.K. Rowling
Editora: Nova Fonteira
Ano: 2012
Páginas: 656

Morte Súbita é o primeiro livro para adultos da J.K. Rowling, autora da saga Harry Potter. Morte Súbitanão tem nada de Harry Potter, isso vocês precisam saber.

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Desde que eu vi o livro a capa me chamou logo a atenção, cores fortes e design minimalista revelavam que o que importava, de fato, estava do lado de dentro.

Na história, a morte inesperada de Barry Fairbrother, membro da Câmara do vilarejo de Pagford, choca todos os seus habitantes. Esse vilarejo do interior da Inglaterra só tem a aparência de paz. Guerras são travadas, ricos contra os pobres, filhos contra seus pais, esposas contra maridos e professores contra alunos são apenas algumas delas. Há muito preconceito e falsidade, muitas pessoas que fazem de tudo para manter as aparências.

Mentalmente, Andrew rebatia com palavrões os palavrões que o pai dizia. Mentalmente, enfrentava Simon de igual para igual. (Pág. 22)

Quando Barry morre, ficamos sem saber se o odiamos (como um grupo de moradores faz) ou se o idolatramos (como o outro faz). A medida que a noticia da morte dele se espalha, vemos o poder que uma pessoa tem de influenciar a vida de outras. De certa forma, cada pessoa, até uma filha de uma mãe viciada da periferia, sente a morte daquele homem.

Já estava escurecendo. A garota foi encontrar uns amigos lá nos balanços. Sentia-se tensa e irritadiça. Ainda não tinha conseguido assimilar a ideia da morte do sr. Fairbrother, mas não parava de sentir uns socos na boca do estômago e estava louca pra descontar aquilo em alguém. (Pág. 136)

Conhecemos Barry pelo olhar dos outros. Sua cadeira vazia, deixada no Conselho Municipal, é a fonte da maior das guerras, a partir da eleição a cidade vai ter revelações inesperadas e bombásticas. Imaginem, numa cidade de interior, o poder de um boato.

Colin passara a via inteira se preparando para catástrofes. Estava pronto. Pegou o casaco. (Pág. 609)

O final  de Morte Súbita é chocante e incrível.

Eu nem sei bem o que falar pra vocês, apenas digo que Morte Súbita foi o melhor livro que li nesse primeiro semestre de 2015. A J.K. mostrou que é uma escritora incrível, não que alguém duvidasse disso, mas ela se mostrou capaz de transitar da magia à realidade brutal com maestria.

ADAPTAÇÃO PARA A TV

Morte Súbita virou minissérie, dirigida por Jonny Campbell, pela BBC e com três capítulos. Porém, Sara Phelps, a roteirista que adaptou o livro, informou que o final teve que ser alterado. Quem ler a obra original vai sentir o drama que é esse final, então dá pra imaginar o motivo. Eu assistiria, com toda certeza, mas sei que algumas pessoas simplesmente não aguentam e desligam a TV. Outras séries já tiveram essa experiência.

É o que eu sempre digo: é uma adaptação, o que funciona pra uma mídia, não vai funcionar sempre para a outra.

Por isso leiam o livro! Garanto que vale muito a pena!