O Gato viu: Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme

O desafio era grande: trazer para a tela do cinema as histórias da turma do Charlie Brown e do beagle mais amado das tirinhas em quadrinhos. Deu certo!

Snoopy e Charlie Brown - Peanuts, O Filme

Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme é uma bela homenagem ao trabalho de  Charles M. Schulz. Com uma nova forma nunca vista antes (em animação 3D), o filme conta a história de uma mudança na vida de Charlie Brown, em plenas férias de inverno. Chega na cidade uma linda garotinha de cabelo vermelho, que será vizinha do jovem.

Charlie Brown é tímido e atrapalhado, mas se encanta de cara pela menina. Para conseguir falar com ela, terá que vencer seus próprios medos. Ele procura ajuda e ouve conselhos desde a ranzinza Lucy, passando por sua doce irmã, Sally, até o sempre amigo, Linus. Mas quem o ajuda mesmo é o seu inseparável cachorro, Snoopy.

O beagle, entre um capitulo ou outro da aventura que cria em sua máquina de escrever, consegue ter ideias para levantar a moral do amigo e ajudá-lo a dar, literalmente, os passos em direção a sua amada.

Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme tem uma hora e meia de duração e consegue divertir do inicio ao fim. É uma história encantadora sobre autoestima e amizade.

Vale muito a pena conferir!

O Gato viu: Os Oito Odiados

Quentin Tarantino é o meu diretor preferido, porém eu nunca tinha ido ver um filme seu no lançamento. Até Django, meu preferido, eu vi no circuito alternativo, mais de um ano após a estreia.

Mas para assistir Os Oito Odiados foi diferente, me preparei e fiquei de olho nas datas. Marquei um dia e fui logo ver, e que incrível que foi!

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Os Oito Odiados tem todos os elementos da estética do Tarantino: trilha impecável, personagens fortes e surpreendentes, diálogos marcantes e um roteiro incrível. Sua narrativa se assemelha muito ao estiloso Cães de Aluguel.

Na trama, o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russell) está transportando a famosa criminosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), até a cidade para receber seu pagamento. No caminho, eles encontram o também caçador de recompensas, Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está em outro trabalho, além de Chris Mannix (Walton Goggins), o qual diz ser o xerife que está prestes a ser empossado na cidade que é o destino de todos.

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Uma forte nevasca se aproxima, impedindo a viagem de prosseguir.  Então, os viajantes vão se refugiar no Armazém da Minnie, local onde quatro outros desconhecidos já estão abrigados. Essas oito pessoas estarão confinadas dentro da estalagem durante uma nevasca que pode duram dias. Aos poucos, os segredos de todos passam a ser descobertos, e tudo se encaminha para um inevitável confronto entre eles.

O interessante é que cada personagem tem uma história sobre si que pode ou não ser verdade. Nunca sabemos em quem se pode confiar e no que irá acontecer a seguir.

O clima de tensão em Oito Odiados é constante, mas ele ainda tem uma boa dose de humor. Grande parte dele se deve a protagonista feminina da história. Daisy Domergue é o alivio cômico, mas tem seus bons momentos de carga dramática também. Kurt Russell também está incrível, fazia tempo que eu não o via em ação e gostei muito da sua atuação.

O filme é longo (tem pouco mais de três horas de duração) e pode ser dividido em dois momentos: o primeiro, mais lento e com uma morosidade proposital do Tarantino (se é que posso me arriscar a dizer isso); e o segundo, com uma tragédia sanguinolenta e debochante.

Acho que vale a pena a conferida! Eu gostei bastante! 🙂

O Gato viu: Star Wars VII – O Despertar da Força

Esse post é sem spoilers, fica tranquilo. 🙂

Finalmente o sétimo filme da franquia Star Wars estreou! E que estreia!

J. J. Abrams, o diretor, está de parabéns. Entendeu o que significa Star Wars e respeitou a história.

Na trama, décadas se passaram desde a queda de Darth Vader e do Império. Mas como a galáxia é bem grande, sua mensagem não se perdeu. Surgiu, então, uma nova ameaça: a Primeira Ordem, uma organização sombria que deseja destruir a República.

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Perceberam como a história se inverteu? Desta vez é o lado negro que está tentando se firmar, diferente da trilogia clássica em que ele já estava estabelecido.

Luke Skywalker (Mark Hamill) está misteriosamente desaparecido. A Força e os Jedis parecem mais lendas do que realidade.

Poe Dameron (Oscar Isaac), um dos melhores pilotos da Resistência foi enviado ao planeta desértico Jakku para descobrir o paradeiro de Luke, mas essa não será uma tarefa fácil. Finn (John Boyega) é um stormtrooper que está em conflito com o que sente e acredita. Já Rey (Daisy Ridley) é uma moça que vive sozinha catando destroços de naves antigas. Esse trio se encontrará, mas não antes que a Primeira Ordem chegue em seu encalço.

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Além da volta dos atores antigos, o que garante credibilidade e linearidade a história, nós somos apresentados aos novos personagens como o trio já falado e o novo vilão Kylo Ren (Adam Driver) e o General Hux (Domhnall Gleeson). Kylo Ren promete uma boa evolução como vilão.

As cenas de voo, bem como as de luta são incrivelmente bem feitas. Efeitos especiais na medida certa e sem exagero.

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Cheio de referências aos filmes da trilogia clássica, Star Wars VII – O Despertar da Força é bem escrito e não força a barra. Vemos claramente a “jornada do herói” e nada do que acontece na trama é gratuito, tudo é feito para ver-mos a evolução da saga.

Quando vi os trailers pensei que o Finn seria aquele cara chorão e dramático, mas quebrei a cara. Rey é a personagem feminina que precisávamos, quero muito ver do que ela será capaz.

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Star Wars fala sobre poder, liberdade, politica e amizade. É bom ver que o episódio VII não se esqueceu disso.

PS: O BB-8 é a coisa mais fofa do universo, preciso de um brinquedo dele! 

Vale muito, muito, muito a pena conferir!

O Gato viu: Tempos Modernos

Por: Dalissa Cabral

Tempos Modernos se passa no começo do século de XX e nos apresenta uma sociedade industrial, na qual o protagonista, interpretado por Charles Chaplin, é a personificação das críticas à produção industrial da época.

O trabalho em modelo linha de montagem não exigia qualificação profissional do trabalhador, mas contava com uma rotina frenética e repetitiva, que, por consequência, geravam distúrbios psicológicos ao operário.

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Tendo como cenário o fim da segunda Revolução Industrial, Tempos Modernos mostra importantes momentos históricos, como as greves dos trabalhadores industriais e a demissão em massa dos mesmos, o personagem de Chaplin vivencia esses dois momentos – mesmo que não propositalmente.

A personagem da atriz Paulette Goddard ilustra bem o lado contrário de toda a riqueza e desenvolvimento monetário, pois seu papel é de uma filha de pai desempregado e que o perde em uma espécie de reunião grevista. A jovem torna-se, então, moradora de rua. Histórias assim, não estão presentes somente na sociedade daquela época, mas, também na contemporaneidade, devido ao sistema capitalista que cria e fomenta essas situações.

Com o título, Chaplin sugere uma crítica à esse grande desenvolvimento tecnológico em contraste com velhos problemas sociais, como o desemprego, a desvalorização do trabalho e a desigualdade social.

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Em um determinado momento do filme o personagem desse tenta voltar a prisão pois é lá ele acha que deve se “encaixar”, não por acreditar ser um criminoso, mas porque a sociedade em que vive é conturbada demais para ele, frenética demais para alguém se diverte simplesmente em sonhar.

Esse desajuste do personagem fica evidente nas cenas na fábrica, o “desencaixado” sofre para lidar com os colegas de trabalho que não entende os surtos que acometem o protagonista ao se submeter ao desenfreado jeito de trabalhar da indústria. Essa padronização de comportamento é outra crítica do filme à essa sociedade, que pré-determina gostos e maneiras de se portar.

O sociólogo Zygmunt Bauman diz que vivemos em uma “modernidade liquida” na qual os produtos que determinam nossas vontades. Bauman também diz que esses produtos são programados para terem sua validade, para assim o consumidor ser obrigado a comprar a todo momento.

Tanto Zygmunt quanto Chaplin mostram que a modernidade não é tão moderna assim, ela problemas tão antigos quanto o próprio homem, e que agora alcançou a contemporaneidade com exatamente os mesmos problemas. Certamente por isso tais obras, mesmo feitas em anos passados, sejam tão atuais.

O Gato viu: Capitães da Areia

Eu amo tanto esse filme. Já perdi a conta de quantas vezes eu assisti e por isso mesmo que achei que tinha que indicá-lo no blog. <3

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Capitães da Areia é  baseado no livro homônimo de Jorge Amado. Dirigido por sua neta, Cecília Amado, tem como tema principal a vida de meninos de rua que viviam em um trapiche e praticavam assaltos na cidade de Salvador. Ele foi lançado em 2011, nas comemorações do centenário do autor.

Na trama, Pedro Bala (Jean Luís Amorim), Professor (Robério Lima), Gato (Paulo Abade), Sem Pernas (Israel Gouvêa) e Boa Vida (Jordan Mateus) são adolescentes abandonados por suas famílias. Como uma comunidade, eles vivem com outros garotos abandonados no Trapiche e crescem pelas ruas de Salvador. Para viver, eles praticam uma série de assaltos, o que os torna conhecidos da polícia.

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Um dia Professor conhece Dora (Ana Graciela) e seu irmão Zé Fuinha (Felipe Duarte), que também estão vivendo nas ruas. Ele os leva até o Trapiche, porém, uma garota é algo que os meninos não estão acostumados a ter como presença. Pedro Bala consegue acalmar a situação e permite que Dora e o irmão fiquem por algum tempo. Só que, aos poucos, nasce o afeto entre o líder dos Capitães da Areia e a jovem.

Preciso falar que tenho um crush muito forte pelo Pedro Bala. Sou completamente apaixonada por ele. <3

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Esse filme, a meu ver, não foi feito para a critica internacional (apesar de ser uma das nossas obras mais belas), mas sim para nós mesmo, brasileiros. É nossa realidade nua e crua. Jorge Amado escreveu Capitães da Areia em 1937, mas em tempos de redução da maioridade penal e aumento da criminalidade, ele nunca esteve tão atual.

A violência entre os jovens é somente a ponta de um iceberg gigantesco que é a questão social brasileira. Capitães da Areia (o filme e o livro!) é uma autocrítica necessaria.

 Leiam o livro também!