O Gato viu: O Regresso

Quantas vidas Leonardo DiCaprio tem em O Regresso? Aparentemente são infinitas, pois o personagem que ele interpreta não morre nunca.

oregresso - filme - resenha

O Regresso (The Revenant) é um filme dirigido por Alejandro González Iñárritu, baseado no romance homónimo de Michael Punke, inspirado na história real de Hugh Glass.

Em 1822, Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) está, com seu filho, no oeste americano disposto a ganhar a vida caçando. Durante uma expedição, o acampamento de seu grupo é atacado pelos índios pawnees  (em uma bela cena de luta que consegue dar a impressão de que estamos no meio do campo de batalha).

Após o embate, Glass lidera o grupo até um lugar seguro, porém no caminho ele é atacado por um urso e fica gravemente ferido. John Fitzgerald (Tom Hardy), que devia cuidar dele naquele momento, o abandona e ainda comete outros crimes.

Largado a própria sorte em um terreno hostil, mesmo com toda adversidade, Glass consegue sobreviver e inicia uma jornada que mais parece um martírio em busca de vingança.

O Regresso é um filme para o Oscar. Tem excelentes atuações, é bonito e bem feito, mas é muito dramático. Chegamos a torcer pela morte do protagonista, pois já ansiamos pelo fim de seu sofrimento de qualquer jeito.

Leonardo DiCaprio está incrível, merece muito levar o Oscar de Melhor Ator, pois consegue segurar a história praticamente sozinho em um filme com poucos diálogos. A questão da vingança pelo filho foi algo que não me conquistou desde o trailer, confesso que acho que a luta pela sobrevivência tem um apelo muito maior para mim. Foram poucos os momentos em que senti, de fato, um carinho pela ideia do filho e do pai juntos.

Os personagens de Domhnall Gleeson e Will Poulter (além de Tom Hardy, claro), também não decepcionam e garantem excelentes interpretações.

A base da trama dentro de uma “guerra” com os indígenas tem alguna força na história (devia ter mais) e torna decisivos muitos momentos do personagens. A ideia é se questionar: afinal, quem são os verdadeiros selvagens?

Vale a pena dar uma conferida!

O Gato viu: Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme

O desafio era grande: trazer para a tela do cinema as histórias da turma do Charlie Brown e do beagle mais amado das tirinhas em quadrinhos. Deu certo!

Snoopy e Charlie Brown - Peanuts, O Filme

Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme é uma bela homenagem ao trabalho de  Charles M. Schulz. Com uma nova forma nunca vista antes (em animação 3D), o filme conta a história de uma mudança na vida de Charlie Brown, em plenas férias de inverno. Chega na cidade uma linda garotinha de cabelo vermelho, que será vizinha do jovem.

Charlie Brown é tímido e atrapalhado, mas se encanta de cara pela menina. Para conseguir falar com ela, terá que vencer seus próprios medos. Ele procura ajuda e ouve conselhos desde a ranzinza Lucy, passando por sua doce irmã, Sally, até o sempre amigo, Linus. Mas quem o ajuda mesmo é o seu inseparável cachorro, Snoopy.

O beagle, entre um capitulo ou outro da aventura que cria em sua máquina de escrever, consegue ter ideias para levantar a moral do amigo e ajudá-lo a dar, literalmente, os passos em direção a sua amada.

Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme tem uma hora e meia de duração e consegue divertir do inicio ao fim. É uma história encantadora sobre autoestima e amizade.

Vale muito a pena conferir!

O Gato viu: Os Oito Odiados

Quentin Tarantino é o meu diretor preferido, porém eu nunca tinha ido ver um filme seu no lançamento. Até Django, meu preferido, eu vi no circuito alternativo, mais de um ano após a estreia.

Mas para assistir Os Oito Odiados foi diferente, me preparei e fiquei de olho nas datas. Marquei um dia e fui logo ver, e que incrível que foi!

os-oito-odiados-personagens-resenha-maze-blog

Os Oito Odiados tem todos os elementos da estética do Tarantino: trilha impecável, personagens fortes e surpreendentes, diálogos marcantes e um roteiro incrível. Sua narrativa se assemelha muito ao estiloso Cães de Aluguel.

Na trama, o caçador de recompensas John Ruth (Kurt Russell) está transportando a famosa criminosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), até a cidade para receber seu pagamento. No caminho, eles encontram o também caçador de recompensas, Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está em outro trabalho, além de Chris Mannix (Walton Goggins), o qual diz ser o xerife que está prestes a ser empossado na cidade que é o destino de todos.

tim-roth-kurt-russel-og-jennifer-jason-leigh-i-the-hateful-eight

Uma forte nevasca se aproxima, impedindo a viagem de prosseguir.  Então, os viajantes vão se refugiar no Armazém da Minnie, local onde quatro outros desconhecidos já estão abrigados. Essas oito pessoas estarão confinadas dentro da estalagem durante uma nevasca que pode duram dias. Aos poucos, os segredos de todos passam a ser descobertos, e tudo se encaminha para um inevitável confronto entre eles.

O interessante é que cada personagem tem uma história sobre si que pode ou não ser verdade. Nunca sabemos em quem se pode confiar e no que irá acontecer a seguir.

O clima de tensão em Oito Odiados é constante, mas ele ainda tem uma boa dose de humor. Grande parte dele se deve a protagonista feminina da história. Daisy Domergue é o alivio cômico, mas tem seus bons momentos de carga dramática também. Kurt Russell também está incrível, fazia tempo que eu não o via em ação e gostei muito da sua atuação.

O filme é longo (tem pouco mais de três horas de duração) e pode ser dividido em dois momentos: o primeiro, mais lento e com uma morosidade proposital do Tarantino (se é que posso me arriscar a dizer isso); e o segundo, com uma tragédia sanguinolenta e debochante.

Acho que vale a pena a conferida! Eu gostei bastante! 🙂

O Gato viu: Star Wars VII – O Despertar da Força

Esse post é sem spoilers, fica tranquilo. 🙂

Finalmente o sétimo filme da franquia Star Wars estreou! E que estreia!

J. J. Abrams, o diretor, está de parabéns. Entendeu o que significa Star Wars e respeitou a história.

Na trama, décadas se passaram desde a queda de Darth Vader e do Império. Mas como a galáxia é bem grande, sua mensagem não se perdeu. Surgiu, então, uma nova ameaça: a Primeira Ordem, uma organização sombria que deseja destruir a República.

Star Wars VII - O Despertar da Força - filme - resenha - gatoqueflutua (3)

Perceberam como a história se inverteu? Desta vez é o lado negro que está tentando se firmar, diferente da trilogia clássica em que ele já estava estabelecido.

Luke Skywalker (Mark Hamill) está misteriosamente desaparecido. A Força e os Jedis parecem mais lendas do que realidade.

Poe Dameron (Oscar Isaac), um dos melhores pilotos da Resistência foi enviado ao planeta desértico Jakku para descobrir o paradeiro de Luke, mas essa não será uma tarefa fácil. Finn (John Boyega) é um stormtrooper que está em conflito com o que sente e acredita. Já Rey (Daisy Ridley) é uma moça que vive sozinha catando destroços de naves antigas. Esse trio se encontrará, mas não antes que a Primeira Ordem chegue em seu encalço.

Star Wars VII - O Despertar da Força - filme - resenha - gatoqueflutua (4)

Além da volta dos atores antigos, o que garante credibilidade e linearidade a história, nós somos apresentados aos novos personagens como o trio já falado e o novo vilão Kylo Ren (Adam Driver) e o General Hux (Domhnall Gleeson). Kylo Ren promete uma boa evolução como vilão.

As cenas de voo, bem como as de luta são incrivelmente bem feitas. Efeitos especiais na medida certa e sem exagero.

Star Wars VII - O Despertar da Força - filme - resenha - gatoqueflutua (2)

Cheio de referências aos filmes da trilogia clássica, Star Wars VII – O Despertar da Força é bem escrito e não força a barra. Vemos claramente a “jornada do herói” e nada do que acontece na trama é gratuito, tudo é feito para ver-mos a evolução da saga.

Quando vi os trailers pensei que o Finn seria aquele cara chorão e dramático, mas quebrei a cara. Rey é a personagem feminina que precisávamos, quero muito ver do que ela será capaz.

Star Wars VII - O Despertar da Força - filme - resenha - gatoqueflutua - gif

Star Wars fala sobre poder, liberdade, politica e amizade. É bom ver que o episódio VII não se esqueceu disso.

PS: O BB-8 é a coisa mais fofa do universo, preciso de um brinquedo dele! 

Vale muito, muito, muito a pena conferir!

O Gato viu: Tempos Modernos

Por: Dalissa Cabral

Tempos Modernos se passa no começo do século de XX e nos apresenta uma sociedade industrial, na qual o protagonista, interpretado por Charles Chaplin, é a personificação das críticas à produção industrial da época.

O trabalho em modelo linha de montagem não exigia qualificação profissional do trabalhador, mas contava com uma rotina frenética e repetitiva, que, por consequência, geravam distúrbios psicológicos ao operário.

tempos modernos - filme - resenha (1)

Tendo como cenário o fim da segunda Revolução Industrial, Tempos Modernos mostra importantes momentos históricos, como as greves dos trabalhadores industriais e a demissão em massa dos mesmos, o personagem de Chaplin vivencia esses dois momentos – mesmo que não propositalmente.

A personagem da atriz Paulette Goddard ilustra bem o lado contrário de toda a riqueza e desenvolvimento monetário, pois seu papel é de uma filha de pai desempregado e que o perde em uma espécie de reunião grevista. A jovem torna-se, então, moradora de rua. Histórias assim, não estão presentes somente na sociedade daquela época, mas, também na contemporaneidade, devido ao sistema capitalista que cria e fomenta essas situações.

Com o título, Chaplin sugere uma crítica à esse grande desenvolvimento tecnológico em contraste com velhos problemas sociais, como o desemprego, a desvalorização do trabalho e a desigualdade social.

tempos modernos - filme - resenha (2)

Em um determinado momento do filme o personagem desse tenta voltar a prisão pois é lá ele acha que deve se “encaixar”, não por acreditar ser um criminoso, mas porque a sociedade em que vive é conturbada demais para ele, frenética demais para alguém se diverte simplesmente em sonhar.

Esse desajuste do personagem fica evidente nas cenas na fábrica, o “desencaixado” sofre para lidar com os colegas de trabalho que não entende os surtos que acometem o protagonista ao se submeter ao desenfreado jeito de trabalhar da indústria. Essa padronização de comportamento é outra crítica do filme à essa sociedade, que pré-determina gostos e maneiras de se portar.

O sociólogo Zygmunt Bauman diz que vivemos em uma “modernidade liquida” na qual os produtos que determinam nossas vontades. Bauman também diz que esses produtos são programados para terem sua validade, para assim o consumidor ser obrigado a comprar a todo momento.

Tanto Zygmunt quanto Chaplin mostram que a modernidade não é tão moderna assim, ela problemas tão antigos quanto o próprio homem, e que agora alcançou a contemporaneidade com exatamente os mesmos problemas. Certamente por isso tais obras, mesmo feitas em anos passados, sejam tão atuais.