O Gato leu: Contos Fluminenses

Contos Fluminenses – Machado de Assis
Editora: L&PM Pocket
Ano: 2008
Páginas: 240
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Na época do colégio nos lemos e ouvimos falar muito sobre Machado de Assis, mas depois que os estudos acabam ainda são poucas as pessoas que voltam às suas obras, não é mesmo? Eu li muitos dos seus romances, mas não lembro de ter tido contato com os contos.

Se te achas com força de ser o Colombo daquele mundo, lança-te ao mar com a armada; mas toma cuidado com as revoltas das paixões, que são os ferozes marujos destas navegações de descoberta. (Pág. 26)

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O livro Contos Fluminenses é a estreia do autor nessa modalidade. Temos os sete contos na obra, são eles: Miss Dollar; Luís Soares; A mulher de preto; O segredo de Augusta; Confissões de uma viúva; Linha reta e linha curva e Frei Simão. Os primeiros são sem duvida os melhores, mas encontramos em todos as características da escrita de Machado de Assis, como a narrativa urbana, o debate sobre os aspectos sociais e morais, além da conversa entre o autor e o leitor, tudo isso embalado em muita ironia.

Trocar o dia pela noite, dizia Luís Soares, é restaurar o império da natureza corrigindo a obra da sociedade. O calor do Sol está dizendo aos homens que vão descansar e dormir, ao passo que a frescura da noite é a verdadeira estação em que se deve viver. (Pág. 42)

Ainda que sejam historias datadas, elas não deixam que despertar curiosidade, pois Machado conseguia prender o leitor em uma conversa despreocupada, mas instigante. Nessa época ele ainda estava preso à estética do Romantismo, mas já começava a dar seus passos em direção ao Realismo, do qual viria a ser o primeiro nome no Brasil.

Para quem quer embarcar na literatura brasileira e não sabe bem por onde começar, eu indico essa seleção de contos, pois apesar de apresentar uma linguagem de época, possui fácil compreensão, além de ser muito divertido.

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O Gato leu: O Bom Dinossauro – A História do Filme em Quadrinhos

O Bom Dinossauro – A História do Filme em Quadrinhos
Editora: Coquetel/Pixel
Ano: 2016
Páginas: 60
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Já teve resenha do filme O Bom Dinossauro por aqui no blog e a sua história em quadrinhos segue a mesma linha.

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“Há 65 milhões de anos um asteroide não atingiu a Terra, e mudou o mundo para sempre…” assim inicia-se a graphic novel, nos situando na história e introduzindo Arlo, o protagonista, a partir de seu nascimento.

Arlo é um jovem e medroso dinossauro verde, que por uma infelicidade de acontecimentos se vê longe de casa, em um lugar que lhe é totalmente desconhecido e sem saber como voltar. É nessa situação complicada que ele conhece Spot, um filhote humano e valente que age como cachorro. Essa amizade irá tranformar a vida dos dois para sempre.

O Bom Dinossauro – A História do Filme em Quadrinhos da Coquetel, lançado pelo selo Pixel, é uma excelente adaptação do filme. Com cores vivas e uma arte simples e limpa, o livro traz os pontos principais e mais emocionantes do longa, como por exemplo a tocante cena em que Arlo e Spot relembram de suas famílias. Vale ressaltar o cuidado com a edição que contêm uma ilustração linda na folha de guarda, além da apresentação dos personagens que se destacam  na aventura do jovem dinossauro.

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O Gato leu: O Planeta dos Macacos

O Planeta dos Macacos – Pierre Boulle
Editora: Aleph
Ano: 2015
Páginas: 216
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Parece que o jogo virou não é mesmo?

Nunca essa frase fez tanto sentido quanto neste livro.

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Na trama, em um futuro não muito distante, três astronautas pousam em um planeta bastante parecido com a Terra. Ele é repleto de florestas, com um clima ameno e ar perfeitamente respirável. Mas esse lugar, que indicava ser um paraíso desconhecido, não é o que parece. Em pouco tempo, os desbravadores descobrem uma terrível verdade, nesse mundo, os seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante… os macacos.

Essa é uma história que me marcou muito quando vi o filme ainda criança e fiquei com um medo de macacos que dura até hoje. Mas já adulta percebi que o medo na verdade é do ser humano, pois é assim que os macacos agem neste livro, como nós humanos, com toda a nossa suposta superioridade ante as outras espécies.

No planeta Soror, a realidade parecia completamente ao avesso: estavamos às voltas com habitantes semelhantes à nós do ponto de vista físico, mas que pareciam completamente destituidos de razão. (Pág. 36)

O jornalista francês Ulysse Mérou é o tripulante que narra esse jeito único de nos enxergarmos no espelho e nos depararmos com as nossas falhas. Preconceito, machismo, estrutura de classes e desrespeito à vida são apenas algumas das características tão humanas que vemos nestes macacos.

Pode parecer absurdo, mas o quão absurdo não é usar outras espécies como cobaias? Ou achar que aquele colega de trabalho é inferior a você?

O Planeta dos Macacos é uma autocrítica mais do que necessária. A obra de Pierre Boulle foi publicada pela primeira vez em 1963 e ainda está tão atual. Considerado um clássico da ficção cientifica, creio que em virtude da escrita do autor ser simples e muito acessível, ele é capaz de conseguir atingir até os leitores que não estejam familiarizados com esse estilo literário. É uma grande abordagem social.

– Suponho – disse ela rindo – que os homens da Terra não estejam acostumados a ser mantidos assim na coleira e puxados por um macaco…(Pág. 93)

É engraçado que, a medida que eu lia o livro, achava a primeira parte dele meio desconexa do resto da história, mas quando cheguei no final ela se amarrou de uma maneira magnifica e eu não pude deixar de sentir um nó no estômago ao imaginar este como o futuro da raça humana.

Essa edição da Aleph está belíssima e é feita no estilo de um caderno, como se parecesse um diário de anotações de um cientista. Os extras como uma entrevista com o autor sobre a série de filmes; um ensaio jornalístico contando um pouco mais sobre o passado de Boulle e os comentários de Braulio Tavares sobre a história da ficção cientifica francesa tornam esta uma edição completa e questionadora.

Vale muito a pena conferir!

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O Gato leu: Batman ’66

Batman ’66 – Jeff Parker e Jonathan Case
Editora: Panini Comics
Ano: 2014
Páginas: 132
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Se você procura uma história leve e divertida, Batman ’66 é a escolha certa.

Com bom humor, a graphic novel traz histórias de aventura e ação no estilo da série de TV da década de 1960, que contava com Adam West e Burt Ward nos papeis de Batman e Robin, respectivamente.

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Se hoje as histórias do morcego são pesadas e repletas de criticas sociais, nestas a morte de inocentes pode ser combatida com um simples POW! do vigilante de Gotham. Os predicados não faltam na hora de ser referir ao Batman ou ao menino-prodigio, este ainda conta com todo um extenso vocabulário derivado da palavra “santa”, como “santa corda esticada”,  “santo roubo de túmulos” ou “santa base de fãs”.

Do nome do heroi também derivam uma infinidade de títulos para seus utensílios, como “Bat-raio”, “Bat-algemas”, “Batcóptero” e por ai vai, bem como era na série televisiva. Pode parecer trash, mas é bem lúdico e engraçado. Jeff Parker (roteiro) e Jonathan Case (arte) fizeram um trabalho muito interessante, as cores de Wes Hastman também fazem toda a diferença.

Em Batman ’66 temos aventuras da dupla dinâmica contra o Charada, a Mulher-Gato, o Pinguim, o Senhor Frio, além é claro, do Palhaço do Crime, o Coringa. O encadernado de luxo, com capa-dura traz as histórias publicadas originalmente em Batman ’66 – 1 a 4.

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É bem cômico e eu indico para os fãs que desejam conhecer mais da trajetória dos Morcego e de como ele já foi retratado antes.

Vale a pena conferir!

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O Gato leu: O Quarto Vermelho

O Quarto Vermelho – Nicci French
Editora: Record
Ano: 2007
Páginas: 448
Compre: Amazon| Livraria da Travessa | Saraiva

Já fazia um bom tempo que eu tinha este livro na minha estante. Comprei porque estava barato e porque era uma história com um maníaco assassino, duas qualidades que admiro em um livro, rs.

Não sabia nada sobre ele ou sobre sua autora. Descobri depois  que  Nicci French é um pseudónimo literário de Nicci Gerard e Sean French, um casal que escreve junto. Bacana, né? Um de seus livros até deu origem a um filme.

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O Quarto Vermelho foi um livro que me surpreendeu muito. No Skoob ele não está tão bem avaliado, mas acho que é por conta da escrita arrastada. De fato é uma história que vai se desenrolando de maneira bem lenta e isso pode cansar.

Na trama, acompanhamos a psiquiatra criminal Kit Quinn, que atua como consultora da policia de Londres. Ela está sempre tem que lidar com inconsciente dos suspeitos e dos cruéis assassinos. Um desses suspeitos é Michael Doll, alguém que ela já conhece e que a marcou profundamente no passado, deixando sequelas na sua auto-estima e fazendo com que muitos (e ela mesma) questionem sua profissão e atuação.

Eu queria parecer relaxada e acessível, mas ao mesmo tempo profissional. Eu era a médica, uma pessoa acessível, mas não uma amiga. (Pág. 53)

Uma menina de rua foi morta às margens de um canal. Doll é o principal suspeito e Kit é chamada para sondá-lo. Mergulhamos na vida da psiquiatra de o suspeito, cada um com seus problemas e mistérios. Enquanto a policia já está pronta para encerrar o caso, Kit não está plenamente satisfeita e descobre outras pistas que indicam que a resolução não é algo tão simples assim.

Mistérios e reviravoltas mostram que o assassino pode ser alguém próximo, ao mesmo tempo em que Doll parece estar sempre próximo quando algo de ruim acontece. Ao ler sobre este homem temos um misto de sensações que vão do nojo à pena. Em certos momentos a leitura é quase sintética e eu senti como se estivesse suja e precisasse tomar um banho pra me limpar de tudo aquilo também.

No canto do cômodo entulhado, que fazia às vezes de sala de estar e cozinha, havia dois grandes ossos. Uma nuvem de moscas zumbia ao redor deles e também ao redor de uma tigela colocada no chão, cheia até a metade de comida pra cachorro gelatinosa. (Pág, 57)

A vida pessoal de Kit também está totalmente abalada, ela vai apenas deixando as coisas acontecerem e a irem levando. Levando até mesmo em direção ao quarto vermelho, lugar onde pesadelos se tornam reais.

Mistério, perseguição, estranhos telefonemas, visitas inesperadas e uma obsessão bizarra estão presentes neste livro.

FOCO SOCIAL

Uma coisa que percebi muito nesse livro foi a visão machista dos policiais. Kit sofreu um trauma e isso a abalou, é lógico, só que dai eles pouco dão atenção ao que ela tem a dizer sobre o caso. Querem dela um relatório e ponto final, quando ela não o faz, a acusam de louca. Mesmo Kit provando várias vezes que estava certa em seu raciocínio, tudo é feito para ela a contra gosto.

Eu nem sempre conseguia saber se estava levando um tapinha nos ombros ou um soco nas costelas. Se eu fosse homem talvez conseguisse distinguir a diferença. (Pág. 192)

Outro destaque dessa trama é ver a condição dos jovens. Muitos estão em situação de risco ou em conflito com a lei. Esses jovens sem pai ou proteção, com um amadurecimento rápido e forçado perdem sua inocência nas ruas.

É engraçado que para um livro arrastado, O Quarto Vermelho teve um final corrido. Não que as coisas não se expliquem, tudo fica claro. O que gostei muito foi a questão psicológica, temos analises de vários personagens na trama, o que nos faz questionar a condição humana, bem como imaginar vários suspeitos para o crime.

Vale a pena conferir!

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