O Gato leu: A Procura de Vida Inteligente

A Procura de Vida Inteligente – Victor Allenspach
Editora: Edição do autor
Ano: 2015
Páginas: 196
Compre: Amazon

Já disse por aqui que, pra mim, as resenhas mais difíceis de se fazer são aquelas dos livros que gostei muito de ler. Por isso, será complicado encontrar a objetividade necessária para a resenha de A Procura de Vida Inteligente, que considero umas das melhores leituras que fiz até agora neste ano.

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Quando o autor Victor Allenspach entrou em contato comigo dizendo que queria me enviar um exemplar para leitura eu fiquei curiosa. Ele me contou que seu livro tem forte influencia de Douglas Adams e me lembrei de que eu não me apaixonei pelo O Guia do Mochileiro das Galáxias, primeiro livro da série escrita por Adams e único que li até hoje. Algo que tinha essa referência poderia ser uma leitura que não me agradasse.

Ter opinião sobre as coisas é algo confuso, um mistério subjetivo. (Pág. 07)

Isso não aconteceu. Encontro referencias à escrita do autor, mas Victor tem uma narrativa própria. A Procura de Vida Inteligente é um livro com uma história de ficção científica muito acessível. Ainda que a forma de narrar de maneira não linear possa não agradar todos, ela é um dos pontos fortes dessa história.

É um livro com uma escrita sarcástica, irônica e muitas vezes agressiva por nos dizer coisas que não queremos ouvir e não queremos aceitar. Parece que a leitura não se encerra na ultima página, uma nova reflexão surge a cada nova experiência que vivemos e as palavras adquirem outros significados.

“A dor desperta suas emoções, e sente-se humano novamente. Não é mais controlado, e por isso se revolta, mas ironicamente a responsabilidade por suas próprias decisões desperta a sua razão. (Pág. 36)

Na trama, sem motivo ou explicação, uma mensagem surge diante de todos os seres do universo. O fim dos tempos é anunciado. Esta é uma mensagem tão carregada de significado para Boris.

Boris é um robô sem memória. Ele não nasceu. Também não foi criado ou educado. Como tantos outros, ele apenas foi produzido e programado. Assim, ele pode não morrer da maneira como a raça humana entende, mas ele está sempre diante do risco da reciclagem e do fim que esta representa. Ser ultrapassado e considerado inútil é uma realidade que se torna comum até para aqueles feitos de partes mecânicas.

Em que isso difere da própria existência humana? Em nada.

Num instante tudo faz sentido. Não o universo, a física ou as questões existenciais, mas tudo o que precisa fazer. (Pág. 105)

De figurante a protagonista, séculos se passam à espera de uma oportunidade. Na busca por liberdade, Boris sequer imagina que já a alcançou a muito tempo, mas optou por uma existência cheia de limites e algum significado.

A necessidade de dizer alguma coisa é bastante estranha, para não dizer humana. (Pág. 160)

Através desse robô vemos uma reflexão sobre a humanidade. Criação, leis, relacionamentos, perdas, vida e morte. A iminência de um destino que foi calculado e que não pode ser evitado. Boris somos nós nesse ambiente hostil que é a vida.

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O Gato leu: Quissama – O Império dos capoeiras

Quissama – O Império dos capoeiras – Maicon Tenfen
Editora: Biruta
Ano: 2014
Páginas: 308

Eu fico muito feliz de começar uma parceria assim. Quando fiz a solicitação desse livro para a Editora Biruta tinha uma boa expectativa, que fui incrivelmente superada! Não foi a toa que em 2015 ele foi Finalista do Prêmio Jabuti 2015, na categoria Juvenil.

Quissama – O Império dos capoeiras é o tipo de livro que eu ficaria muito feliz de ter lido quando era adolescente. Literatura nacional de qualidade, com uma boa dose de crítica social embalada por muita aventura. Hoje, já adulta, o livro ainda conseguiu surtir todo esse efeito em mim.

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A trama se passa no Rio de Janeiro, em dezembro de 1868. O moleque Vitorino Quissama fugiu da senzala para procurar sua mãe que desapareceu misteriosamente. Ele recorre ao viajante inglês Daniel Woodruff, ex‑agente da Scotland Yard em busca de ajuda nessa missão. Os feitos de Daniel como detetive são conhecidos por todos na cidade, dos senhores até os escravos em suas senzalas.

Daniel se recusa, está cansado do Rio, mas é sugado para dentro dessa situação que se mostra muito maior que o desaparecimento da mãe de Vitorino. Uma conspiração para mudar a história do país estava acontecendo. Vitorino e Daniel se vêem enfrentando os perigos e as injustiças dessa sociedade escravocrata em busca de respostas que se apresentam cada vez mais assustadoras.

Nesse livro, todos os personagens são bem feitos. Vitorino é moleque, um menino ainda guiado somente pelas emoções, mas é dele que vem a inspiração para a luta. Daniel, o narrador da história, não é um Sherlock Holmes da vida, ele tem bom faro, mas não é do tipo que desvenda o caso de primeira  e isso torna a história muito mais crível. Temos um vilão, intitulado Alemão, que é bem assustador e cumpre seu papel, apesar de que nessa trama a sociedade toda tem culpa. Não posso deixar de destacar Miguelzinho da Viúva, amigo português de Daniel, que é carismático e conquista o nosso coração. A participação do escritor José de Alencar, então ministro da Justiça na época, também deixa a história muito mais interessante.

Maicon Tenfen brinca com nossa cabeça ao dizer que o livro é baseado nos manuscritos de Daniel, eu passei a leitura toda imaginando tudo acontecendo de verdade pelas ruas do Rio. Esse recurso é bem interessante e dá um ritmo diferente à história. Eu gostei muito. As ilustrações de Rubens Belli também são incríveis.

Em entrevista ao blog Desbravador de Mundos, o autor disse que Quissama – O Império dos capoeiras terá continuações e foi planejado para ser uma trilogia, passando pela Guerra do Paraguai e retornando ao Rio de Janeiro. Estou louca para ler sobre as novas aventuras dos personagens.

Esse livro é incrível e vale muito a pena conferir!

O Gato leu: Para Entender a TV Digital

Para Entender a TV Digital – Valério Cruz Brittos e Denis Gerson Simões
Editora: INTERCOM
Ano: 2011
Páginas: 98

Eu acho que tenho lido mais livros acadêmicos depois de formada do que em todos os meus anos de graduação. Se bem que o livro dos professores Valério e Denis se propõe em trazer a sociedade e as pessoas de fora da universidade para o debate sobre esse novo paradigma que é a TV Digital no Brasil. Isso é louvável.

Foto - Debb Cabral

Os autores nos dão um panorama da produção televisiva no país e de como ela relaciona seus interesses com os do mercado e da politica, deixando de lado as necessidades do público. No Brasil, TV é concessão pública, mas isso parece ser somente algo bonito escrito no papel e sem significado algum para os donos dessa grande mídia.

Só que a internet chegou com tudo, trazendo novas possibilidades e tornando o público, que antes era mero espectador, em produtor de conteúdo. Se na televisão o controle sob demanda era somente para os que assinavam esse serviço, na internet somos nós que escolhemos o que queremos ver e na hora em que queremos.

A disputa para impedir que novas empresas de comunicação entrem no ramo televisivo foi uma das tônicas do processo de escolha do sistema de digitalização brasileiro, assim como a busca de medidas capazes de deter a migração de espectadores da televisão para outros meios, como computadores e jogos eletrônicos. (Pág. 15)

Tudo isso e, muitas outras coisas mais, pediram uma mudança. Essa mudança que pode ser vista apenas como técnica, também reflete no modo de se fazer TV. Uma TV móvel, desprendida do aparelho tradicional e mais interativa.

Só pra não deixar dúvidas:

INTERAÇÃO ≠ CONSUMIR CONTEÚDO

TV DIGITAL ≠ ALTA DEFINIÇÃO

Apesar de encontrar erros de formatação e revisão em algumas páginas do livro, essa é uma leitura recomendada pra quem deseja entender porque a TV Digital pede mais do que um aparelho diferente, e sim uma abordagem mais social, levando em conta o comportamento, as práticas de consumo e a necessidade do público.

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O Gato leu: Meu Refúgio

Meu Refúgio – Diuni Rolim
Editora: Braga
Ano: 2002
Páginas: 55

Este livro apesar de ter uma capa pouco atrativa, possui uma história singular e interessante.

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Ele conta a história de Heloísa, uma jovem que com 14 anos procurou a psicoterapia em busca de ajuda. Ela não queria autoconhecimento, nem buscava uma melhor adaptação à família ou à sociedade. O que ela precisava era reaver as coisas do seu passado.

Heloísa tem pai, mãe e duas irmãs gêmeas, mas não possui nenhum relacionamento com ninguém. A jovem vive a vida no piloto automático há muito tempo. Antes disso ela vivia em um refúgio, na casa da montanha. Segundo ela, lá era verdadeiramente feliz. Mas o que houve? Por que tudo mudou?

Para uma criança de oito anos, aceitar representar esse papel numa peça chamada “vida” era amargamente doloroso. (Pág. 23)

É isso que a jovem tenta entender, o seu passado. Fábio, o psicólogo, deixa que ela leve o tempo que precisa para se sentir à vontade. Sem forçar a barra, estimula a garota a contar mais sobre si e sobre as duas diferentes fases da sua vida.

Percebemos então, a necessidade de falar sobre o que sentimos e sobre como lidamos com esses sentimentos. Muitas vezes a fantasia se torna a maneira mais fácil de lidar com a realidade que se transforma a nossa revelia.

Foi aí que comecei o jogo de fingir. Seguia os movimentos da vida, mas tendo o cuidado de não viver. (Pág. 27)

Abandono, amadurecimento e depressão infanto-juvenil estão entre os temas abordados por esse livro.

O Gato leu: Divertida Mente – A História do Filme em Quadrinhos

Divertida Mente – A História do Filme em Quadrinhos
Editora: Coquetel/Pixel
Ano: 2016
Páginas: 60
Compre: Amazon | Submarino | Americanas | Livraria da Travessa | Cultura | Saraiva

Eu me encantei muito com a animação Divertida Mente, achei incrível e emocionante.

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Pelo visto não fui só eu que tive os sentimentos despertados por essa história, pois ela saiu do cinema e agora temos a versão em HQ!

A trama é a mesma do filme, que conta a história de Riley, uma menina de 11 anos guiada por suas emoções: Alegria, Medo, Nojinho, Raiva e Tristeza.

Alegria é quem está sempre atenta a tudo na Sala de Comando da menina, ela usa toda a sua criatividade para que tudo corra bem e a garota fique sempre feliz. Porém, uma grande mudança irá acontecer na vida de Riley e ela vai passar a questionar muita coisa. A menina e seus sentimentos ficarão bem confusos.

Riley e seus sentimentos embarcarão em um turbilhão de emoções e experiências nessa nova fase da vida da garota. Mas será que algo de errado pode acontecer?

O livro da Coquetel, pelo selo Pixel, é lindo, muito colorido e com ilustrações maravilhosas. Com capa-dura, ele destaca os principais pontos do filme e ajuda a fixar bem a história.

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É uma graça! Vale a pena conferir!

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