O Gato leu: O Livro de Ouro do Recruta Zero 4

O Livro de Ouro do Recruta Zero 4
Editora: Coquetel/Pixel
Ano: 2016
Páginas: 128
Compre: AmazonAmericanas | Livraria da Travessa | Cultura | Saraiva

A vida tá tão louca esses dias que tudo o que eu precisava era rir, ainda bem que encontrei isso em O Livro de Ouro do Recruta Zero 4 .

O Livro de Ouro do Recruta Zero 4 _ Foto Debb Cabral_ Blog GatoQueFlutua

Lembro de ver minha irmã lendo gibis do Zero, mas nunca tinha parado pra pegar nenhum até a Coquetel/Pixel, parceira do blog, mandar um aqui para casa.

Não poderia ter ficado mais satisfeita, além das tirinhas, que são bem divertidas, o livro fala sobre o surgimento delas. Ficamos conhecendo a origem do protagonista e também dos seus companheiros de farda, descobrimos a época em que isso aconteceu, contexto histórico e recepção do público, além de outras curiosidades.

As tiras do Recruta Zero vem desde os anos 50, de lá para cá muita coisa mudou. Há algumas tiras que falam sobre o racismo e assédio, coisas “pesadas” e que dentro do contexto da história servem como ponto de discussão. É interessante notar que as tiras do Zero estiveram sempre em constante mudança, se adequando a realidade do momento vivido, não é a toa que elas continuam com força até hoje.

Para quem não conhece, criado por Mort Walker, em 1950, Beetle Bailey era só um personagem universitário sem grande apelo. As suas tiras estavam com os dias contados quando seu idealizador teve a brilhante ideia de alistar a personagem no exército. O pulo do gato garantiu a Bailey, agora Recruta Zero, uma popularidade imediata.

No Quartel Swampy, de onde jamais saiu, ele conheceu os seus companheiros, são eles: Quindim, Dentinho, Platão, Julius, Rocky e Cosmo, que serviam sob as ordens do Sargento Tainha e oficiais atrapalhados como o General Dureza, Tenente Escovinha, Capitão Durindana e Tenente Mironga. Isso sem falar no elenco de apoio que inclui até o cão Oto e a secretária do General, Miss Buxley (mais conhecida como Dona Tetê).

O Livro de Ouro do Recruta Zero 4 _ Foto Debb Cabral_ Blog GatoQueFlutua O Livro de Ouro do Recruta Zero 4 _ Foto Debb Cabral_ Blog GatoQueFlutua

Este livro é um passeio pelas cinco décadas iniciais da série, desde as primeiríssimas tiras até o período áureo nos anos 1980 e 1990. São alguns dos melhores momentos dessa turma de militares trapalhões.

É um livro para quem curte dar boas risadas, mas também é um excelente material sobre a história dos quadrinhos nos Estados Unidos. Ele está disponível nas versões capa dura e brochura.

Vale muito a pena conferir!

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O Gato leu: Luz, O deus do horror

Luz, O deus do horror – Andrei Simões
Editora: Twee Editora
Ano: 2016
Páginas: 224
Compre: site da editora

Como achar palavras pra descrever o trabalho de Andrei Simões? É difícil.

Talvez bastasse dizer que desde que li Putrefação, seu primeiro livro impresso, decidi que quero ser cremada e nunca enterrada em um caixão. Não é bobagem, ele é um livro que me marcou, me traumatizou. É uma história que ainda está viva dentro de mim.

6on6 - Outubro - 2016 - GatoQueFlutua - Foto - Debb Cabral

Minhas expectativas para Luz, O deus do horror não eram pequenas. Andrei é um escritor de horror e realismo mágico, além de um profundo pesquisador da área. Basta uma conversa com ele e você vai notar as diversas referências em sua fala.

Quando comecei a ler, pensei que Luz seria bem mais tranquilo (e menos traumatizante) do que foi o Putrefação. Grande engano. Diversas vezes, ao fechar os olhos para dormir, a história insistia em morar em meus pensamentos e se alimentar dos meus medos.

Experiência nada mais é do que tolerância à dor e maturidade é simplesmente não se importar a ponto de não doer mais ou pior, acostumar-se a apanhar. (Pág. 133)

Na história, um jovem atormentado do pela morte do irmão está em uma jornada de vingança que vai além das fronteiras do absurdo. Ele conta com a ajuda de uma amiga simplesmente em busca de justiça.

Luz é um romance seriado, onde cada capítulo encerra uma história, escrita ora nos moldes do terror minimalista e filosófico, ora no antimolde da subversão de gênero. Porém, conforme avançamos as histórias, percebemos que apenas uma é contada, que une, interliga todas as outras.

… todos nós, apenas gado no pasto, esperando o momento do abate. (Pág. 137)

São histórias que nos apresentam seres de existência impossível, na forma de anjos, que semeiam e colhem medo, para uma poderosa entidade que reside na mais profunda escuridão. A morte do irmão do jovem nada mais é do que uma pequena parte da mostra do controle que o deus do medo exerce sobre a humanidade. Este é um livro para irmos além de nossas crenças.

Talvez a verdade não signifique felicidade. E quem foi que disse que um deus poderoso é um deus bom? Não há benevolência no poder. Não há bondade naquele para o qual somos apenas joguetes. Inclusive, me assusta (mas não deveria), ver a prontidão com que o ser humano aceita as ofertas sombrias e a preço de sangue que lhes são oferecidas.

… o amante da vida descobrira que a morte é apenas uma benção diante do mundo amaldiçoado pelo deus do pavor. (Pág. 144)

Comecei a ler e até o sexto conto estava achando tudo tranquilo (na medida do possível para uma trama que já começa com o assassinato de uma criança), mas dai em diante, toda a amarração desta realidade aterradora que o Andrei criou começou a tomar forma com força total. Paranóia, insanidade, desilusão.

Se em Putrefação fiquei com um trauma, Luz me fez ficar com o pé atrás ao me deparar com bonecas, noivas, insetos, palhaços e outras atrocidades da vida cotidiana.

Fiquei imaginado ler esse livro para uma criança, pois cada conto se encerra como uma história bem assustadora. Com certeza acabaria em choro. Mas como adulta, lendo o livro é possível ver toda a filosofia por tras. À primeira vista temos o pavor, ao olhar com mais atenção temos uma reflexão profunda sobre a vida e a morte. Quem duvida que ao final dela não acabaremos chorando também?

Em seus braços, não havia como matá-lo, pois ao ter olhado para o abismo, o abismo olhou para ele. (Pág. 171)

Luz, O deus do horror é o terceiro volume das “Crônicas da Não-existência”, que começou com Putrefação e Zon, o rei do nada (este ainda tenho que conferir). Dá pra ler o primeiro capítulo no site da Twee.

Não há esperança. Vinde a mim e morra.

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O Gato leu: A Menina Submersa: Memórias

A Menina Submersa: Memórias – Caitlín R. Kiernan
Editora: DarkSide
Ano: 2015
Páginas: 320
Compre: Amazon | Submarino | Americanas | Livraria da Travessa | Cultura | Saraiva

Eu não sei nem por onde começar a fazer essa resenha. Então, antes que eu comece a falar e não consiga dar conta do meu sentimento em relação à esse livro e me confunda com as palavras, saibam de algo: ele é fascinante e perturbador.

Se alguém pudesse me salvar, teria sido você. (Pág. 15)

Eu não sabia bem o que esperar do selo DarkLove, da DarkSide. Achei o máximo serem títulos escritos por mulheres, mas fiquei com medo do que esse “Love” ai poderia significar. Vejam o preconceito literário da pessoa, mas não tenho problemas em quebrar a cara. Eu gosto muito de ser surpreendida, me ajuda a revisar meus conceitos.

A menina submersa - resenha - gatoqueflutua - blog - Foto - Debb Cabral

Peguei a A Menina Submersa: Memórias como leitura para o PA Book Club temático LGBTQ+ e já sabia que “ele não é uma leitura fácil”, “a narradora não é confiável” e outras coisas. Devidamente avisada, o livro me chamou atenção logo na primeira página ao falar da morte da mãe e da avó de Imp, nossa protagonista.

India Morgan Phelps, a Imp, sofre de esquizofrenia. Sua mãe e sua avó também eram como ela. Carregando todas as expectativas de uma vida com esse histórico medico e familiar, Imp é uma garota de vinte e poucos anos aparentemente normal. Ela trabalha, mora sozinha e toma os remédios que a sua psiquiatra lhe receita nas consultas.

A normalidade é um comprimido amargo do qual reclamamos. (Pág. 72)

Certa noite, dirigindo sozinha enquanto sua namorada ficou em casa, Imp encontra uma mulher nua parada ao lado da rodovia. Sem saber o que fazer, Imp a leva para sua casa. Essa mulher misteriosa é Eva Canning e ela diz coisas sem sentido, mas também diz coisas sobre a protagonista.

A menina submersa - resenha - gatoqueflutua - blog - Foto - Debb Cabral

Eva se vai, mas Imp ainda terá que lidar com ela de outras formas. Quem será essa mulher? Tentando organizar as suas memórias e dar algum sentido nisso tudo, a garota começa a escrever o que se lembra, mas isso não é uma tarefa fácil.

A esquizofrenia faz com que nem sempre a narrativa seja linear. É difícil tentar acompanhar o raciocínio de Imp, que muitas vezes divaga, mas é a experiência de estar dentro da mente confusa dela que torna tudo mais fantástico.

– Você me machucou – digo. – Você colocou palavras em minha mente e eu quase morri para tirá-las de novo. (Pág. 272)

Os fantasmas dá história de Imp seriam verdadeiros ou não? Esses fantasmas são apenas aqueles relacionados ao seu passado ou haveria algo mais? Essas duvidas nos acompanham até os momentos finais do livro. Não temos certeza de nada e começamos a questionar nossa interpretação, tal qual a obsessiva Imp.

A Menina Submersa: Memórias é um livro dentro de um livro. Tentar falar mais que isso da história é correr o risco de dar algum spoiler.

A autora, Caitlín, é muito feliz ao inserir diversas referências culturais ao longo da trama. Eu terminei o livro com vontade de ler Moby Dick, Chapeuzinho Vermelho, Lovecraft, Odisseia, entre outros, fora os quadros, musicas, contos, mitos, poesias e artistas mencionados. Eu parei várias vezes para pesquisar coisas citadas na internet e me surpreendi com histórias como a da L’Inconnue de la Seine, Aokigahara e dos artistas Philip George SaltonstallAlbert Perrault.

Fecunda ratis, de Albert Perrault
Fecunda ratis, de Albert Perrault

Fiquei fascinada e acho que cada vez que ler esse livro será uma outra primeira vez. É aterrorizante e surreal. Uma confusão de sentimentos vindos dessa perturbadora leitura.

Leiam, leiam mesmo. É incrível.

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O Gato leu: Na Teia do Morcego

Na Teia do Morcego – Jorge Miguel Marinho
Editora: Gaivota
Ano: 2012
Páginas: 256
Compre: Amazon | Submarino | Americanas | Livraria da Travessa | Cultura | Saraiva

Batman está em São Paulo! E se falarem que o Batman está na história eu já fico interessada! O Cavaleiro das Trevas é meu herói favorito dos quadrinhos e, por isso, o livro de Jorge Miguel Marinho despertou a minha curiosidade.

Na teia do Morcego_GatoQueFlutua_blog_Foto_Debb_Cabral

Afinal, é ou não o mesmo Batman das histórias em quadrinhos? E o que fez o Morcego sair de Gotham City e vir para a maior cidade do Brasil? É isso o que tentamos descobrir enquanto vemos que  pode ser ele o assassino da jovem  Aparecida Chaud. Será que o Batman também mudou de lado?

Tudo é clandestino, taciturno e sombrio em São Paulo. (Pág. 121)

São vários questionamentos ao longo da leitura e nela vemos um Batman humano e em crise. Ele é profundamente marcado pelo seu passado e questiona sua atuação como herói e como individuo. O seu diário é a melhor parte do livro, é poético e traz muitas reflexões sobre a vida e sobre as escolhas feitas.

Batman é um personagem, ele foi criado e palavras foram colocadas em sua boca, mas é certo viver já tendo um roteiro?

Robin está momentaneamente morto porque as pessoas decidiram que eu devia permanecer só. (Pág. 130)

O assassinato de Abigail vai interligar o Morcego com os outros personagens da história, os moradores do condomínio na Consolação. Figuras de uma metrópole cruel. São jovens, velhos, casados, sozinhos, amantes e mal-amados, até as pessoas desvalidas são suspeitos do crime, além de serem vítimas da existência humana.

A vida é muito mais do que tentar transformar merda em ouro. É o que tenho tentado fazer de mim. (Pág. 155)

Na Teia do Morcego é um livro com um projeto gráfico muito lindo, que forma uma verdadeira “teia” dos meios de comunicação. A história é construída através de cartas, diário, telefonemas, telegramas, internet, gravações, notícias de jornal, de rádio, de televisão e até uma ata de condômino. O final é tão louco e nos deixa confusos por um bom tempo até que uma risada estranha venha em seguida. Parece que o autor faz piada com a nossa cara, algo digno do Coringa…

2016_Parceria_Selo Gaivota

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O Gato leu: O Espetacular Homem-Aranha – A Última Caçada de Kraven

O Espetacular Homem-Aranha – A Última Caçada de Kraven – J. M. DeMatteis, Mike Zeck e Bob Mcleod
Editora: Salvat
Ano: 2013
Páginas: 168

O que eu posso falar sobre essa história? Posso dizer que o Kraven seja doido de pedra e isso é uma verdade. Também que ele é o tipo de vilão que talvez não combine mais com os personagens hoje em dia, sei lá, não sei, é só um devaneio meu…

O Espetacular Homem-Aranha - A Última Caçada de Kraven_GatoQueFlutua_blog_Foto_Debb_Cabral

Aos fãs de Kraven, não se sintam ofendidos. Não estou denegrindo o personagem, estou apenas refletindo sobre a trajetória do Aranha e, mais especificamente, sobre essa graphic novel. É engraçado que a trama é do Kraven, mas foi o Rattus despertou muito mais a minha atenção.

Kraven é muito diferente de todos os outros vilões que já vi, ele encontrou civilização na selva e quer derrotar o Aranha só para provar que é melhor que ele. Não há dominação mundial e nem um grande perigo à raça humana, a ambição de Kraven se restringe ao herói. Isso é bem diferente para mim.

Na trama, Kraven, o Caçador, sabe que a morte está chegando. Ele é um homem e tem consciência de que a cada dia que se passa, sua força vital diminui. Como um desafio final, ele promete capturar a presa que sempre escapou das suas garras: o Homem-Aranha.

Porém, derrotar o escalador de paredes não tem o mesmo impacto do que provar que ele pode ser uma Aranha melhor. Kraven precisa se transformar no próprio Aranha em espírito e façanha, isso será a sua verdadeira vitória. Para chegar à esse objetivo, Kraven ainda vai usar, a seu favor, Rattus, um mendigo que foi submetido a vários experimentos genéticos nas mãos do Barão Zemo, inimigo do Capitão América. Rattus é letal, mas ele é vilão e também vitima.

O Espetacular Homem-Aranha - A Última Caçada de Kraven_GatoQueFlutua_blog_Foto_Debb_Cabral O Espetacular Homem-Aranha - A Última Caçada de Kraven_GatoQueFlutua_blog_Foto_Debb_Cabral 2

A Última Caçada de Kraven é uma historia em que todos os personagens tem que superar seus limites e temores. O encadernado reúne as edições 31-32 de Web of Spider-Man, 293-294 de Amazing Spider-Man e 131-132 de Spectacular Spider-Man. Eu gosto muito dessas edições da Salvat, mas me incomoda muito a falta de numeração nas paginas, fica a dica para os próximos lançamentos.

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