O Gato leu: A Vida Privada das Árvores

A Vida Privada das Árvores – Alejandro Zambra
Editora: Cosac Naify
Ano: 2013
Páginas: 94
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Um livro sobre as pessoas, suas memórias e seus momentos. Nada de extraordinário, nada que não possa acontecer na vida real. A Vida Privada das Árvores é o prolongamento do instante,  o esticamento da duvida.

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Este segundo livro do escritor chileno Alejandro Zambra, é a história de uma espera.

Na trama, Julián, aguarda a chegada de Verónica, sua mulher. Ele é um professor de literatura com aspirações a escritor, que fantasia com um livro que nunca fica pronto e que nunca o satisfaz.

Aquele tempo de silêncio foi um ultimo luxo que Verônica permitiu-se, uma dose extra de privacidade, um espaço para construir, com duvidosa calma, suas decisões. (Pág. 19)

Sua mulher ainda não chegou da aula e a espera se alonga, mas ele não está sozinho. Na sua vigília tem a companhia da enteada, a pequena Daniela. O coração de Julián se preocupa, mas ele não pode transparecer isso, assim, distrai a menina contando histórias de árvores, ficções do que elas fazem, pensam e sentem quando não há ninguém olhando.

Verónica está lá fora e Julián está dentro de si. Recompõe o seu passado e as decisões que tomou e que o levaram exatamente até aquele lugar e situação. Imagina e  inventa. Pensa num futuro no qual sua esposa já não existe mais.

Deixara de amá-la um segundo antes de começar a amá-la. (Pág. 35)

Tudo se demora, mas não há pressa. A Vida Privada das Árvores é um livro sem pretensão que, num primeiro momento, até pode parecer bobo e sem propósito, mas que nos convida a mergulhar em nós mesmos, tal qual Julián o faz. É para pensar e refletir como que diante de um espelho de memórias.

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O Gato leu: Zoom (Volume 1)

Zoom (Volume 1) – Thobias Daneluz e Lucas Zacarias
Editora: Independente
Ano: 2016
Páginas: 74
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Zoom foi uma das ultimas leituras de 2016. Minha irmã havia encomendado o quadrinho na Comic Com e estava bem feliz por tê-lo. J[a eu não conhecia nada, nem sobre os autores e muito menos sobre a história.

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Na trama, as abelhas estão desaparecendo misteriosamente da colmeia. Isso não parece preocupar muito a abelha-rainha Azmera, mas ainda assim, ela precisa culpar alguém. Sobra para a guerreira Faizah, capitã da tropa das abelhas, esse fardo. Questionadora, Faizah sabe que tem algo de errado e bate de frente com a sua rainha.

Em meio a isso tudo, a curandeira da colmeia, Zolae, esconde um segredo que pode mudar a vida de todos. Zolae é uma abelha selvagem e que conhece fatos da história que podem explicar o que está acontecendo. Faizah precisará trabalhar em conjunto com ela se quiser que haja um futuro.

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É interessante ver como aquele micro universo é tão parecido com o nosso e que nós também podermos sofrer as consequências da desordem do colapso das colônias (DCC), algo já antevisto por Albert Einstein, inclusive.

Zoom é uma aventura corajosa. Sua arte é linda e mergulhar em suas paginas é um convite à reflexão sobre a vida em sociedade. Estou muito curiosa para os próximos capítulos dessa jornada.

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O Gato leu: A Ilha de Bowen

A Ilha de Bowen – César Mallorquí
Editora: Biruta
Ano: 2014
Páginas: 524
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Hoje tem resenha deste livro de alta qualidade que ganhou o Prêmio Cervantes Chico 2015, Prêmio Nacional de Literatura Infantil e Juvenil 2013, Prêmio Edebé de Literatura Juvenil 2012 e foi nomeado ao Celsius Award.

Na trama de A Ilha de Bowen, antes de desaparecer Sir John Forggat enviou um pacote à Londres para sua esposa, Lady Elisabeth Faraday, contendo um objeto peculiar. Sem saber o paradeiro de seu marido e do que de fato tratava-se o item misterioso, ela e sua filha embarcam no Saint Michael junto com o professor Ulisses Zarco e o jovem fotógrafo Samuel Durango.

Seguindo os rastros de John, a tripulação do navio dirige-se às ilhas do extremo norte do globo e uma dessas é a Ilha de Bowen. Segundo a lenda, na viagem em que estava o frade Bowen, seu navio enfrentou uma grande tempestade e ficou a deriva até parar em uma ilha desconhecida, na qual, segundo o religioso, achava-se uma das portas do Inferno.

[…] uma extraordinária descoberta: no extremo ocidental da costa sul, sob a sombra do cavalo, abria-se uma caverna que, indo terra adentro, desembocava numa cidade subterrânea, há muito abandonada por seus habitantes.

A Ilha de Bowen remete às clássicas histórias de aventura com locais selvagens, inóspitos, civilização desconhecida, grandes mistérios, mortes e criminosos. Uma narrativa a lá Conan Doyle e Júlio Verne, como o próprio livro descreve. E as homenagens não ficam só nisso, o capitão do Saint Michael se chama Gabriel Verne e, em certo momento da trama, Samuel Durango tem uma rápida conversa com Conan Doyle, além das outras diversas referências à autores, personagens e outras histórias de aventura.

Embates nas relações entre os personagens geram discussões sobre machismo e posicionamento feminino. Zarco é um homem brilhante, porém grosseiro e misógino, que quer comandar todo mundo e acha que está sempre certo. Já a Senhora Faraday é uma mulher extremamente inteligente, de grande memória, excelente em repassar os acontecimentos (o que muito nos ajuda no entender da história) e que não aceita a maneira de Zarco tratá-la e nem de conduzir a expedição.

Porque a senhora – disse Zarco -, como todas as mulheres, tem pouca capacidade de observação e rigor mental, que caracterizam um homem treinado nas tarefas intelectuais. De fato, talvez isso seja um bom exemplo da diferença entre o cérebro homem e da mulher. Frente a um problema, um homem observa os detalhes, reflete e tira conclusões. Uma mulher, ao contrário, observa os detalhes… e fala deles com as amigas […]. (Pág. 123)

A princípio, a quantidade de páginas pode intimidar, mas A Ilha de Bowen se mostra uma aventura dinâmica. É um excelente livro para sair da ressaca literária, pois é uma leitura fluida e bastante atrativa.

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O Gato leu: Macunaíma, o herói sem nenhum caráter

Macunaíma, o herói sem nenhum caráter – Mário de Andrade
Editora: Agir
Ano: 2008
Páginas: 240
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Macunaíma é uma leitura que venho protelando desde que coloquei minhas mãos neste livro no ensino médio. Sempre começava a leitura e, por algum motivo, não terminava. Dessa vez, o Desafio Doze Meses Literários me fez mudar isso.

Eu amo o filme, principalmente o seu inicio e isso se repetiu no livro. Sei decorado o primeiro paragrafo e acho a vivência na floresta a parte mais divertida da historia.

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O livro narra a saga de Macunaíma, índio da tribo Tapanhumas, que nasce no meio da floresta amazônica, mas que a vida o faz sentir uma forte atração por São Paulo, cidade das maquinas. O herói da nossa gente leva seus irmãos, Maanape e Jiguê, sempre a tiracolo, ou melhor, são os irmãos que o levam, pois o imperador da floresta é muito preguiçoso.

Eram maquinas e tudo na cidade era só maquina! (Pág. 53)

A índia CI, Mãe do Mato, seu único amor, lhe deu de presente um amuleto muiraquitã, porém o herói o perdeu e quem encontrou foi o peruano, Venceslau Pietro Pietra, o gigante Piamã comedor de gente. Na trama, o gigante se mostrará uma das maiores pedras no caminho de Macunaíma.

O livro foi aclamado pela crítica modernista na ocasião de seu lançamento, pois possui uma linguagem única, perto da oralidade e do indígena. Se eu que moro em Belém do Pará, na Amazônia, encontrei tantas palavras que desconhecia, imagine os outros? A linguagem é original, porém não é simples. As vezes, por conta dela ficamos com a leitura travada, porém, é justamente por ela que nos divertimos em outros tantos momentos.

Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são. (Pág. 106)

Macunaíma não é herói e não tem caráter, mas é o herói que merecemos. O Brasil, eternamente colonizado, ainda busca sua identidade e, enquanto isso, vai se transformando, tal qual Macunaíma, de criança índia feia até um príncipe bonito.

Macunaíma é para se ler com os olhos no passado e mirando o futuro.

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O Gato leu: Miguel e os Demônios

Miguel e os Demônios – Lourenço Mutarelli
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2009
Páginas: 120
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Um livro insano  e completamente imprevisível. Como não amar? Entender, eu não sei se entendi, mas depois da leitura de Miguel e os Demônios eu sinto como se tivesse sido atropelada.

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Já conhecia a fama do Mutarelli, mas nunca tinha lido nada dele, o máximo de seu trabalho que vi foi a sua atuação no filme “Que horas ela volta?”. Em Miguel e os Demônios ele criou uma aventura na maior cidade do Brasil, São Paulo.

É Natal, é calor, é sufocante. Miguel, protagonista da trama, é um policial com diversas angustias e que relembra os erros do passado. É separado, não pode ver o filho, mora com o pai aposentado e tem uma namorada tão complicada quanto ele. Isso tudo é um pouco da cotidiana morte lenta e dolorosa que ocorre com todos nós.

Miguel quer beijar o pai. Quer dizer tantas coisas. Miguel luta contra as seus sentimentos. Como uma mosca contra o para-brisa. (Pág. 08)

Silêncio, mágoa e frustração. Falta de dinheiro, falta de vontade, falta de esperança, falta de expectativa. Tudo acomete Miguel, mas a sua história pode mudar se ele aceitar um serviço extra oferecido pelo parceiro. Um serviço que pode lhe salvar a pele e condenar sua alma.

O humor afiado torna divertido este livro assustador, com prosa rápida e diálogos minimalistas. Nele, a palavra e a imagem tem o mesmo poder. Uma narrativa que mais se assemelha a um roteiro cinematográfico, ágil e que nos fisga de primeira para uma história que vai ficando cada vez mais absurda.

– Como vai o senhor?

O velho ergue a sobrancelha como se dissesse:

Eu nunca estive tão fodido em toda a minha vida.

– E você? – pergunta a Miguel.

Miguel ergue a sobrancelha como se repetisse as palavras. (Pág. 110)

Dinheiro, sexo, família, vida, morte, religião, bem e mal estão presentes nesta obra que nos mostra que os demônios de Miguel também se assemelham aos nossos.

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