O Gato leu: O Inimigo Secreto

O Inimigo Secreto – Agatha Christie
Editora: Record
Ano: 1950
Páginas: 224
Compre: Amazon

Depois de conhecer algumas outras história escritas pela Dama do Crime, parece que encontrei o melhor livro da Agatha Christie que já li até o momento.

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Publicado anteriormente como “Jovens Aventureiros LTDA” e traduzido atualmente como “O Adversário Secreto”, O Inimigo Secreto narra as aventuras de Tommy e Tuppence. Os dois são amigos, estão sem dinheiro e sem muitas perspectivas de um futuro. Eles decidem formar a sociedade comercial JOVENS AVENTUREIROS LTDA, que não recusa nenhum tipo de oferta desde que o pagamento seja bom e anuncia seus serviços nos classificados dos jornais.

A ousadia poderia jogar fora as ultimas economias de cada um, mas eles recebem a missão de desvendar um enigma que confundira até a Scotland Yard, a mais experiente polícia do mundo: o desaparecimento de Jane Finn, uma jovem americana que levava em seu poder documentos secretos de importância cada vez maior.

Há cinco anos, aquele esboço de tratado era uma arma em nossas mãos; hoje é uma arma contra nós. (Pág. 37)

Tuppence é maravilhosa, ágil e astuta até mesmo quando não faz ideia do que está se passando, Tommy não fica atras, é um verdadeiro companheiro. O livro começa com uma breve aventura, mas os perigos e mistérios vão se tornando cada vez maiores a ponto de temermos pela segurança dos jovens aventureiros.

Tuppence teve a impressão de perceber, pela primeira vez, o caráter sinistro da missão que haviam aceitado com tanta temeridade. Tudo começara como uma página de romance. Mas agora, terminado o encanto, tudo se apresentava como uma realidade sombria. (Pág. 87)

O Inimigo Secreto é cheio de reviravoltas e nunca deixa o leitor entediado. Além disso, Tommy e Tuppence são personagens muito reais e seus diálogos fazem com que uma empatia instantânea exista em relação à eles. Espionagem, guerra e amizade tornam esta, uma leitura muito divertida e estimulante.

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O Gato leu: Mighty Morphin Power Rangers – Ano Um

Mighty Morphin Power Rangers – Ano Um – Kyle Higgins  e Hendry Prasetya
Editora: Pixel Media
Ano: 2017
Páginas: 128
Compre: Amazon

Power Rangers lembra infância. Lembra as brincadeiras de luta com primos e amigos, ora sendo a mocinha, ora a vilã. O novo filme saiu no cinema e avivou a memória de muitos. Depois de muitas fases, recordar o inicio do jovens heróis é também uma forma de homenageá-los.

Este primeiro volume lançado pela Pixel Media nos leva de volta ao seriado original e acrescenta muito mais, uma vez que, como observado por Judd “Chip” Lynn, produtor executivo de Power Rangers, não há “restrições orçamentárias para o enredo”.

Na trama, depois de escapar do controle mental de Rita Repulsa, Tommy Oliver, o Ranger Verde, se junta aos Power Rangers para combater a investida de ataques malignos que assolam a Alameda dos Anjos. Agora Tommy tem que se relacionar com aqueles que um dia já quis destruir e isso o deixa com diversos conflitos internos.

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Jason, Trini, Zack, Billy e Kimberly ainda não sabem bem como lidar com o novo membro. Pelo fato das história se passar em um colégio, ela ressalta o quanto que se sentir excluído ou deslocado pode ser ruim para alguém. O lado humano do personagens foi mais explorado, bem como suas fraquezas, escolhas e dilemas morais.

A arte é demais. O colorido da “vida normal” se contrapõe muito bem ao lado mais sombrio quando Tommy enfrenta seus demônios antigos.  O livro conta ainda com “Aventuras de Bulk e Skull”, um capítulo extra escrito por Steve Orlando e ilustrado por Corin Howell, que atualiza as confusões da atrapalhada dupla do colégio.

Rever os rangers, Zordon e Alpha aqueceu o meu coração. Mighty Morphin Power Rangers – Ano Um foi feita para alcançar os novos fãs que se interessaram pelos heróis através do filme mais recente, mas ela não renega o passado, ao contrário, abraça aquilo que fez deles tão importantes para a criança que vive em cada um de nós.

Trabalho em equipe, companheirismo e o poder da amizade. Obrigada, Power Rangers, por nos ensinar isso!

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O Gato leu: Tubarão

Tubarão – Peter Benchley
Editora: DarkSide Books
Ano: 2015
Páginas: 280
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Eu considero Tubarão o melhor filme do Steven Spielberg, acho ele sem igual. Então, não tive duvidas na hora de escolher o livro que deu origem ao longa para ser a leitura de suspense do Desafio Doze Meses Literários de abril.

Logo de inicio, Peter Benchley nos avisa que o estúdio só se interessou pela parte do tubarão para criar o filme. O romance e a máfia (isso mesmo), ficaram de fora. Eu creio que não houve perda, pois o filme possui um ritmo bem interessante, enquanto o livro tem uma narrativa mais fragmentada que nem sempre cabe na hora de montar um filme.

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A trama se passa em Amity, um balneário ficcional situado em Long Island, Nova York. Ele vive do turismo de veraneio e sem isso a cidade pode se acabar. Todos estão cientes disso, mas quando, às vésperas de um feriado, o corpo de uma turista é encontrado na praia, o chefe de polícia, Martin Brody, não pensa duas vezes e ordena o fechamento das praias da região.

Você tem de entender. Não há nada nesse mar de que esse peixe tenha medo. Outros peixes fogem de coisas grandes, é o instinto deles. Mas esse peixe não foge de nada. Ele não sabe o que é medo. (Pág. 92)

Todos querem abafar o caso, inclusive o prefeito, Larry Vaughan, que está mais preocupado com o dinheiro e com questões pessoais. Com muita relutância e a presença de um especialista no local, Matt Hooper, o banho é liberado e a cidade pode ter o seu verão. Porém, isso se mostrará só o começo do banquete do terrível tubarão e de uma série de conflitos na vida do chefe Brody.

Eu me surpreendi muito com esse livro. A leitura foi frenética, eu o devorei tão rápido quanto o temido animal devora suas vitimas. É engraçado pois o inicio e o final do romance são todos dedicados ao tubarão, páginas e mais páginas da sua ação. Já o meio mostra um série de situações vividas por Brody e aqueles que o rodeiam.

O passado sempre parece melhor quando você se lembra dele, mais do que realmente foi na época. E o presente nunca parece tão bom quanto parecerá no futuro. É deprimente ficar muito tempo revivendo as velhas alegrias. Você acha que nunca terá algo tão bom novamente. (Pág. 117)

A primeira vista, pode parecer que o tubarão seja a personificação do mal e o inicio de todos os problemas na vida daquelas pessoas, mas, na verdade, ele é apenas o gatilho para os conflitos que já estavam latentes e amargurados dentro de cada um. É realmente incrível, Peter Benchley escreveu vários livros dentro de um só.

Não tem como deixar de comentar a belíssima edição de 40 anos da obra que a DarkSide Books  trouxe para o público brasileiro. Eu tenho a versão brochura que tem uma proposta de capa bem diferente, com muitas imagens da adaptação cinematográfica, mas há também a Limited Edition (capa dura). Sem dúvida, um livro imperdível!

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O Gato leu: Arte e Grande Público – A distância a ser extinta

Arte e Grande Público – A distância a ser extinta – Maria Inês Hamann Peixoto
Editora: Autores Associados
Ano: 2003
Páginas: 103
Compre: Amazon

A leitura do mês de março do Desafio Doze Meses Literários era uma não-ficção. Escolhi Arte e Grande Público – A distância a ser extinta pois era um livro que já estava na minha estante há alguns anos e que tem um pouco a ver com a minha área de atuação profissional, o jornalismo cultural.

A minha parte preferida do livro foi o seu inicio, no qual a autora focou principalmente na questão da democratização da arte. A criação é algo que faz parte do que nos torna humanos, assim, a humanidade deve ter acesso a ela.

Pensar o acesso a arte numa sociedade em que nem todos tem acesso ao essencial para sua sobrevivência é algo supérfluo? Essa é uma pergunta que não tem uma resposta correta, porém, devemos sempre observar que a arte é um agente transformador, ela vem de uma realidade social e tem o poder de promover a mudança nessa realidade.

Quanto mais condições de acesso ao modo da cultura – arte, filosofia e ciência -, tanto mais genuinamente humano o homem se faz. (Pág. 46)

Consciência e humanização. Dentro da sociedade capitalista, que trata a arte como mais uma mercadoria, esses resultados são difíceis de se alcançar. No livro, a autora faz um panorama da nossa relação com as artes, desde os povos primitivos até chegar num entendimento sobre capitalismo e mercado.

O fosso cavado entre a arte e o grande publico na sociedade capitalista, em função de interesses econômicos-sociais excludentes, constitui afronta e crime contra o direito do homem de desenvolver ao máximo todas as qualidades que lhe garantem o enriquecimento como individuo social e histórico, bem como contra a capacidade  e liberdade humanas de criar e o direito de todos de ter acesso livre aos objetos criados. (Pág. 95)

A segunda parte do livro se dedica a um mergulho na concepção marxista para entender essa relação e interpretação, além de seus reflexos e fundamentos. O objetivo? Uma arte para todos.

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O Gato leu: Entre os Atos

Entre os Atos – Virginia Woolf
Editora: Nova Fronteira (Saraiva de Bolso)
Ano: 2015
Páginas: 176
Compre: Amazon

Talvez eu tenha ido com muita expectativa quando fui ler este livro. Mas era Virginia Woolf, uma referencia em feminismo. Eu tinha todos os motivos para estar eufórica.

Entre os Atos foi o ultimo livro que a autora escreveu antes de seu suicídio. A trama se  passa em uma pequena cidade inglesa. Nela, pessoas comuns encenam e escrevem uma peça de teatro com o objetivo de doar a renda para o custeio da instalação elétrica da igreja.

Simples.

A reflexão do livro está em questionar os papeis que representamos socialmente: homem, mulher, marido, esposa, amante, chefe… Nesse sentido, a medida em que a história avança, os personagens se perdem em devaneios pessoais, pensando em como seriam suas vidas se tivessem seguido por outro caminho. Ao mesmo tempo, tudo se passa em uma pequena comunidade, na qual a vida de um é de ciência de todos. O julgamento e a pressão social são constantes.

Soltou uma risada desinibida. Desistira de controlar a postura de seu corpo e assim conquistara a liberdade. (Pág. 37)

Nessa peça de teatro beneficente, será que a arte imita a vida ou a vida imita a arte?

É um livro que tem tudo para ser incrível e quase chegou lá. Achei a narrativa lenta, talvez tenha sido intencional, para seguir como aquele interior onde tudo demora a ocorrer. Talvez tenha sido pelo fato de que Virginia não deu sua revisão final no livro. O manuscrito estava completo, mas faltou um olhar mais demorado em cima dele, algo que o viúvo, Leonard Woolf, talvez não estivesse emocionalmente pronto para fazer.

E disse (sem palavras): Sinto-me terrivelmente infeliz. (Pág: 133)

Passado.Presente.Modernidade. Mudança. Inercia.

Minha personagem favorita é a senhorita La Trombe e o momento que mais curtir ler foi a trama da jovem Flavinda no teatro ao ar livre.

Vale a leitura e a introspeção reflexiva após ela. O final é fantástico e a realização da peça é o ápice da mensagem da autora.

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