O Gato leu: A Playlist de Hayden

A Playlist de Hayden – Michelle Falkoff
Editora: Novo Conceito
Ano: 2015
Páginas: 285

Depois de compartilhar com vocês as minhas impressões sobre os primeiros capítulos de A Playlist de Hayden, venho, agora, com a resenha do livro na integra!

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Na história, Hayden, melhor amigo de Sam, se suicidou e deixou para ele uma playlist e um bilhete de despedida. Acompanhamos Sam tentando levar a vida após a morte de seu único amigo, ele está mais só do que nunca e a culpa o assola, pois na noite da morte de Hayden os dois tiveram uma briga feia.

Conseguia me mexer novamente, apesar de não querer fazê-lo. O movimento significava que eu estava desperto, e estar desperto significava que Hayden estava realmente morto e eu ainda não me sentia pronto para admitir. (Pág.12)

Enquanto ouve música por música, ele tenta entender o que aconteceu naquela noite e confronta pessoas que sempre desprezaram Hayden, ao mesmo tempo em que descobre que ele escondia segredos. Hayden era um rapaz triste, ignorado pelos pais e maltratado pelo irmão, ele se refugiou no mundo online e vivia uma vida que Sam desconhecia.

Eu não sabia o que pensar. Por instinto, minha primeira reação foi me sentir ofendido. Éramos melhores amigos, e, embora ele tendesse a se sentir tímido para revelar suas coisas pessoais –  Hayden sempre parecia fazer mistério, mas, na verdade, eu sabia que muito desse comportamento era ocasionado pela timidez -, eu tinha dificuldade em imaginar como ele conseguiu esconder algo tão importante de mim. (Pág. 159)

Ao conhecer mais sobre o amigo que perdeu, Sam vai vivendo experiências, conhecendo pessoas e sentido coisas que nunca imaginou sentir.

A Playlist de Hayden é uma boa reflexão sobre a nossa sociedade que exclui qualquer um por uma mínima diferença com o “padrão” ou o que é tido como certo. Bullying, raiva, amizade e esperança estão nesse livro, envolvidos com uma boa dose de mistério.

Dá pra escutar online as músicas da playlist de Hayden.

Vale a pena conferir!

O Gato leu: Morte Súbita

Morte Súbita – J.K. Rowling
Editora: Nova Fonteira
Ano: 2012
Páginas: 656

Morte Súbita é o primeiro livro para adultos da J.K. Rowling, autora da saga Harry Potter. Morte Súbitanão tem nada de Harry Potter, isso vocês precisam saber.

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Desde que eu vi o livro a capa me chamou logo a atenção, cores fortes e design minimalista revelavam que o que importava, de fato, estava do lado de dentro.

Na história, a morte inesperada de Barry Fairbrother, membro da Câmara do vilarejo de Pagford, choca todos os seus habitantes. Esse vilarejo do interior da Inglaterra só tem a aparência de paz. Guerras são travadas, ricos contra os pobres, filhos contra seus pais, esposas contra maridos e professores contra alunos são apenas algumas delas. Há muito preconceito e falsidade, muitas pessoas que fazem de tudo para manter as aparências.

Mentalmente, Andrew rebatia com palavrões os palavrões que o pai dizia. Mentalmente, enfrentava Simon de igual para igual. (Pág. 22)

Quando Barry morre, ficamos sem saber se o odiamos (como um grupo de moradores faz) ou se o idolatramos (como o outro faz). A medida que a noticia da morte dele se espalha, vemos o poder que uma pessoa tem de influenciar a vida de outras. De certa forma, cada pessoa, até uma filha de uma mãe viciada da periferia, sente a morte daquele homem.

Já estava escurecendo. A garota foi encontrar uns amigos lá nos balanços. Sentia-se tensa e irritadiça. Ainda não tinha conseguido assimilar a ideia da morte do sr. Fairbrother, mas não parava de sentir uns socos na boca do estômago e estava louca pra descontar aquilo em alguém. (Pág. 136)

Conhecemos Barry pelo olhar dos outros. Sua cadeira vazia, deixada no Conselho Municipal, é a fonte da maior das guerras, a partir da eleição a cidade vai ter revelações inesperadas e bombásticas. Imaginem, numa cidade de interior, o poder de um boato.

Colin passara a via inteira se preparando para catástrofes. Estava pronto. Pegou o casaco. (Pág. 609)

O final  de Morte Súbita é chocante e incrível.

Eu nem sei bem o que falar pra vocês, apenas digo que Morte Súbita foi o melhor livro que li nesse primeiro semestre de 2015. A J.K. mostrou que é uma escritora incrível, não que alguém duvidasse disso, mas ela se mostrou capaz de transitar da magia à realidade brutal com maestria.

ADAPTAÇÃO PARA A TV

Morte Súbita virou minissérie, dirigida por Jonny Campbell, pela BBC e com três capítulos. Porém, Sara Phelps, a roteirista que adaptou o livro, informou que o final teve que ser alterado. Quem ler a obra original vai sentir o drama que é esse final, então dá pra imaginar o motivo. Eu assistiria, com toda certeza, mas sei que algumas pessoas simplesmente não aguentam e desligam a TV. Outras séries já tiveram essa experiência.

É o que eu sempre digo: é uma adaptação, o que funciona pra uma mídia, não vai funcionar sempre para a outra.

Por isso leiam o livro! Garanto que vale muito a pena!

O Gato viu: Azul é a Cor Mais Quente

Depois da resenha da graphic novel, trago para vocês a resenha do filme Azul é a Cor Mais Quente.

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A obra sofreu algumas adaptações e foram adicionadas e subtraídas coisas, mas é um bom filme. Gostei muito dele.

Não tem como não deixar de se envolver pelo amor de Emma (Léa Seydoux) e Adele (Adèle Exarchopoulos). É, assim como é no livro, uma história de descoberta. Mostra que experiências devem ser vividas e devemos aprender com elas, pois isso mostrará quem somos.

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A juventude de Adele é evidente e encantadora, isso faz com que Emma fixe seu olhar profundo naquela menina que não sabe muito bem que caminho está seguindo.

Azul é a Cor Mais Quente, do diretor Abdellatif Kechiche, ganhou a Palma de Ouro em Cannes (2013), recebeu críticas muito positivas e se tornou um símbolo na luta contra a homofobia.


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INTENSO

Sim, temos cenas de sexo beeem intensas no filme. Ele não é aquele romance gay de novela da Globo, com beijinho só no ultimo capítulo. Em Azul é a Cor Mais Quente vemos o cotidiano de um casal, como qualquer outro, que tem muito amor, insatisfação, brigas, perdas e saudades.

A vida é assim…

É uma história muito bonita. Como o filme é uma adaptação, eu digo: leiam o livro e vejam o filme!

Garanto que vale a pena. 🙂

O Gato leu: O Guia do Mochileiro das Galáxias

O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams
Editora: Arqueiro
Ano: 2010
Páginas: 156

Hoje é Dia da Toalha e a resenha de hoje é em homenagem à essa data!

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O Guia do Mochileiro das Galáxias conta a história de dois amigos, Ford Prefect e o inglês Arthur Dent, que escaparam da destruição do planeta Terra, pegando carona em uma nave espacial. Isso só acontece porque Ford é um extraterrestre que vivia disfarçado na Terra, fazendo uma pesquisa de campo para atualizar o livro O Guia do Mochileiro das Galáxias. Como bom mochileiro, Ford sabe como aproveitar as situações e sair de enrascadas.

O Guia do Mochileiro das Galáxias faz algumas afirmações a respeito das toalhas.

Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais uteis para um mochileiro interestelar. (Pág. 27)

Nessa aventura, depois de serem expulsos da sua carona na nave Vogon, os mochileiros encontram Trillian; o ex-presidente da galáxia, Zaphod Beeblebrox e Marvin, um robô maníaco depressivo que vinham em fuga na incrível nave Coração de Ouro, movida por um Gerador de Improbabilidade Infinita.

Cheio de nomes loucos e referências, o livro é divertido e tem um humor ácido bem interessante. Críticas em relação ao ser humano são tecidas em formas de metáforas ou estão implícitas em muitas partes do texto. O Guia do Mochileiro das Galáxias é o tipo de livro que deve ser lido com atenção, pois Douglas Adams nos dá pequenas doses de informação que podem passar despercebidas.

– Como assim nunca estiveram em Alfa do Centauro? Ora bolas, humanidade, fica só quatro anos-luz daqui! Desculpem, mas se vocês não se dão ao trabalho de se interessar pelas questões locais, o problema é de vocês. (Pág. 34)

O livro é uma mistura de literatura e ciência. A história toda me lembrou muito Doctor Who, é bem nesse estilo. É algo louco, meio absurdo, mas que te chama atenção. Os capítulos são pequenos e como esse é o primeiro volume da trilogia de cinco livros, sabemos que ainda tem muita coisa por vir nessa viagem pela galáxia.

A história de todas as grandes civilizações galácticas tende a atravessar três fases distintas e identificáveis – as da sobrevivência, da interrogação e a da sofisticação, também conhecidas como fases do como, do porquê e do onde. (Pág. 155)

É uma leitura rápida. Pra ler quando estiver mochilando mesmo. 😛

Não sei se cheguei a gostar do livro, ainda estou processando ele, assim como o computador Pensador Profundo ao calcular a resposta  para a para Vida, o Universo e Tudo Mais. Talvez daqui a 10 milhões de anos eu tenha uma ideia se gostei ou não, rs.

Não entre em pânico e não esqueça a sua toalha!

O Gato leu: O Retorno do Jovem Príncipe

O Retorno do Jovem Príncipe – A. G. Roemmers
Editora: Fontanar
Ano: 2011
Páginas: 109

Já faz um bom tempo que temos esse livro aqui em casa.

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A capa e o titulo de O Retorno do Jovem Príncipe encantam qualquer um, mas confesso que eu tinha medo de ler e perder ou afetar algo naquela magia que O Pequeno Príncipe desperta na gente.

Antes de ler O Retorno do Jovem Príncipe tenha sempre em mente: ele não é um livro do mesmo autor. Apesar de ser uma “sequência”, ele não se assemelha ao que foi escrito originalmente por Antoine de SaintExupéry.

Na história, do autor A. G. Roemmers, em uma visita à Patagônia, um homem encontra um adolescente desacordado na beira da estrada e o socorre. O jovem misterioso não é qualquer pessoa, mas sim um famoso príncipe que cresceu e resolveu revisitar o planeta Terra.

Diante de perguntas tão simples, as respostas me pareciam extremamente difíceis. Quem era aquele jovem que irradiava inocência e sacudia as bases do  sistema de crenças que eu herdara? (Pág. 13)

O Jovem Príncipe voltou à Terra em busca de respostas para as diversas perguntas que o assombravam. Durante a viagem de carro os dois dividem experiencias e embarcam num diálogo que aborda questões existenciais. O Jovem Príncipe está crescendo e tem medo do que isso pode significar. As perdas, os ganhos, a desconfiança e a inocência estão presentes em muitos dos diálogos do livro.

Às vezes, sem perceber, nós, adultos, jogamos com os mais profundos sentimentos das crianças e destruímos coisas muito mais valiosas que qualquer objeto que elas possam quebrar. (Pág. 31)

Pra ser bem sincera, O Retorno do Jovem Príncipe parece muito um livro de auto-ajuda. A forma como o homem conversa com o Jovem Príncipe está repleta de lições, ensinamentos e referências espirituais. Como o livro é curto, isso não chega a cansar, mas é diferente.

Quando temos as cenas em que é o Jovem Príncipe que fala ou faz algo fica tudo muito incrível, sua bondade e pureza conseguiram me emocionar em algumas horas.

O Retorno do Jovem Príncipe é um livro repleto de boas mensagens e debates sobre o ser humano.

Vale a pena dar uma conferida. 🙂