Permita-se estar presente

Ao longo deste ano as crônicas postadas no blog foram melancólicas e refletiram sobre o meu afastamento constante das coisas. Escrever é a forma que eu tenho de falar comigo mesma, tentando entender onde estou e para onde estou indo. Fico feliz quando alguém me diz que não estava sem sentindo bem consigo e alguma postagem minha ajudou naquela ocasião. Saibam que esse é o efeito que sinto ao escrever aqui.

Já falei para vocês que eu tenho o hábito de desaparecer, me colocar distante de tudo e de todos quando a minha vida fica confusa, mas a vida está sempre confusa, não é mesmo? Até nos bons momentos nós temos desafios, a felicidade plena não existe da maneira como imaginamos. Não dá para fugir até tudo ficar bem, é preciso enfrentar o mundo agora.

Eu estou tentando mudar, assim como a Eleanor da série The Good Place 🙂

Fim de ano é a época das confraternizações. Fugi de alguns encontros durante os outros meses, mas agora não dava mais. Se você fica ausente por muito tempo as pessoas se esquecem de você, você se esquece de si mesmo.

Eu fui em dois encontros com amigos neste ultimo mês e estes foram alguns dos melhores dias que já tive neste ano. Eu ri, comi, bebi, abracei, dancei, cantei, fiquei feliz. Feliz por ter dito sim, feliz por não ter dado uma desculpa a mim mesma para negar mais uma vez uma experiência, feliz por estar presente.

Esta ultima crônica tem bem a cara de uma crônica de final de ano, esperançosa e até otimista. As reuniões a que fui este mês não resolveram os meus problemas, mas me deram uma nova perspectiva, me fizeram ver o quanto que nós contagiamos e nos deixamos contagiar com o que está a nossa volta.

Eu passei por um bom tempo de imersão interior e isso foi bom, mas não é para ser assim para sempre. Acho que foi Aristóteles quem disse que o ser humano é um ser social por natureza. Ele não estava errado, nós precisamos estar juntos. Acredito tanto que as ideias de comunidade e colaborativismo podem nos dar o futuro que tanto queremos.

2018 está aí na porta. O futuro que tanto queremos precisa de nós para acontecer. Eu cansei de me esconder, quero fazer parte das coisas, quero estar presente. E vocês?

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O jogo de cadeiras da vida

O que eu fiz de errado? A cabeça não para de se perguntar isso enquanto os olhos lutam para segurar as lágrimas e o peito, o choro.

Por fim todos eles vêm, incluindo o daqueles que estão ao redor. Um choro sincero pois o choque ecoou em todos. A lembrança será sempre dolorida, ainda mais porque, assim como a felicidade atingia a muitos, a dor veio alcançar todos eles também. É difícil olhar nos olhos daqueles que decepcionamos, é difícil nos olharmos no espelho depois de falhar consigo mesmo.

Ultimamente o personagem Ted Mosby, da série How I Met Your Mother, tem me representado muito.

O tempo passa, a ferida sara, mas nunca cicatriza. A pergunta ainda reverbera dentro. A vida seguiu e lugares foram trocados, pessoas foram substituídas. Alguém que você ama está feliz depois daquele que foi um dos piores dias da sua vida. A culpa não foi dela. Ela chegou muito depois do estrago ter sido feito.

Feliz pelo outro, triste por mim. Fujo de encontros, de situações em que me perguntem mais do que estou disposta a responder. Eu tenho o hábito de desaparecer quando a vida fica confusa, quando o chão sob meus pés fica instável. Só retorno quando me sinto forte de novo. Às vezes isso demora.

Espero que não demore tanto desta vez.

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O medo de não dar conta

Acho que todo mundo já passou ou vai passar por uma situação de pânico de não dar conta e fracassar. Não falo da ansiedade diária da nossa vida contemporânea, falo do aperto no peito e do medo de arriscar o novo.

Já me senti nervosa diversas vezes na vida. Primeiro dia de aula, início do trabalho, um evento importante ou qualquer situação que eu estivesse ou me sentisse em evidência. Quanto mais eu achava que estava chamando a atenção, mais eu tinha medo de fracassar na frente de todos. Não por medo do julgamento desses outros, mas pelo meu próprio, por sentir que não me dediquei, não me esforcei o suficiente ou que fui irresponsável.

O personagem Ted Mosby da série How I Met Your Mother inseguro no seu primeiro dia como professor.

Lembro que quando estava prestando vestibular senti algo assim perto da data da prova. Uma certeza de que não iria conseguir, a afirmação de que eu não sabia de nada e que não poderia competir com os outros. No final, passei de primeira para o curso que queria na UFPA, consegui uma bolsa integral para o mesmo curso em uma faculdade particular e ainda uma vaga na área técnica.

Não estou contando isso para dizer que no final tudo vai dar certo, não mesmo! Quando eu tinha o pânico próximo ao vestibular, achava que eu era muito burra e não ia passar, ai que eu estudava mesmo! Era uma forma de me tranquilizar e mandar um recado para mim mesma mostrando que eu já estava familiarizada com a matéria.

O fracasso ou o sucesso vai depender de você e do seu esforço. Se acha que não vai dar conta, se esforce mais! Tem medo de errar? Então se aplique em aprender aquilo e tenha domínio e segurança sobre o assunto/situação.

Decidi que vou voltar a estudar, vou tentar o mestrado em comunicação. Isso não é algo que se conquista em um dia e eu ainda nem defini o tema da minha pesquisa direito! Tenho um ano até o próximo edital de inscrição pretendo pesquisar muito até lá, escrever, ler, falar sobre o assunto, para que eu esteja convicta no dia de apresentar meu projeto de pesquisa.

Nunca fui a pessoa da pesquisa científica. Leio, é claro, mas meu foco sempre foi o mercado. O meu medo de não dar conta vem justamente daí, da falta de convívio com a acadêmia, que muitas vezes é tão excludente e cheia de egos quanto o mercado de trabalho, só que com este eu sei lidar.

Vai ser difícil voltar a essa rotina depois de quase quatro anos de formada, mas percebi que é a necessidade de pensar e pesquisar em comunicação está me levando de volta. Cada um tem seu tempo. Fico feliz do meu ter chego, mesmo depois de um bom período fora da universidade. Não fiz nada correndo ou para encher currículo, ao contrário, estou indo por uma necessidade interior de confrontar pensamentos e idéias. Crescer como pessoa, antes de crescer como profissional.

O pânico está aqui, mas vou seguir estudando e dizendo para ele que estou fazendo a minha parte.

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Nem de casa e nem visita

Edgar Augusto, jornalista especializado em música, era o responsável pelas pautas musicais do Centro Cultural Sesc Boulevard nos dois anos que estagiei lá. Seu nome é notório em Belém e eu fiquei bem feliz e, ao mesmo tempo, nervosa de trabalhar ao lado de alguém com a sua trajetória.

Nós colocamos aqueles que admiramos em pedestais e esquecemos que eles são pessoas como nós. Edgar se mostrava a cada dia mais acessível. Bom orador, ele contava histórias de outros tempos, imitava pessoas, usava vozes diferentes e fazia a todos rir.

Vista de uma exposição de fotografias pinhole realizada no Centro Cultural Sesc Boulevard em 2011. Foto: Debb Cabral
Vista interna do Sesc Boulevard. Foto: Debb Cabral

Três anos se passaram desde a minha formatura e o fim do meu estágio. Eu não estou mais no Sesc e nem o Edgar.

Esses dias li sua coluna no jornal. Ele falava sobre o tempo que parece ora acelerar, ora passar arrastado. Mas e o tempo do pertencimento? Edgar contou que voltou uma noite ao Sesc como convidado e sentiu um misto de sensações.

Nem de casa e nem visita.

Conhecemos os segredos do lugar, rostos amigos abrem um sorriso ao nos rever, mas ao mesmo tempo, não somos mais parte dele. Ou será que somos? Acho que sempre vamos ser parte daquilo pelo qual passamos e também vamos deixar a nossa parte em tudo o que tivermos contato.

Toda vez que retorno a um lugar que me foi cotidiano ou com que tive uma relação que me foi habitual, sinto uma confusão de sentimentos, desde a vontade de abraçar a todos até o desejo de sair correndo.

O tempo não volta. Os bons tempos menos ainda. Mas eles ficam fixos na memória para sempre, como em uma fotografia. Sempre que olharmos ou entrarmos em contato novamente com aquilo vamos enxerga-lo por esse filtro. Novas memórias vão se depositar sobre ele e ficar cada vez mais intensas sobre nós. Quem eu era quando estagiária não é mais quem sou hoje, mas aquela pessoa continua aqui dentro, ela é uma parte de mim.

Hoje eu não sou de casa e nem visita, sou transitória, e isso é algo bom.

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Volte duas casas e jogue novamente

O mundo da voltas, não é mesmo? A vida dá mais ainda.

Comecei 2017 com o pé direito, acreditando que este seria o ano da mudança e aquele que se tornaria o catalisador da transformação do sonho em realidade.

Foi um sonho sim, cheio de experiências, risos, ansiedade, amizade, pânico e, ainda assim, estabilidade. Há uns três meses tudo isso mudou. E agora?

Imagens da série “Mozart in the Jungle”

Volte duas casas e repita a jogada.

Eu me vi tendo que recomeçar, refazendo passos que não imaginava fazer de novo tão cedo. Eu que estava pronta para ir atrás da próxima etapa tenho, agora, que refazer as duas anteriores.

Eu não me desespero e não desconto em ninguém. Recentemente completei 25 anos e vi o quanto amadureci e aprendi a lidar com a frustração e a vontade de desistir. Não vou dizer que eu não tenho medo ou que não tenho um ataque de pânico escondido de vez em quando. Tenho sim, mas é preciso seguir em frente.

Fico pensando onde estarei aos 30 anos, os planos ainda são os mesmos: um bom emprego na minha área, trabalhando com jornalismo e cultura; ter o meu próprio canto, meu porto seguro; ter alguém com quem dividir os sonhos e o cansaço diário e, ainda assim, me sentir estimulada a realizar coisas novas; não ter filhos, pois optei por focar em mim e na minha liberdade.

De tudo isso, só a última coisa permanece inabalável, mas meus planos não me permitem alterar a ordem dos fatores, assim, como retrocedi alguns passos, o avanço foi adiado.

Este talvez seja um dos posts mais sinceros que já escrevi. Dentro de mim, eu sei, que não posso deixar ninguém entrar na minha vida enquanto ainda estiver confusa e instável. Quando eu não me sinto bem,  me fecho e desapareço. Não quero desperdiçar boas chances e afastar boas pessoas agora.

Tudo bem perder de vez em quando, o importante é não desistir e não abandonar o jogo. Todo mundo gosta de uma boa reviravolta e de um azarão, não é mesmo?

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