O medo de não dar conta

Acho que todo mundo já passou ou vai passar por uma situação de pânico de não dar conta e fracassar. Não falo da ansiedade diária da nossa vida contemporânea, falo do aperto no peito e do medo de arriscar o novo.

Já me senti nervosa diversas vezes na vida. Primeiro dia de aula, início do trabalho, um evento importante ou qualquer situação que eu estivesse ou me sentisse em evidência. Quanto mais eu achava que estava chamando a atenção, mais eu tinha medo de fracassar na frente de todos. Não por medo do julgamento desses outros, mas pelo meu próprio, por sentir que não me dediquei, não me esforcei o suficiente ou que fui irresponsável.

O personagem Ted Mosby da série How I Met Your Mother inseguro no seu primeiro dia como professor.

Lembro que quando estava prestando vestibular senti algo assim perto da data da prova. Uma certeza de que não iria conseguir, a afirmação de que eu não sabia de nada e que não poderia competir com os outros. No final, passei de primeira para o curso que queria na UFPA, consegui uma bolsa integral para o mesmo curso em uma faculdade particular e ainda uma vaga na área técnica.

Não estou contando isso para dizer que no final tudo vai dar certo, não mesmo! Quando eu tinha o pânico próximo ao vestibular, achava que eu era muito burra e não ia passar, ai que eu estudava mesmo! Era uma forma de me tranquilizar e mandar um recado para mim mesma mostrando que eu já estava familiarizada com a matéria.

O fracasso ou o sucesso vai depender de você e do seu esforço. Se acha que não vai dar conta, se esforce mais! Tem medo de errar? Então se aplique em aprender aquilo e tenha domínio e segurança sobre o assunto/situação.

Decidi que vou voltar a estudar, vou tentar o mestrado em comunicação. Isso não é algo que se conquista em um dia e eu ainda nem defini o tema da minha pesquisa direito! Tenho um ano até o próximo edital de inscrição pretendo pesquisar muito até lá, escrever, ler, falar sobre o assunto, para que eu esteja convicta no dia de apresentar meu projeto de pesquisa.

Nunca fui a pessoa da pesquisa científica. Leio, é claro, mas meu foco sempre foi o mercado. O meu medo de não dar conta vem justamente daí, da falta de convívio com a acadêmia, que muitas vezes é tão excludente e cheia de egos quanto o mercado de trabalho, só que com este eu sei lidar.

Vai ser difícil voltar a essa rotina depois de quase quatro anos de formada, mas percebi que é a necessidade de pensar e pesquisar em comunicação está me levando de volta. Cada um tem seu tempo. Fico feliz do meu ter chego, mesmo depois de um bom período fora da universidade. Não fiz nada correndo ou para encher currículo, ao contrário, estou indo por uma necessidade interior de confrontar pensamentos e idéias. Crescer como pessoa, antes de crescer como profissional.

O pânico está aqui, mas vou seguir estudando e dizendo para ele que estou fazendo a minha parte.

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Nem de casa e nem visita

Edgar Augusto, jornalista especializado em música, era o responsável pelas pautas musicais do Centro Cultural Sesc Boulevard nos dois anos que estagiei lá. Seu nome é notório em Belém e eu fiquei bem feliz e, ao mesmo tempo, nervosa de trabalhar ao lado de alguém com a sua trajetória.

Nós colocamos aqueles que admiramos em pedestais e esquecemos que eles são pessoas como nós. Edgar se mostrava a cada dia mais acessível. Bom orador, ele contava histórias de outros tempos, imitava pessoas, usava vozes diferentes e fazia a todos rir.

Vista de uma exposição de fotografias pinhole realizada no Centro Cultural Sesc Boulevard em 2011. Foto: Debb Cabral
Vista interna do Sesc Boulevard. Foto: Debb Cabral

Três anos se passaram desde a minha formatura e o fim do meu estágio. Eu não estou mais no Sesc e nem o Edgar.

Esses dias li sua coluna no jornal. Ele falava sobre o tempo que parece ora acelerar, ora passar arrastado. Mas e o tempo do pertencimento? Edgar contou que voltou uma noite ao Sesc como convidado e sentiu um misto de sensações.

Nem de casa e nem visita.

Conhecemos os segredos do lugar, rostos amigos abrem um sorriso ao nos rever, mas ao mesmo tempo, não somos mais parte dele. Ou será que somos? Acho que sempre vamos ser parte daquilo pelo qual passamos e também vamos deixar a nossa parte em tudo o que tivermos contato.

Toda vez que retorno a um lugar que me foi cotidiano ou com que tive uma relação que me foi habitual, sinto uma confusão de sentimentos, desde a vontade de abraçar a todos até o desejo de sair correndo.

O tempo não volta. Os bons tempos menos ainda. Mas eles ficam fixos na memória para sempre, como em uma fotografia. Sempre que olharmos ou entrarmos em contato novamente com aquilo vamos enxerga-lo por esse filtro. Novas memórias vão se depositar sobre ele e ficar cada vez mais intensas sobre nós. Quem eu era quando estagiária não é mais quem sou hoje, mas aquela pessoa continua aqui dentro, ela é uma parte de mim.

Hoje eu não sou de casa e nem visita, sou transitória, e isso é algo bom.

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Volte duas casas e jogue novamente

O mundo da voltas, não é mesmo? A vida dá mais ainda.

Comecei 2017 com o pé direito, acreditando que este seria o ano da mudança e aquele que se tornaria o catalisador da transformação do sonho em realidade.

Foi um sonho sim, cheio de experiências, risos, ansiedade, amizade, pânico e, ainda assim, estabilidade. Há uns três meses tudo isso mudou. E agora?

Imagens da série “Mozart in the Jungle”

Volte duas casas e repita a jogada.

Eu me vi tendo que recomeçar, refazendo passos que não imaginava fazer de novo tão cedo. Eu que estava pronta para ir atrás da próxima etapa tenho, agora, que refazer as duas anteriores.

Eu não me desespero e não desconto em ninguém. Recentemente completei 25 anos e vi o quanto amadureci e aprendi a lidar com a frustração e a vontade de desistir. Não vou dizer que eu não tenho medo ou que não tenho um ataque de pânico escondido de vez em quando. Tenho sim, mas é preciso seguir em frente.

Fico pensando onde estarei aos 30 anos, os planos ainda são os mesmos: um bom emprego na minha área, trabalhando com jornalismo e cultura; ter o meu próprio canto, meu porto seguro; ter alguém com quem dividir os sonhos e o cansaço diário e, ainda assim, me sentir estimulada a realizar coisas novas; não ter filhos, pois optei por focar em mim e na minha liberdade.

De tudo isso, só a última coisa permanece inabalável, mas meus planos não me permitem alterar a ordem dos fatores, assim, como retrocedi alguns passos, o avanço foi adiado.

Este talvez seja um dos posts mais sinceros que já escrevi. Dentro de mim, eu sei, que não posso deixar ninguém entrar na minha vida enquanto ainda estiver confusa e instável. Quando eu não me sinto bem,  me fecho e desapareço. Não quero desperdiçar boas chances e afastar boas pessoas agora.

Tudo bem perder de vez em quando, o importante é não desistir e não abandonar o jogo. Todo mundo gosta de uma boa reviravolta e de um azarão, não é mesmo?

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Quando tudo começa a dar errado

Eu assisto muitas séries e observei algo com o passar do tempo. Sempre que está tudo bem e todos estão felizes, vem uma desgraça gigantesca logo em seguida.

São os plots twists ficcionais, mas que tem tudo a ver com a vida real. Sabe o meme “a série de erros da minha vida”? Pois é, ele nos lembra que o efeito dominó é algo constate, que tudo o que está de pé pode cair um dia. Tudo mesmo.

Da série “How I Met Your Mother”

Mas como lidar? Como não se deixar abater? Como se manter de pé?

Eu não sei.

Nessas horas a ansiedade domina e começamos a ver os piores cenários possíveis e nenhuma solução. Às vezes fingimos ignorar e nos entregamos a algo que vai se tornando um novo vício, mas isso não faz com que os problemas se resolvam milagrosamente. O escapismo nunca é real e o entorpecimento é passageiro.

O nosso cérebro é multitarefas e está sempre tentando buscar saídas e soluções. É como se fosse um computador que fica rodando um programa que não permite ser fechado e que só vai encerrar quando estiver tudo ok. Eu penso que primeiro temos que mergulhar dentro de nós mesmos. Ficar quietos, rever os detalhes. Após esse momento de introspecção é que virá a decisão em relação à próxima atitude. Nem sempre isso resultará no fim dos problemas, mas ajuda a organizar as ideias e as emoções.

Tem hora em que parece que nunca vamos conseguir vencer e que um erro vai levar sempre ao outro. A vida nos derruba e ficar no chão é mais fácil do que tentar levantar e levar a próxima porrada.

Aguente firme. Pense no que é melhor pra você. Pense no que é melhor para os outros. Não se entregue.

Faça dar certo. Você é o potencial de mudança da sua vida.

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Busca pela felicidade, melancolia e ansiedade. Um ciclo eterno?

Já tentou sorrir por muito tempo? Cansa não é mesmo? O corpo não consegue forçar algo por um longo período. Tentar ser feliz a todo custo é mais ou menos assim.

Ser feliz não é algo ruim, gente, que absurdo, não me entendam errado. A busca interminável pela felicidade é que cansa, principalmente se essa busca estiver associada à adquirir algo ou agradar os outros. Eu tenho sonhos, tenho desejos, sei de coisas que quero muito, mas não posso ficar pensando só nisso. Obsessão é algo muito sério, pois nos desliga no mundo e nos deixa cegos para todo o resto.

Cisne Negro (filme)

De que adianta se preocupar com algo que ainda está distante? Faça o que estiver ao seu alcance para realizar aquilo que deseja, mas não fique se martirizando se não acontecer ou demorar muito pra chegar. Enquanto isso, não esqueça de viver. Pare de antecipar as dores de cabeça, pare de ser derrotado pela ansiedade.

Também não despeje as suas expectativas em cima das outras pessoas, todo mundo já tem um fardo pra carregar, não queira que os outros carreguem o seu. Se você quer conversar, reclamar ou chorar, esteja consciente de que o outro também pode querer fazer isso. O apoio tem que ser mútuo.

Às vezes a desolação nos domina, sei como é. Não dá vontade de sair da cama e já estamos derrotados antes mesmo do dia começar. Vivemos sentimentos extremos. Um dia é histeria, no outro, melancolia. O equilíbrio é algo que parece tão distante…

A Carla do Faltou Açúcar fez um vídeo tocante sobre isso. Ela tornou suas angústias algo visível e palpável e depois lidou com elas. É preciso coragem para mostrar as nossas fraquezas.

Talvez o segredo seja olhar para o que está mais próximo, o que dá e tem de ser resolvido agora. Lidar com o depois, só depois mesmo. Não deixar a ansiedade nos dominar. Viva cada momento a seu tempo. Não deixe de viver o hoje e só pensar no amanhã. Olhe para o lado e veja, você deve ter algum motivo para sorrir.

Pare de contar os minutos, contar os centavos. Eu sei, é difícil, ainda mais quando algumas situações nos deixam com a corda no pescoço. Mas tente não se enforcar sozinho. Se angustiar não resolve nada, ok?

As coisas são como um delicioso bolo no forno. Parece que demora mais pra ficar pronto quando você fica vidrado olhando o tempo todo, não é mesmo? Então, já fez a sua parte? Já bateu o bolo e limpou a cozinha? Agora deixe o forno fazer a parte dele e vá curtir um pouco, pois quando você menos esperar a doce recompensa estará pronta. 🙂

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