Nem de casa e nem visita

Edgar Augusto, jornalista especializado em música, era o responsável pelas pautas musicais do Centro Cultural Sesc Boulevard nos dois anos que estagiei lá. Seu nome é notório em Belém e eu fiquei bem feliz e, ao mesmo tempo, nervosa de trabalhar ao lado de alguém com a sua trajetória.

Nós colocamos aqueles que admiramos em pedestais e esquecemos que eles são pessoas como nós. Edgar se mostrava a cada dia mais acessível. Bom orador, ele contava histórias de outros tempos, imitava pessoas, usava vozes diferentes e fazia a todos rir.

Vista de uma exposição de fotografias pinhole realizada no Centro Cultural Sesc Boulevard em 2011. Foto: Debb Cabral
Vista interna do Sesc Boulevard. Foto: Debb Cabral

Três anos se passaram desde a minha formatura e o fim do meu estágio. Eu não estou mais no Sesc e nem o Edgar.

Esses dias li sua coluna no jornal. Ele falava sobre o tempo que parece ora acelerar, ora passar arrastado. Mas e o tempo do pertencimento? Edgar contou que voltou uma noite ao Sesc como convidado e sentiu um misto de sensações.

Nem de casa e nem visita.

Conhecemos os segredos do lugar, rostos amigos abrem um sorriso ao nos rever, mas ao mesmo tempo, não somos mais parte dele. Ou será que somos? Acho que sempre vamos ser parte daquilo pelo qual passamos e também vamos deixar a nossa parte em tudo o que tivermos contato.

Toda vez que retorno a um lugar que me foi cotidiano ou com que tive uma relação que me foi habitual, sinto uma confusão de sentimentos, desde a vontade de abraçar a todos até o desejo de sair correndo.

O tempo não volta. Os bons tempos menos ainda. Mas eles ficam fixos na memória para sempre, como em uma fotografia. Sempre que olharmos ou entrarmos em contato novamente com aquilo vamos enxerga-lo por esse filtro. Novas memórias vão se depositar sobre ele e ficar cada vez mais intensas sobre nós. Quem eu era quando estagiária não é mais quem sou hoje, mas aquela pessoa continua aqui dentro, ela é uma parte de mim.

Hoje eu não sou de casa e nem visita, sou transitória, e isso é algo bom.

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Valorizem a vida real

Esses dias topei com um post da Ana, do Hoje Vou Assim Off, que me fez pensar muito.

Adoro salvar coisas bonitas no Pinterest e postar fotos bacanas no Instagram, mas a vida real nem sempre é tão bem enquadrada, não é mesmo? Nem sempre nossas camas estão arrumadas, a louça da pia está lavada, nossas estantes estão limpas ou estamos com uma bela maquiagem para uma selfie.

A vida real se faz em meio ao caos, aos eventos não planejados e aos imprevistos no meio do caminho.

A série The Middle mostra o aprendizado em meio ao caos.

Quando conseguimos sair de todas as armadilhas, ficamos satisfeitos. Chegar em casa e ter cumprido seu dever é reconfortante. Às vezes a ordem de alguma coisa é mais urgente que a ordem de outra. A casa às vezes fica bagunçada para que a vida emocional encontre o seu rumo. Mas, infelizmente, parece que para uns isso pouco importa. Para estes, se você não tiver a casa igual a da revista de decoração, você não é alguém.

Quando vi a Ana falando sobre o seu apartamento, lembrei logo do meu sonho de ter meu próprio canto. Tenho dezenas de inspirações e sempre me pergunto como vou conciliar os móveis e objetos que já tenho com a minha ideia de casa.

Não posso separar um do outro.

Eu comprei esses móveis, eu suei, economizei, pesquisei, tirei medidas, furei paredes e escolhi um a um. A cadeira de design é linda, mas aquela do magazine do supermercado da minha cidade também é, ainda mais se ela me lembra que foi uma conquista através da maturidade financeira, adquirida há muito custo. Ela faz par com uma mesa simples de um marceneiro local e juntos formam meu amado home-office. Diz se isso não é incrível?

O que importa mesmo são as experiências

Como deixar esse tipo de coisa fora? Como esquecer daquilo que te diferencia, e que foi uma experiência que te formou, em função de um padrão?

Não dá. Isso não nos traz milhares de likes ou seguidores, mas traz uma paz consigo mesmo, uma plenitude que não tem preço.

Não mesmo.

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Leituras de 2016 – Retrospectiva e metas alcançadas

Em janeiro deste ano eu postei um vídeo com várias metas que queria realizar. Algumas  eu não consegui, mas outras finalmente aconteceram. 2016 foi um ano estranho em muitos sentidos, inclusive no que diz respeito à leitura.

Leituras_2016_GatoQueFlutua_Foto_Debb_Cabral

Uma das minhas metas era cumprir a TAG – Melhores livros nacionais do ano, da Ju, do Nuvem Literária. Olhem só os desafios:

 O primeiro livro nacional que você leu esse ano.

Notícias do Planalto. Levei quase dois meses pra terminar de ler esse livro que é muito bom, porém é pesado demais para carregar, rs. É uma boa reflexão sobre o impeachment do Collor e a história politica do Brasil.

Um livro nacional com personagem forte.

Pretérito Mais Que Perfeito.O personagem principal desse livro é um banco de praça! Isso mesmo, ele mostra a cidade como agente que transforma e é transformada. Muito bom!

Um livro nacional que te emocionou e/ou fez chorar.

Dois Irmãos. Li esse livro em um dia, não conseguia parar de virar as páginas. A história é fascinante e a arte dos gêmeos Moon e Bá está fantástica. Em janeiro a Globo vai lançar uma série dessa história, fiquem de olho!

Um livro nacional intrigante.

Luz, o deus do horror. O Andrei Simões sabe contar uma história assustadora. O livro começa como uma homenagem ao terror clássico e depois envereda por caminhos perturbadores.

Um livro nacional de Ficção Científica.

A procura de vida inteligente. Não podia deixar de falar desse livro por aqui! Eu já recomendei pra tanta gente. O livro do Victor leva a gente numa viagem pela mente de um robô para nos fazer enxergar o que nos torna humanos. Fantástico!

Um livro nacional que deixou saudade.

Contos Fluminenses. Este ano voltei a ler Machado de Assis, algo que não fazia desde a adolescência. Este é um livro de contos, uma leitura rápida e tranquila. Recomendo!

Um livro nacional de poesia.

Este ano não li nenhum livro de poesia, inclusive não tenho nenhum livro novo desse tipo aqui em casa. Quando era adolescente, eu lia muita poesia, porém esse hábito se perdeu. Pra não dizer que não li nada, esses dias eu estava fazendo uma seleção do que eu iria desapegar e encontrei dois livros de poesia que amo muito: Receita de Poesia (Vinicius de Moraes) e Simplesmente Drummond (Carlos Drummond de Andrade), do projeto “Literatura em minha casa”, do Governo Federal. Deles eu não me desapego!

Um livro nacional com muita ação e/ou de tirar o fôlego.

Quissama – O Império dos capoeiras. Esse livro é fantástico! Se passa no Brasil imperial e conta a aventura do jovem escravo Vitorino Quissama que pede ajuda ao viajante inglês Daniel Woodruff para encontrar a sua mãe. Recomendo muito!

Um livro nacional infanto-juvenil/jovem-adulto.

Centelha – Herdeiros do Olimpo. Pra quem curte mitologia é perfeito. Um grupo de jovens se descobrem semi-deuses e devem embarcar em uma jornada de vida ou morte.

Um livro nacional de Fantasia.

Na Teia do Morcego. A fantasia é a história ou o traje do personagem? Neste livro são as duas coisas, uma vez que temos o Batman em São Paulo!

Um livro nacional que esteja lendo no momento.

Zoom. Acabei recentemente e é o inicio de uma trama que tem as abelhas no centro. Uma reflexão sobre politica, autoridade, liberdade e vida em sociedade. Em breve tem resenha.

Próximo livro nacional que vai ler.

Macunaíma. Amo demais o filme, mas nunca li todo o livro. Sempre que chega próximo do final, por algum motivo a leitura é interrompida, porém, em janeiro tenho um desafio de ler um clássico nacional e esse é o escolhido!

✚ NO MÍNIMO 40 LIVROS

Fora isso ainda tinha me prometido ler no mínimo 40 livros em 2016. Foi uma correria, ainda mais neste ultimo mês. Apesar de tudo, eu estou bem satisfeita. Li livros de gêneros que gosto de verdade, li mais quadrinhos, mais nacionais e livros acadêmicos também. Foram 26 estrangeiros e 15 nacionais!

  1. Guerra Civil
  2. Notícias do Planalto
  3. Hellraiser – Renascido do Inferno
  4. A vida como ela era
  5. O signo dos quatro
  6. Grandes Pecados da Imprensa
  7. As Aventuras de Luke Skywalker, Cavaleiro Jedi
  8. Psicose
  9. O Vermelho e o Negro
  10. Divertida Mente – A História do Filme em Quadrinhos
  11. Meu Refúgio
  12. Para Entender a TV Digital
  13. Quissama – O Império dos capoeiras
  14. A Procura de Vida Inteligente
  15. Demolidor – A Queda de Murdock
  16. Pretérito Mais Que Perfeito
  17. Dois Irmãos
  18. O Quarto Vermelho
  19. Batman ’66
  20. O Planeta dos Macacos
  21. O Bom Dinossauro – A História do Filme em Quadrinhos
  22. Contos Fluminenses
  23. Cemitério de Plástico
  24. O Massacre da Serra Elétrica [Arquivos Sangrentos]
  25. Social Killers – Amigos Virtuais, Assassinos Reais
  26. O Espetacular Homem-Aranha – A Última Caçada de Kraven
  27. Na Teia do Morcego
  28. A Menina Submersa: Memórias
  29. Luz, O deus do horror
  30. O Livro de Ouro do Recruta Zero 4
  31. A Zona Morta
  32. Centelha – Herdeiros do Olimpo
  33. X-Men: Deus Ama, o Homem Mata
  34. O Livro de Ouro do Hagar, o Horrível 3
  35. Doutor Estranho – O Juramento
  36. Inferno
  37. Batman – O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas?
  38. A cor que caiu do espaço 
  39. Miguel e os Demônios 
  40. Zoom
  41. A vida privada das árvores 

✚ EM 2017

Eu pretendia aumentar mais cinco livros na meta de 2017, mas neste novo ano eu vou trabalhar muito e ficarei o dia todo ocupada, então meu tempo de leitura será reduzido. Como não vou poder ler mais, pretendo ler melhor e por isso vou cumprir doze desafios literários, mas isso é assunto pro próximo post… 🙃

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Andrei Simões lança seu novo livro “Luz, O deus do Horror”

Eu estou muito feliz em compartilhar com vocês que, no dia 04 de outubro, às 18h, no Sesc Boulevard, em Belém, o escritor paraense de terror e horror Andrei Simões vai lançar o terceiro livro impresso da sua carreira!

Depois de ler Putrefação eu virei fã do autor e da sua escrita direta e impactante. Eu conheço o Andrei e ele é um cara com muito conhecimento e boas referencias, por isso estou muito curiosa para ler Luz, O deus do Horror, seu novo livro.

Andrei Simoes_blog_Foto_Debb_Cabral

Esse trabalho conta com ilustrações do paulista Eduardo Seiji e projeto gráfico e editorial de Flor di Maria Fontelles. A obra inaugura a linha de terror da Twee Editora. Incrível, não é mesmo?

Se liga na sinopse!

Luz, o deus do Horror

E se o regente deste mundo não se chamasse Amor?

            E se o medo fosse o alimento e instrumento de controle de um deus humano, demasiadamente humano?

            Obras de terror vão muito além do susto e do medo. Elas podem também servir para nos fazer pensar sobre a nossa realidade e a do mundo.

            Entrando em uma espiral descontrolada de seres que habitam os pesadelos mais assustadores da espécie humana, a boneca, o fantasma de uma criança, o monstro da estrada, o quadro mal-assombrado e outros arquétipos do gênero, as personagens deste livro se depararão com o mais puro horror e descobrirão verdades que poderão alterar o curso da própria vida humana.

            A cada capítulo, histórias de um terror absoluto serão contadas, através de gritos ecoantes em vários lugares do mundo, de uma capital na Amazônia brasileira a um esquecido vilarejo chinês; todas diretamente interligadas, em um romance seriado que se direciona a um clímax épico, surtado, filosófico e inesquecível.

            Afogando-se no próprio sangue, o ser humano conseguirá se libertar das correntes que ele mesmo criou para si?

            Na intensidade de um soco literário, Luz é um retrato atualíssimo sobre a ausência de crença em nossas existências, diante de um mundo de alienação social e religiosa que nos impõe nada além de medo e controle, o vigiar e punir de cada dia.

            Divertido. Apavorante. Reflexivo.

            Uma homenagem e ao mesmo tempo uma profunda e original subversão ao gênero.

            Permita-se. Abra este livro e entenda que só amamos a luz porque temos medo do escuro.

✚ Pra quem ficou curioso, dá pra ler o primeiro capítulo aqui, além de poder comprar o livro na pré-venda também e concorrer a uma edição especial com capa de couro e autografada!

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andrei-simoes-escritorAndrei Simões

Utilizando filosofia, ciência e ocultismo, navegando entre o realismo mágico e o horror, Andrei Simões procura instigar e provocar o leitor, com literatura minimalista, direta e profunda, utilizando de símbolos obscuros do inconsciente para trazer à tona difíceis, mas necessárias reflexões sobre a vida e a morte. O escritor nasceu em Belém do Pará, é biólogo e mestre em comportamento animal. Andrei tem outros dois livros publicados em papel, Zon, O Rei do Nada e Putrefação.

SERVIÇO

Lançamento do livro Luz, O deus do Horror, de Andrei Simões com ilustrações de Eduardo Seiji.
Data: 04 de outubro de 2016, às 16h
Local: Centro Cultural Sesc Boulevard
Endereço: Boulevard Castilhos França, 522/523 – Campina

PROGRAMAÇÃO

  • 18h às 20h40 – Lançamento do livro Luz, O deus do Horror com sessão de autógrafos.
  • 19h – Acústico sombrio com Marcelo Kahwage.

* Durante o evento haverá performances com o artista Gilberto Guimarães Filho e recitação de trechos do texto do autor.

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6 on 6 – Julho 2016

Eu já ia me esquecendo que o dia 06 era hoje. Ia passar batido! Estava organizando as coisas pra outro post quando me lembrei, ainda bem que deu tempo de fazer as fotos.

Lá vai!

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01. Em junho eu fiz aniversário e esses são dois dos meus presentes. Um Hot Wheels de Star Wars por que garota também curte carrinhos e por que esse ai é o do Kylo Ren (que eu amo e vou proteger sempre). O outro é o livro O Planeta dos Macacos nessa edição linda da Aleph, que eu já li e já resenhei também.

02. No meu aniversário eu estava trabalhando o dia todo, só cheguei em casa depois dos parabéns que rolou sem a aniversariante. Dá pra imaginar? Minha mãe e minha avó tomaram um vinho que um amigo trouxe pra mim dos Chile. Eu guardei a rolha como lembrança do presente e de que eu tenho que viajar e conhecer essa cidade.

03. O nome do blog é GatoQueFlutua, então se acostumem que sempre vai ter um gato por aqui. Hoje é a Spoder seduzindo de novo.

04. Um spoiler de um próximo post. Receita de um biscoito de maizena que é muito barato, fácil e rápido de fazer. Fica uma delicia!

05. Esse corretivo se tornou o meu melhor amigo. Já resenhei essa belezura da Vult e tenho vontade de contar pra todo mundo o quanto o amo.

06. Por falar em amor, não há palavra melhor para definir o que sinto em relação à esse livro do Massacre da Serra Elétrica. Foi através dele que descobri a editora Darkside e, ironicamente, nunca o tive na minha estante. Eu sempre fui louca para ter esse livro e não acredito que finalmente o consegui através de uma troca no Skoob. Fico empolgada só de olhar pra ele, que já pulou para o topo da lista de leituras sem nem passar pela TBR. Em breve tem resenha por aqui. <3

Espero que tenham gostado! 😀

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