Mantenha a calma e se cerque do que é bom

Textos mais otimistas pouco se vê aqui no blog. Sempre quando é uma crônica ou um texto mais pessoal, é acompanhado de um drama. A tristeza, melancolia e a dor sempre me deram vontade de escrever, diferente da felicidade. Vai entender, né?

É engraçado como para mim estar mal, confusa e sem motivação é normal. Quando me sinto bem, apesar de tooooodos os problemas, é estranho.

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Pareço uma hippie e essas palavras parecem tão vazias e generalistas, mas elas são tão verdadeiras. Fico muito em casa, acho que é por isso que quando a crise existencial bate, ela bate forte. Fico me questionando muito.

Esses dias tenho acompanhado a oficina de uma amiga dentro do projeto em que trabalho. Na oficina, ao ouvir as propostas e processos dos outros, me dei conta que todo mundo está confuso e isso é normal.

Não é o fim do mundo estar com dúvidas. É o fim não ir atrás de respostas.

Recentemente tive problemas com meu notebook e com a internet, isso em uma semana em que precisava produzir muita coisa do trabalho. Mas eu estou tão de boa que consegui dar conta de tudo sem surtar. Se isso tivesse acontecido, eu me prejudicaria, pois não teria ritmo ou organização. Eu pautei prioridades, pedi ajuda, busquei alternativas e essa experiência toda me mostrou que não há nada que eu não possa fazer.

Acho que isso tem a ver com a maturidade. Quando era adolescente, eu era bem esquentada e ficava de mal humor por tudo. Hoje em dia tenho mais paciência e percebi que ser adulta é não deixar ninguém na mão, é ser responsável, ser alguém com quem se pode contar.

É sério o quanto me sinto ridícula. Mas sou uma ridícula feliz, uma piegas que entendeu que clichês e frases feitas só estão ai há tanto tempo porque carregam verdades em si.

Desapegue-se dos problemas.

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Talvez a Geração Mimimi seja a mais corajosa que já existiu

Nossa que polêmico esse titulo, né? Acho que ele cumpriu a função de te chamar a atenção para uma reflexão.

Então, vamos lá!

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Protesto Belém Livre, 2013. Foto: Debb Cabral

A Geração Z, também chamada de Geração Mimimi, é acusada de tudo o que não é bom, como ser chata, reclamona, preguiçosa e por ai vai. Tem a sua moral jogada para baixo porque não viveu nenhuma grande guerra e porque seus membros nasceram com tudo nas suas mãos ao poder de um clique. Porém, isso não significa que o mundo está perfeito e que ela não pode ter um senso questionador, não é mesmo?

Quando falo da Geração Mimimi, falo dessa nossa geração contemporânea e, claro, não de filhinhos de papai que dirigem carros antes dos 18 anos para saírem bêbados e atropelarem inocentes pela noite adentro. Falo da geração com mais acesso ao conhecimento que já existiu, da com mais jovens na universidade, da que milita por todas as causas que considera justa.

Por falar em militância isso também é tido como um adjetivo negativo para os que se referem à essa geração. Pedem para que ela saia da internet e vá  para as ruas protestar, mas quando isso acontece, quando prédios públicos são ocupados pedindo uma CPI da Merenda ou a volta do Ministério da Cultura, essa geração é vista como um bando de arruaceiros. Isso não faz sentido.

A Geração Mimimi é aquela que se preocupa com o direito das mulheres, do movimento LGBT, dos negros, é a que se preocupa com a igualdade. É marginalizada por colocar o crescimento social na frente do crescimento econômico.

“Todo ato neste planeta é um ato politico”

Essa frase da Senadora Finch no filme Batman Vs Superman – A Origem da Justiça ficou na minha cabeça. Ela me lembrou de que você não precisa estar ligado à nenhum partido politico para que suas escolhas signifiquem que há a necessidade de uma mudança.

Foto: Debb Cabral
Protesto Belém Livre, 2013. Foto: Debb Cabral

Nunca satisfeitos e sempre conectados

Vendo como o outro vive e não se contentando com a rotina do escritório e de bater ponto. A geração do horário flexível, dos freelancers, do financiamento coletivo e dos que apostam em seus próprios sonhos. É a geração que se arrisca mesmo tendo recebido tudo na mão, isso é ser corajoso, sair da zona de conforto e fazer parte da inquietação coletiva.

“Emitir juízo de valor exige coragem”

Essa foi outra frase que ficou na minha cabeça. Ela foi dita pela arquiteta Jussara Derenji, numa palestra sobre patrimônio histórico, mas cabe em tanta coisa…

Há a necessidade de contemplar, mas também a necessidade de criar e a arte está muito próxima desse objetivo. Usar o poder de fala de cada um, não acreditar no que a mídia tradicional diz e buscar novas formas de se informar.

Isso não quer dizer que a Geração Mimimi não é falha, claro que ela é. Séculos de preconceitos ainda estão arraigados em sua criação. Há desconfiança, a sensação de impotência e a negação.

Não é fácil fugir, mas também não é tão mais fácil os manter acorrentados

O jovem é visto como inferior, sem conhecimento e sem senso critico. Como se ele precisasse sempre que os outros escolhessem por ele. Não é bem assim. A geração conectada tem suas escolhas na palma da mão e escolhe pensar mais em si e nos outros. O que pesa contra ela é fato dela estar inserida em um contexto que não a compreende, que a obriga a trabalhar para casar, para ter filhos, dois carros na garagem e realizar todos os sonhos de seus pais.

É uma geração que escolheu não casar, viajar mais, experimentar o outro sexo, não ter filhos ou  adotar os filhos que outros abandonaram. Uma geração que quer viver as possibilidades infinitas que o mundo proporciona.

O novo causa estranhamento, mas não significa que ele esteja errado.

Sejamos todas amigas

Com esta apropriação da frase da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie venho refeletir sobre algo que me incomoda muito.

Ultimamente ando ouvindo e lendo frases como: “péssimo dia para as inimigas”, “sambando na cara das inimigas”, “bebendo as lágrimas das inimigas” e coisas do tipo. Sempre achei isso meio estranho, parece que essas inimigas são seres fantasiosos. É meio irreal para mim.

Não que a gente não tenha inimigos. Na vida, assim como construímos fortes laços de empatia, o contrario também acontece. Só que quando se usa uma frase como as que citei acima parece que todas as mulheres são opostas à você e devem ser combatidas. Vocês estão me entendendo?

Por que nós mulheres temos que estar sempre umas contra as outras?

Dentro desta sociedade machista em que vivemos somos estimuladas a competir. Ser a mais bonita, a mais magra, a mais rica, a com a melhor família. Uma coisa que percebi desde que comecei a estudar mais sobre o feminismo foi a importância de estarmos juntas. A rivalidade entre as mulheres fortalece o patriarcado e tira o foco da luta por igualdade.

SORORIDADE é a união e aliança entre mulheres, tendo como base a empatia e companheirismo.

Eu adoro essa palavra, mesmo tendo muitos debates sobre seu conceito e uso, mas eu a considero muito forte. É importante essa união. Lembro de conversas que tive com outras mulheres em que nós relatamos casos de assedio, medos e espectativas para o futuro. É triste ver como os dois primeiros são assuntos que dificilmente falamos mas que quando ouvimos, percebemos que todas temos uma história em comum.

A inimiga  é a opressão!

mom serie

Eu gosto muito de uma série de comédia chamada Mom, que conta a história de  uma relação bastante complicada entre mãe e filha. Nela, Christy é uma garçonete que está há quatro meses nos alcoólicos anônimos tentando ser uma mãe melhor e superar seu histórico de escolhas questionáveis. Sua sobriedade é colocada em prova quando sua mãe, Bonnie, reaparece. A série segue os dramas dessas mulheres que tiveram que fazer coisas das quais não se orgulham e tem que lidar com as consequências.

A questão do alcoolismo mostra como tentamos encontrar uma válvula de escape para as pressões da vida. Num grupo de mulheres fragilizadas, uma encontrou na outra a semelhança com o seu medo e sua própria história. Dentro dessa metáfora acho incrível mostrar o quanto precisamos ouvir umas às outras.

A Luísa do blog La Luisité fez um vídeo maravilhoso sobre isso. É muito bom para refletir sobre o quanto a rivalidade feminina está enraizada em nós, desde a nossa infância. Rever nossas atitudes é não reproduzir um discurso de ódio contra a outra que nada nos fez de mal e não condenar alguém pelo simples fato de existir.

Sejamos todas amigas!

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Quando você consegue não surtar

Normalmente meu post seria com o contrário da afirmação do titulo, mas hoje será diferente  e fico muito satisfeita com isso.

Estou muito enrolada com trabalho e editando um tablóide que será encartado em um dos jornais de maiores circulações daqui de Belém. Todo ano faço isso, é uma das minhas atribuições dentro do projeto de fotografia que trabalho. Em outros anos eu já estaria louca a uma hora dessas, mas esse ano estou bem.

taxi driver - gif (1)

Não que não tenha um monte de coisas faltando e o deadline não seja pra exatamente daqui a uma semana, mas estou mantendo a sanidade. Isso tem muito a ver com a experiência. Esse é o terceiro ano que faço isso. Lembro que no primeiro ano quase entrei em várias madrugadas trabalhando, além de usar meus finais de semana para isso. Tinha acabado de me formar, sair do estágio e assumir a assessoria. Quase morri, de verdade, pois fiquei muito doente durante semanas. Eu estava acabada.

No segundo ano foi mais tranquilo, mas ainda assim teve correria. Já em 2016 consegui me organizar bem, tem muito material faltando mas sei que a minha parte está sendo feita. Antigamente eu tinha “medo” de cobrar as pessoas, talvez porque tenha passado anos como estagiária e tenha me acostumado a isso. Mas mudei. Sou assessora de imprensa, eu que sou a responsável pela comunicação, então tenho todo o direito de cobrar quando me falta o material para trabalhar.

Ter consciência disso é maravilhoso.

Mostra que você está atento e que o problema são aqueles que devem fazer a parte deles mas estão procrastinando. A bomba sempre estoura na ponta, aprendi isso, ainda mais porque sou eu que estou em contato com o público. Não vou carregar o mundo nas costas.

taxi driver - gif (2)

Não dá pra comunicar se não há informação.

Lembra que já falei que a procrastinação não atrapalha só a pessoa que a realiza? Pois é, isso é um circulo, atrapalha todo mundo. Agora eu faço listas das coisas que tão faltando e mando nos emails, cobro, digo que é urgente, mas sem ser grossa, é claro. É pra dar uma sacudida na pessoa e não fazer com que ela se sinta um lixo, isso não é bom pra ninguém e não ajuda em nada.

Não sei como estarei daqui há alguns dias, quando o prazo já estiver no final de fato. Por hora, estou feliz de estar tranquila, surtar não resolve nada mesmo.

Quando você se sente um lixo

Todo mundo tem problemas, não estou aqui pra dizer que os meus são mais importantes do que os dos outros, não mesmo. Eles são só os meus problemas.

Tem sempre aquele dia em que tudo dá errado e você preferia nem ter acordado pra viver tanta tristeza.

o diabo veste prada

Problemas pessoais e/ou profissionais acumulados que decidem estourar todos em um único dia. Um email, uma bronca; uma frase, uma triste notícia.

As palavras tem poder.

Eu tinha um amigo que sempre me dizia isso quando eu falava besteira. Nunca levei muito a sério, mas percebi que, como jornalista, minha vida depende do poder das palavras. Falo da forma como elas são apresentadas, pois sei que é possível dizer que alguém está errado sem ser rude.

Seja gentil com quem está enfrentando uma batalha árdua. (Aristóteles, em O Império de Ferro)

Essa é outra frase que sempre esteve na minha mente, principalmente na hora de falar sobre o trabalho de alguém. Nós não sabemos como está de verdade a vida do outro, não sabemos dos seus problemas e dilemas mais íntimos. Se pensa o contrário sobre algo, mostre os fatos, mas lembre-se de que a sua opinião não é a única no mundo e muito menos é verdade absoluta.

Hoje, em meio há um grande problema pessoal, ganhei um grande problema profissional. Uma pesada reclamação via email. Senti as pernas ficarem sem força, o estômago se revirar e o rosto começar a ficar vermelho.

Sempre fui de reconhecer abertamente quando erro e pedir desculpas por isso. Talvez a bronca tenha doído mais porque eu já tinha uma grande carga de problemas anteriores acumulados.

Seja lá qual for o motivo, só sei que doeu. Doeu como há muito eu não sentia doer. O choro chegou, escondido, trancado no banheiro, longe dos olhos dos outros.

Deixei cada lágrima cair pensando no que eu estava fazendo de certo e de errado. Há algum tempo aprendi a não dar respostas no calor do momento para não me arrepender depois. Esperei o choro passar e as ideias clarearem novamente. Decidi que teria de encarar de frente e dar a minha cara a tapa. Contra fatos não há argumentos, foi pensando assim que redigi minha resposta.

Quando o email do remetente retornou, sua fala já era mais calma, educada e objetiva. Não dá pra descontar no outro as suas frustrações, isso se torna um circulo vicioso.

Não dá pra desistir toda vez que vem a tormenta, ela vai te derrubar e muitas vezes te impedir de seguir, mas uma hora ela vai passar. Essa não foi a primeira e nem será a última.

Ainda não estou bem, não mesmo. Talvez ainda tenham até algumas lágrimas por aqui, mas ok. Quando a crise bate, ela vem sempre pra nos mostrar que algo não está certo. É nisso que vou focar.

Se me abalei tanto agora, quer dizer que isso já me incomodava e me deixava insatisfeita há algum tempo. Talvez seja esse o momento de mudar e fazer o que me faz bem.

Faça, ou não faça. Tentativa não há. (Mestre Yoda)

Farei isso.