O Gato leu: Nossa Senhora do Nilo

Nossa Senhora do Nilo – Scholastique Mukasonga
Editora: Nós
Ano: 2017
Páginas: 270
Compre: Amazon

Quando li a sinopse de Nossa Senhora do Nilo me deparei com um fato triste: o quanto nós desconhecemos a história da África. Sabemos sobre as grandes guerras mundiais, os conflitos separatistas no norte da Europa, os atentados nos Estados Unidos, mas sobre a realidade africana ignoramos quase tudo.

Lembro de estudar o conflito entre hutus e tutsis na época do vestibular. Uma passagem rápida durante a aula de geopolítica, alguns nomes gravados na memória e nada mais durante anos.

Resenha do livro Nossa Senhora do Nilo - Blog: GatoQueFlutua - Foto: Debb Cabral

Ironicamente foi uma obra de ficção que me trouxe de encontro à esta triste realidade.

A história se passa no Liceu Nossa Senhora do Nilo, uma escola para meninas, situada no alto das montanhas da bacia do Congo e do Nilo, em Ruanda. Este lugar aplica rigorosamente um sistema de cotas étnicas que limita a 10% o número de alunas da etnia tutsis. Vemos aí o controle do acesso à educação como uma forma de controle social. Em Nossa Senhora do Nilo o Liceu é também um personagem dessa história, há uma aura sobre este lugar acessível somente para poucos.

A cota funciona assim: de vinte alunas, duas são tutsis. Por causa delas, tenho amigas que são ruandesas de verdade, do povo majoritário, do povo da enxada, que não conseguiram vaga na escola secundaria. Meu pai vive repetindo que um dia a gente tem que se livrar dessas cotas, foi uma história inventada pelos belgas! (Pág.34)

Quando os líderes do poder hutu tomam conta do local, o universo fechado em que têm de viver as alunas torna-se o teatro de lutas políticas e de incitações ao crime racial. As brigas entre as adolescentes são o reflexo de toda uma tensão que existe na sociedade ruandesa. As meninas já crescem repetindo os preconceitos e ideologismos de seus pais, um ciclo opressivo social e étnico. Além disso, há uma perseguição implacável a uma moral que chega a ser opressiva de tão absurda.

Os conflitos são um prelúdio ao massacre ruandês que aconteceria tempos depois. Em Nossa Senhora do Nilo, Scholastique Mukasonga, sobrevivente do massacre, conta as experiências-limites pelas quais passaram as jovens do colégio, numa narrativa pungente que encantou o mundo. A autora, que foi destaque na FLIP 2017, apresenta esse relato de uma maneira simples, como uma história a ser compartilhada.

– Você não acha perigoso? Você sabe o que esses brancos fazem com as moças que eles atraem para as suas casas. Os brancos acham que podem fazer tudo aqui, que podem fazer até o que é proibido na terra deles. (Pág. 74)

Há aventuras vividas pelas personagens que são surreais e, até mesmo, perigosas. Isso mostra a fragilidade e a ingenuidade dessas meninas, que são vistas apenas como as futuras boas esposas de homens poderosos. Uma educação sem informação é algo triste, como pude observar na questão da menstruação. O desconhecimento do próprio corpo na área da biologia está ao lado da visão do pecado pregada pelos religiosos locais.

– Você sabe que não devemos falar sobre esse assunto. As mocinhas não entendem nada do que acontece com elas, acham que são malditas. Não sei se era assim antes dos europeus chegarem, mas os missionários só pioraram as coisas. Nossas mães não explicam nada, como diriam os professores, é um tema tabu. (Pág. 99).

Nossa Senhora do Nilo é um livro comovente. Ao mesmo tempo em que ri das conversas das adolescentes, não consegui deixar de me preocupar com a segurança delas, de suas famílias, de seu povo, de seu país.

O blog Achados & Lidos foi quem me mandou este livro como presente. Ele realizou um Clube do Livro no qual houve uma leitura coletiva da obra. Os debates podem ser encontrados nos posts do projeto.

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Hidratante para o Banho Nivea Soft Milk Manteiga de Karité

Não é novidade por aqui a minha preguiça só de pensar em passar hidratante corporal. Esqueço, compro e não uso, passo só nas mãos…

Buscando uma mudança nesse habito horrível eu lembrei que gosto de passar óleos hidratantes na hora do banho. Essa é uma compra que deve ser feita com atenção, pois o certo é usar óleo vegetal e não o óleo mineral, que não traz beneficio algum. Infelizmente a segunda opção é a que está mais disponível no mercado e aí só checando o rotulo para não ser enganada.

Resenha do Hidratante para banho Nivea Soft Milk Manteiga de Karite - Blog: GatoQueFlutua - Foto: Debb Cabral

Nessa saga encontrei o Hidratante para o Banho Nivea Soft Milk Manteiga de Karité. Ele promete até 24 horas de cuidado através da ação de um hidratante comum, mas com a facilidade da aplicação na hora do banho.

A formula é enriquecida com manteiga de Karité, nutriente hidratante e pode ser utilizada em todos os tipos de pele. Sua textura é cremosa, mas não muito densa. Adere facilmente e não demora para ser absorvido, evitando a sensação incomoda de estar com a pele eternamente melecada.

Seu modo de uso é simples, após a higienização com o sabonete de uso diário, enxágue o corpo normalmente e logo após aplique o Hidratante para o Banho Nivea Soft Milk Manteiga de Karité sobre a pele ainda molhada. Enxágue e seque em seguida.

A única coisa que não gosto no produto é a necessidade do enxágue, gostaria de não precisar fazer isso. Quando estou com muita preguiça faço o seguinte, com o corpo bem molhado passo só um pouquinho do produto e espalho muito bem, aí pulo a etapa final. Nunca tive problemas ou reação estranha na pele por causa disso.

Apesar de tudo, foi o produto com o qual eu mais consegui me adaptar, tanto que já acabei com o conteúdo do recipiente. Aproveitei para conhecer mais da linha e comprei desta vez o Flor de Vanilla e Mel. Este é bem mais cheiroso que o de Manteiga de Karité, que tem um perfume mais próximo do tradicional de Nivea. Assim que testar bem esta outra opção volto aqui neste mesmo post para falar sobre ele.

Paguei R$16,00 no produto que vem em uma embalagem de 250ml e rende bastante!

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TAG: By the Book

Eu adoro responder TAGs e hoje trouxe uma chamada By the book, que vi pelo Instagram. A TAG é gringa e foi traduzida pela Tatiana Feltrin.

Vamos lá?

Detalhe da estante de livros-GatoQueFlutua-blog-Foto_Debb_Cabral.JPG

1. Qual livro está na sua cabeceira?

Atualmente são dois. Estou lendo Nossa Senhora do Nilo, de  Scholastique Mukasonga e O Demonologista, de  Andrew Pyper. 

2. Qual foi o último livro realmente bom que você leu?

Mr. Mercedes, de Stephen King foi um livro que eu devorei. Lia sem parar e recomendo a todos que desejam conhecer a escrita do King ou que sejam fãs de literatura policial.

3. Se você pudesse encontrar qualquer escritor(a), vivo(a) ou morto(a), quem seria? E o que gostaria de perguntar a ele(a)?

Acho que seria o próprio Stephen King ou a J.K. Rowling.

Para o King eu perguntaria sobre a rotina de escrita dele, como ele se organiza, como as ideias surgem… Pegaria muitas dicas. Para a J.K. eu só iria agradecer por todo o trabalho e esforço dela com Harry Potter, por não ter desistido das histórias do jovem bruxo que cresceu e amadureceu com toda uma geração ao lado dele, aprendendo com suas experiencias e aventuras.

4. Qual livro ficaríamos surpresos de encontrar na sua estante?

Talvez Simon vs. a Agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli. É um livro para o público jovem, mas que me cativou por trazer um temas como homossexualidade, bullying e amizade de uma maneira leve e bem humorada.

5. Como você organiza a sua biblioteca pessoal?

Atualmente é do jeito em que caiba o máximo possível, rs. Tem setores fixos: livros de fotografia e arte; livros não lidos; livros lidos e quadrinhos lidos.

6. Qual livro você “já deveria ter lido”?

São tantos… Mas para citar um, vou indicar O Poder da Espada, de Joe Abercrombie. Tenho o volume inicial da trilogia A Primeira Lei há pelo menos 4 anos. A capa da saga já até mudou e eu ainda nem peguei nele.

7. Um livro que desapontou, superestimado, nada bom. Um livro que todos dizem ser a sua cara, mas que não gostou. Último livro abandonado.

Eu não cheguei a abandonar, mas A Piada Mortal, de Alan Moore, foi uma grande decepção para mim. Como uma fã do Batman, esperava mais do livro, porém achei a história bem problemática.

8. Que tipos de histórias chamam a sua atenção? De quais tipo de histórias você mantém distância?

Adoro literatura policial, aventura, mistério, suspense, terror e ficção cientifica. Muita morte, sangue e personagens problemáticos! Fujo de histórias de amor.

9. Se você pudesse indicar um livro para o/a presidente, qual seria?

Os Excluídos, Yuyun Li. É um livro que se passa na China após a Revolução Cultural e que trata de politica, comunidade e da importância que uma vida pode ter nas das outras pessoas. Um governante devia ler histórias assim para ver com outros olhos o povo que ele representa.

10. Quais livros você pretende ler em breve?

Estão aguardando na fila: O Mágico de Oz, de Lyman Frank Baum; Cenas da Vida Amazônica, de José Veríssimo e O Exorcista, de William Peter Blatty.

Quem quiser responder, pode ficar a vontade! Me marca que eu vou querer ver!

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O Gato leu: Mr. Mercedes

Mr. Mercedes – Stephen King
Editora: Suma de Letras
Ano: 2016
Páginas: 400
Compre: Amazon

Tenho muito que agradecer a Zona Morta por me tirar da desilusão de ler Stephen King provocada por O Iluminado. Me apaixonei pela escrita do autor, pretendo ler o máximo possível das suas produções e, quem sabe, dar uma segunda chance ao livro que não me cativou.

Mr. Mercedes era o livro que eu queria ler logo que soube do seu lançamento, pois King estava se aventurando na literatura policial em uma trilogia de livros que funcionam individual e coletivamente.

A história começa quando centenas de pessoas desempregadas madrugam na fila para conseguir vaga em uma feira de empregos. A esperança de uma oportunidade e de um futuro melhor passa longe do que lhes é reservado. Sem qualquer aviso, um motorista solitário irrompe no meio da multidão em um Mercedes roubado, atropelando os inocentes. Poderia até parecer um acidente, talvez obra de algum bêbado, mas isso não está na mente do piloto que dá a ré e volta a atropelá-los de propósito. O motorista foge deixando para trás oito pessoas mortas e quinze feridos.

O “Assassino do Mercedes”, como é chamado, assombra o policial aposentado Bill Hodges. Foi um caso deixado sem solução. Tudo muda quando ele recebe uma carta enlouquecida do criminoso. O Mr. Mercedes planeja matar mais e espreita o detetive sem levantar suspeitas. Hodges acorda de sua deprimente e vaga aposentadoria, empenhado em evitar outra tragédia.

O Mr. Mercedes quer que ele cometa suicídio. Hodges se pergunta o que o homem acharia se descobrisse que acabou dando a esse ex-Cavaleiros do Distintivo e das Armas em particular um motivo para viver. Ao menos por um tempo. (Pág. 35)

Mas King não nos deixa às escuras para saber quem é o assassino. Ele nos apresenta de imediato Brady Hartfield, que vive com sua mãe alcoólatra. Brady adorou a sensação de morte sob as rodas da Mercedes e quer sentir aquilo novamente.

Para encontrar o criminoso Hodges terá o apoio de aliados altamente improváveis que irão correr contra o tempo, porque na próxima missão de Brady, se for bem sucedido, vai matar ou mutilar milhares.

Ele pode ser culpado por atacar o mundo que o fez ser como é?

Brady acha que não. (Pág. 292)

Eu devorei este livro, fiquei viciada na leitura e só pensava em como essa história iria se desenrolar. King tem o poder de criar personagens tão criveis e humanos quanto nós. Ele nos faz torcer por eles como torcemos para que as coisas melhorem para nós também. Tudo isso para nos roubar esses personagens, deixando-nos desolados diante da vida e da crueldade humana.

O primeiro capítulo me deixou com um aperto no peito, uma vontade de chorar e a incerteza se a leitura iria continuar. Tudo isso em uma parte da história que tem seu desfecho já informado na sinopse do livro.

King faz referências a outras obras suas dentro da trama. Notar essas referências mostra o quanto que elas já foram incorporadas a nossa memória cultural.

Agora é seguir em frente e ler os próximos livros desta trilogia alucinante!

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Nem de casa e nem visita

Edgar Augusto, jornalista especializado em música, era o responsável pelas pautas musicais do Centro Cultural Sesc Boulevard nos dois anos que estagiei lá. Seu nome é notório em Belém e eu fiquei bem feliz e, ao mesmo tempo, nervosa de trabalhar ao lado de alguém com a sua trajetória.

Nós colocamos aqueles que admiramos em pedestais e esquecemos que eles são pessoas como nós. Edgar se mostrava a cada dia mais acessível. Bom orador, ele contava histórias de outros tempos, imitava pessoas, usava vozes diferentes e fazia a todos rir.

Vista de uma exposição de fotografias pinhole realizada no Centro Cultural Sesc Boulevard em 2011. Foto: Debb Cabral
Vista interna do Sesc Boulevard. Foto: Debb Cabral

Três anos se passaram desde a minha formatura e o fim do meu estágio. Eu não estou mais no Sesc e nem o Edgar.

Esses dias li sua coluna no jornal. Ele falava sobre o tempo que parece ora acelerar, ora passar arrastado. Mas e o tempo do pertencimento? Edgar contou que voltou uma noite ao Sesc como convidado e sentiu um misto de sensações.

Nem de casa e nem visita.

Conhecemos os segredos do lugar, rostos amigos abrem um sorriso ao nos rever, mas ao mesmo tempo, não somos mais parte dele. Ou será que somos? Acho que sempre vamos ser parte daquilo pelo qual passamos e também vamos deixar a nossa parte em tudo o que tivermos contato.

Toda vez que retorno a um lugar que me foi cotidiano ou com que tive uma relação que me foi habitual, sinto uma confusão de sentimentos, desde a vontade de abraçar a todos até o desejo de sair correndo.

O tempo não volta. Os bons tempos menos ainda. Mas eles ficam fixos na memória para sempre, como em uma fotografia. Sempre que olharmos ou entrarmos em contato novamente com aquilo vamos enxerga-lo por esse filtro. Novas memórias vão se depositar sobre ele e ficar cada vez mais intensas sobre nós. Quem eu era quando estagiária não é mais quem sou hoje, mas aquela pessoa continua aqui dentro, ela é uma parte de mim.

Hoje eu não sou de casa e nem visita, sou transitória, e isso é algo bom.

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