O Gato leu: Tóquio Cidade Ocupada

Tóquio Cidade Ocupada – David Peace
Editora: Planeta
Ano: 2012
Páginas: 320
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Acho que fui com muita sede ao pote no que diz respeito ao livro Tóquio Cidade Ocupada, de David Peace. Criei muita expectativa e acabei me decepcionando. Contar uma história que aconteceu no Japão pós 2ª Guerra Mundial foi algo que despertou de imediato a minha atenção. O livro tinha tudo para ser incrível, mas infelizmente não conquistou meu coração.

Doze vozes contam essa história, cada uma surge como um retrato de uma cidade que passava por condições extremas.

tokio cidade ocupada - livro - resenha

Além da negligência e abandono, nós jazemos. Bêbado, você nos despeja a sua arenga. Para além do esquecimento, nós esperamos. Sóbrio, você nos ignora. Esquecidos e abandonados, enterrados ou queimados, assombrados e inquietos, debaixo da terra e acima do céu, sem sonhos e sem dormir. Você está cego para o nosso sofrimento. Estamos tão cansados. Você está surdo para as nossas suplicas. (Pág. 19)

Não tenho problemas em ler histórias não-lineares, a grande questão nesse livro é que tem capítulos inteiros escritos como se fossem uma mistura de palavras de ordem com transes de cultos. Palavras que ficam ecoando na cabeça, não de uma maneira boa. Não achei que acrescentou nada à história, pareceu mais que o autor escreve pra si próprio.

Nas 20 primeiras páginas fiquei muito confusa, pois ele fica repetindo “Cidade Ocupada” o tempo todo, como se tentasse legitimar ou validar o titulo. Na minha opinião, se ele parasse de ficar repetindo sempre as mesmas coisas a leitura seria muito melhor, quebra o ritmo e a concentração do jeito que está.

Gostei muito de ler o capitulo com as anotações do detetive, parecia que eu estava fazendo algo errado, bisbilhotando. Essa parte se ligava aos fatos e não ao devaneio pessoal do autor. Tentar entender se havia uma relação entre a guerra que havia recém-terminado com a ação do envenenamento em massa aos funcionários de um banco foi bem instigante.

Quando o assassino começou a distribuir o veneno, eu olhei na cara dele. Eu nunca vou esquecer aquele rosto. (Pág. 84)

O autor alterna capítulos brilhantes, como o das cartas do americano, com outros longos e cansativos. Encontrei dois erros de revisão.

Nem preciso dizer que gostei de acompanhar a história pelo olhar do repórter, mostrou o modo de trabalho dele e a objetividade que eu queria para debater assuntos como a guerra biológica e o fato de como as nações não hesitarem em sacrificar vidas para se manter com poder diante das demais.

Imagine se nunca pudéssemos esquecer os mortos, imagine se vivêssemos sempre de luto, imagine então um mundo de lágrimas, tudo alagado, todos se afogando. Esse é o meu mundo, esta cidade, tudo inundado, todos se afogaram. (Pág. 210)

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