O Gato leu: Os Excluídos

Os Excluídos – Yuyun Li
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2010
Páginas: 397
Compre: Amazon

Este post é sobre o melhor livro que li neste primeiro semestre!

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Eu nunca tinha ouvido falar de Os Excluídos, livro de Yiyun Li, mas durante a visita à  XVIII Feira Pan-Amazônica Do Livro não pude deixar de notá-lo. A capa é linda, pois usa como base imagens de posteres de propaganda politica, resultando em um efeito visual incrível! Muitas recomendações também estampam o livro, como a do The New Tork Times que diz “Um dos maiores romances do ano”.

O livro se passa na China após a Revolução Cultural. Isso despertou minha atenção, pois adoro livros que tem como base o registro de uma determinada época e local únicos.

O professor ouviu um portão ranger ali perto e tratou logo de se afastar para não ser apanhado chorando diante do cartaz. A sua filha era um contrarrevolucionária e derramar lágrimas por sua morte iminente era um perigo para qualquer pessoa, até mesmo para os seus pais.  (Pág. 12)

No romance, a jovem Gu Sham será executada como inimiga da Revolução, essa morte vai permear a vida dos moradores da cidadezinha de Rio Lamacento, em especial de alguns personagens.

A cidade era um lugar impiedoso, ou, pelo menos, era essa a impressão que ela lhe dava: um lugar onde o menor dos erros podia se tornar uma ofensa grave.  (Pág. 20)

Tong, Nini, Bashi, Kai, o Sr. e a Sr.ª Hua e os Gu, pais de Sham, tem suas vidas atravessadas por essa morte. De diferentes maneiras, cada um com a sua realidade vai tendo a vida afetada. Estes personagens se cruzam muitas vezes no livro.

Aquilo era uma doença; essa paixão pela politica, por mobilizar as massas como se as pessoas fossem grãos de areia que, por um feitiço qualquer, pudessem se juntar facilmente e se transformar numa torre. Era uma doença fatal. Havia tirado a vida da sua filha e, agora, lançava as garras sobre a mais improvável das criaturas, a sua mulher, uma velha humilde e obediente. (Págs. 232 e 233)

Os Excluídos é permeado de sabedorias chinesas, que sempre se adequam e causam uma reflexão sobre a situação dos personagens e nossa também.

A industrialização chega e vai modificando a vida no interior. A violência, o machismo e o descaso vão aumentando até que, em pequenas partes, observamos que a bondade e a solidariedade muitas vezes vem daqueles que tem muito pouco.

No final, após tantas as reviravoltas na vida daquelas pessoas, a reflexão fica é a de que não importa de que lado se está, se o mundo está equivocado e você não, você nunca pode esquecer de ser humano.

A porta do céu é estreita e só permite a entrada de um herói de cada vez, mas os que vão para o inferno, acrescentou Kwen, viajam sempre em dupla, de mãos dadas. (Pág. 397)

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